GOLFO PÉRSICO VIVE O DRAMA DE VAZAMENTOS DE PETRÓLEO NO PRIMEIRO GRANDE DESASTRE AMBIENTAL DA GUERRA DO IRÃ
Uma consequência quase que óbvia, mas que demorou a aparecer no Golfo Pérsico, verdadeiro teatro de guerra que se transformou diante dos ataques mútuos entre a armada dos Estados Unidos e as tropas do Irã. Agora, surgiram duas grandes manchas de óleo nas águas do Golfo Pérsico, por onde passam navios carregados de petróleo. As manchas gigantes indicam um enorme vazamento na costa de Omã, já causando um desastre ecológico. A mancha de óleo apareceu na ponta sul da Ilha Weshm, enquanto uma menor foi avistada perto da Ilha Sirri, no centro do Golfo. Duas outras manchas de
óleo apareceram em águas iranianas, conforme mostram imagens de satélite, em meio a ataques recíprocos contra petroleiros e outras embarcações por parte do Irã, gerando preocupações sobre danos ambientais no Golfo.
Um potencial desastre ambiental já está se desenrolando na Costa de Omã, fora do Estreito de Ormuz, onde um petroleiro encalhado, o Caroline Bezengi, está vazando petróleo bruto russo em uma área marinha protegida, criando uma enorme mancha de óleo, estimada em 2.000 quilômetros quadrados. O incidente com Caroline Bezengi não foi relacionado à guerra com o Irã. As duas últimas manchas de óleo estão dentro do Golfo. Uma mancha de óleo apareceu na ponta sul da Ilha de Qeshm, a grande ilha em forma de golfinho no Estreito de Ormuz, perto da costa do Irã, conforme mostraram imagens dos satélites Sentinel-2 do programa Copernicus.
ÓLEO PESADO
Wim Zwijnenburg, pesquisador ambiental de código aberto da organização holandesa PAX, afirmou que a cor escura em algumas partes da mancha indicava óleo combustível pesado, enquanto uma mancha mais clara e diluída se estendia por cerca de 160 km. Um líquido escuro e borbulhante foi visto chegando às praias de Suza, na ilha de Qeshm, contrastando com a água turquesa ao redor, em um vídeo publicado. “Este é o maior que vi nos últimos meses, realmente desde o início do conflito entre o Irã e os EUA”, disse John Amos(esquerda), CEO da SkyTruth, empresa que usa imagens de satélite para detectar derramamentos de petróleo, classificando-o como “um incidente grave”.
Imagens de satélite mostraram uma segunda mancha de óleo perto da pequena ilha de Sirri, no centro do Golfo, a cerca de 100 km a sudoeste de Qeshm, região que abriga parte da produção iraniana de petróleo e gás em alto-mar. As imagens de satélite da Ilha de Qeshm foram capturadas em 10 de agosto e as da Ilha de Sirri em 13 de agosto.
GRANELEIRO ATACADO
A mancha de óleo na ilha de Qeshm provavelmente teve origem em um vazamento do Minoan Pioneer, um navio
graneleiro de bandeira liberiana, disse Samir Madani, cofundador do serviço de monitoramento TankerTrackers.com. O navio Minoan Pioneer foi atingido por um projétil desconhecido perto da costa de Omã, num suposto ataque iraniano, enquanto navegava pelo Estreito de Ormuz em 3 de agosto, e um marinheiro desapareceu, disseram fontes de segurança marítima. O mesmo vazamento provavelmente também afetou a ilha de Qeshm.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou em uma publicação no X que a poluição por petróleo proveniente do Golfo Pérsico atingiu a ilha de Qeshm e que as evidências preliminares “indicam um navio
graneleiro estrangeiro como a fonte”. Uma fonte envolvida na operação de resgate do Minoan Pioneer, que pediu para não ser identificada devido à delicadeza do assunto, nesta sexta-feira (14) que um rebocador enviado para assegurar a embarcação encalhada não conseguiu se aproximar devido a problemas relacionados à obtenção de permissão das autoridades iranianas.
O conflito na região complicou os esforços para avaliar e limpar os derrames no Golfo, disse Brian Barnes, oceanógrafo de satélite e professor assistente de pesquisa na Universidade do Sul da Flórida. “Quanto mais tempo o petróleo permanecer vazando no meio ambiente, mais ele poderá se espalhar e causar danos aos ecossistemas e ao litoral.”

publicada em 14 de agosto de 2026 às 19:00 




