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CAPACIDADE GLOBAL DE GERAÇÃO NUCLEAR DEVE CRESCER CERCA DE 30% ATÉ 2035

Após mais de duas décadas de estagnação, a capacidade global de geração nuclear deve crescer cerca de 30% até 2035, segundo a mais recente edição do World Energy Outlook (WEO) da Agência Internacional de Energia (AIE). De acordo com o cenário baseado nas políticas energéticas atuais, a capacidade mundial deve crescer de 420 GWe em 2024 para 728 GWe em 2050.

A produção nuclear global deve atingir um nível recorde em 2025”, afirma a IEA. “Os avanços tecnológicos — especialmente nos reatores modulares pequenos (SMRs) — estão melhorando as perspectivas para a energia nuclear. À medida que a demanda aumenta e cresce a necessidade por eletricidade firme, confiável e de baixas emissões, a fonte nuclear é vista cada vez mais como parte essencial de uma matriz elétrica segura, acessível e diversificada.

O relatório destaca que mais de 40 países já incorporaram a energia nuclear em suas estratégias e estão tomando medidas para desenvolver novos projetos. Além dos reatores que estão voltando à operação — notadamente no Japão — há mais de 70 GWe de nova capacidade em construção, um dos maiores níveis dos últimos 30 anos. “Inovação, controle de custos e maior visibilidade sobre os fluxos de caixa futuros são fundamentais para diversificar um setor historicamente marcado por alta concentração de mercado, incluindo na construção, na produção de urânio e nos serviços de enriquecimento”, diz o documento. “Empresas de tecnologia estão impulsionando novos modelos de negócios, com acordos e manifestações de interesse para 30 GW em SMRs, principalmente para alimentar data centers.”

O World Energy Outlook 2025 considera três cenários principais:

  • Stated Policies Scenario (STEPS): baseado nas políticas energéticas, climáticas e industriais mais recentes;

  • Current Policies Scenario (CPS): reflete apenas as políticas e regulações atualmente em vigor;

  • Net Zero Emissions by 2050 Scenario (NZE): traça o caminho para reduzir as emissões globais de CO₂ a zero líquido até 2050.

No cenário de políticas atuais, a capacidade nuclear mundial cresce de 420 GWe em 2024 para 563 GWe em 2035, chegando a 728 GWe em 2050. A IEA observa que “o atual portfólio de projetos deve elevar o ritmo de implantação nos anos 2030 a níveis não vistos desde a década de 1980”.

Esse avanço vem após um período difícil, marcado por atrasos e estouros de orçamento em grandes projetos na Europa e nos Estados Unidos. Globalmente, a produção nuclear deve dobrar para 784 GWe até 2050 no cenário STEPS, mantendo uma fatia estável de 9% na geração elétrica — embora ainda distante da meta global de triplicar a capacidade.

No cenário de emissões líquidas zero, a expansão nuclear deve desacelerar após meados da década de 2030, acompanhando o ritmo de outras tecnologias de baixa emissão, à medida que os sistemas elétricos se tornam amplamente descarbonizados. Mesmo assim, a capacidade deve atingir 1.079 GWe.

Os investimentos em energia nuclear cresceram mais de 70% nos últimos cinco anos, segundo a IEA. “Os gastos aumentam em ambos os cenários, à medida que vários países tomam decisões finais de investimento em grandes reatores novos, elevando o nível atual de investimento em 40%, para mais de US$ 100 bilhões por ano no cenário STEPS, e em cerca de 30%, para mais de US$ 90 bilhões por ano no CPS.

O World Energy Outlook também lembra que diversos países assinaram um compromisso de triplicar a capacidade nuclear global até 2050. “Se plenamente cumprido, esse compromisso elevaria a capacidade global de 413 GW em 2020 para 1.240 GW em meados do século — 160 GW acima do nível projetado no cenário NZE.

Para alcançar essa meta, o relatório aponta que os investimentos anuais precisariam crescer dos atuais US$ 70 bilhões para um pico de cerca de US$ 210 bilhões por volta de 2035, estabilizando-se em torno de US$ 160 bilhões ao longo da década de 2040. Esse aumento exigiria cadeias de suprimento robustas, mão de obra qualificada e apoio político de longo prazo.

ERA DA ELETRICIDADE

A AIE destaca que a eletricidade está no centro das economias modernas e que a demanda por energia elétrica cresce mais rápido do que o consumo total de energia em todos os cenários do WEO 2025. “Os investidores estão reagindo a essa tendência: os gastos com oferta elétrica e eletrificação do consumo já representam metade dos investimentos energéticos globais. Atualmente, a eletricidade responde por cerca de 20% do consumo final de energia, mas é a principal fonte para setores que representam mais de 40% da economia global — e para a maioria das residências.

O World Energy Outlook vem destacando há anos o papel crescente da eletricidade nas economias globais. No ano passado, dissemos que o mundo avançava rapidamente para a Era da Eletricidade — e está claro que ela já chegou”, afirmou o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol.

Diferentemente da última década, o aumento do consumo elétrico não se limita mais às economias emergentes. A demanda acelerada de data centers e da inteligência artificial também está impulsionando o consumo nos países desenvolvidos. O investimento global em data centers deve atingir US$ 580 bilhões em 2025 — superando os US$ 540 bilhões previstos para o fornecimento mundial de petróleo, um exemplo marcante da transformação das economias modernas.”

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