PETROLEIRO RUSSO DA FROTA FANTASMA TROCOU DE BANDEIRA E FOI CAÇADO DURANTE HORAS PELA MARINHA AMERICANA EM ALTO MAR
Logo depois da Guarda Costeira dos Estados Unidos ter divulgado a informação e fotos de um de seus navios seguindo o petroleiro Bella 1, com bandeira russa, no Atlântico Norte, as forças militares americanas abordaram e apreenderam o petroleiro após uma perseguição de semanas em alto mar, o que aumentou as tensões com Moscou e pressionou ainda mais a Venezuela. A embarcação antiga e enferrujada, já havia sido sancionada pelos EUA em 2024 por operar em uma “frota paralela” de petroleiros que transportavam petróleo iraniano ilícito. No mês passado, a Guarda Costeira dos EUA tentou apreender o navio enquanto ele se dirigia à Venezuela para carregar petróleo, operando então sob a bandeira da Guiana. Mas a tripulação do navio se recusou a ser abordada e fez uma curva abrupta em direção ao Atlântico.
A tripulação do Bella 1 pintou posteriormente uma bandeira russa em sua lateral, e o navio apareceu em um registro de navios russo com um novo nome, Marinera.
Autoridades americanas disseram mais tarde que Moscou enviou um submarino para escoltar o navio enquanto ele navegava em direção à Europa, ameaçando um possível confronto entre as marinhas americanas e russas. O navio petroleiro Bella 1 foi apreendido a aproximadamente 305 quilômetros da costa sul da Islândia, de acordo com o site de rastreamento de navios MarineTraffic. O site mostra o petroleiro fazendo uma curva acentuada para o sul por volta do horário em que a apreensão foi relatada. O Ministério dos Transportes da Rússia confirmou que perdeu contato com o petroleiro depois que forças americanas embarcaram no navio às 7h da manhã (horário do leste dos EUA). Os SEALs da Marinha dos EUA estavam entre as forças que embarcaram no petroleiro depois de serem transportados até o navio pelo 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais do Exército dos EUA, também conhecido como “perseguidores noturnos“, de acordo com duas pessoas informadas sobre a operação.
O Ministério da Defesa do Reino Unido também afirmou ter ajudado na apreensão “após um pedido de assistência dos EUA”. Aeronaves V-22 Osprey estiveram ativas nos últimos dias, com dados de voo aparentemente mostrando que elas estavam realizando missões de treinamento a partir da base aérea de Fairford. E dois aviões de ataque AC-130 foram vistos chegando à base de Mildenhall, no Reino Unido. Ao lado do Bella 1, uma embarcação sem identificação pode ser vista à distância, parcialmente encoberta pela neblina. A embarcação era um navio da Guarda Costeira dos EUA no Oceano Atlântico. A Secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem( esquerda), disse que a tripulação do navio da Guarda Costeira dos EUA, o USS Munro, perseguiu o navio por semanas “em alto mar e através de tempestades traiçoeiras”. Antes da apreensão da embarcação, os militares russos começaram a deslocar recursos navais e um submarino para proteger o navio, de acordo com um oficial
americano. Mas não ficou claro a que distância essas embarcações estavam do petroleiro no momento da apreensão.
A Rússia, por sua vez, condenou a apreensão do Bella 1, com o Ministério dos Transportes argumentando que “nenhum Estado tem o direito de usar a força contra embarcações devidamente registradas nas jurisdições de outras nações”, de acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, tratado que os EUA não assinaram. O Ministério das Relações Exteriores russo exigiu que os EUA devolvam os cidadãos russos a bordo “à sua pátria”, segundo a
agência de notícias estatal russa TASS, que também informou que o parlamentar russo Leonid Slutsky(direita) classificou a apreensão do navio pelos EUA como um ato de “pirataria do século XXI”, que viola o direito internacional. O Presidente russo, Vladimir Putin, ainda não se pronunciou sobre a apreensão.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, minimizou os riscos de um confronto com a Rússia, argumentando que o presidente dos EUA, Donald Trump, mantém um bom relacionamento com Putin. “Acredito que esses relacionamentos pessoais continuarão”, disse ela. A China também condenou a apreensão na quinta-feira, classificando-a como uma “grave violação do direito internacional”. A China sempre se opôs a sanções unilaterais ilegais que carecem de fundamento no direito internacional e não são autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU, e se opõe a quaisquer ações que violem os propósitos e princípios da ONU.

publicada em 8 de janeiro de 2026 às 11:00 




