A BELGO ARAMES APOSTA NUM ANO COM A NECESSIDADE DE ESTABILIDADE E COMPETITIVIDADE NA ECONOMIA BRASILEIRA
Dando sequência ao nosso Projeto Perspectivas 2026, convidamos o CEO da Belgo Arames, empresa com atuação em vários segmentos da economia brasileira. Rodrigo Archer, que já exerceu cargos importantes nas empresas privadas como CEO da ArcelorMittal Acindar, na Argentina, e CMO na Costa Rica, retornou ao Brasil em 2023, após nove anos de atuação no mercado latino-americano. É um profissional é graduado em Administração de Empresas com MBA em Marketing e Direção Executiva pela Fundação Dom Cabral e em Finanças Executivas pela The Wharton School, da Universidade da Pensilvânia (EUA). Tem ampla experiência em posições de gestão, em áreas como comercial em geral, logística e planejamento, produção, finanças e relações governamentais. Tem uma visão clara sobre a economia brasileira a ponto de dizer
que a melhoria dela passa, necessariamente, por uma combinação pragmática de medidas, com um foco inegociável em estabilidade e competitividade. “A disciplina fiscal é fundamental, ela é o oxigênio para uma queda sustentável dos juros”, avalia.
Para ele e para a Belgo Arames, o ano passado “Não foi um ano de euforia, mas foi, sem dúvida, um ano de performance robusta, sustentada pela diversificação do nosso portfólio e por um forte foco em eficiência operacional para mitigar as pressões externas.” A perspectiva para este ano “é essencial garantir segurança
jurídica para parcerias público-privadas e dar mais agilidade aos marcos regulatórios, de forma a atrair capital privado para rodovias, ferrovias e, especialmente, para projetos ligados à transição energética e à expansão do setor de óleo e gás.” Vamos, então, ver como foi o raio X da atuação da Belgo Arames e qual é o posicionamento real de Rodrigo Archer:
– Como foi o ano de 2025 para a sua empresa? As perspectivas se confirmaram?
– 2025 foi um ano de consolidação e de muita resiliência estratégica para a Belgo Arames. Vivemos um
cenário global ainda marcado por imprevisibilidade, especialmente depois das taxações nos Estados Unidos, que impactaram diretamente o mercado global de aço. Diante disso, tivemos de realinhar expectativas e ajustar nossa atuação a essa nova realidade.
No setor offshore e de energia, a demanda por tubos flexíveis para a exploração de petróleo se manteve estável em relação ao ano anterior, o que reforça a resiliência desse mercado. Já no segmento de energia, principalmente em transmissão, observamos um movimento claro de aquecimento, impulsionado pelos leilões realizados nos últimos anos.
Em infraestrutura e construção civil, a retomada de obras e o foco em soluções de concreto com fibra de aço, como o Dramix, nos permitiram ampliar nossa participação em projetos de grande porte, oferecendo mais durabilidade e eficiência. No agronegócio, a força e a resiliência do Agro brasileiro sustentaram uma demanda consistente por cercamentos e soluções rurais, que seguem sendo um pilar importante da Belgo.
Não foi um ano de euforia, mas foi, sem dúvida, um ano de performance robusta, sustentada pela diversificação do nosso portfólio e por um forte foco em eficiência operacional para mitigar as pressões externas.
– Dentro da realidade brasileira e da economia atual, quais seriam as medidas mais acertadas para que as coisas pudessem melhorar?
– A melhoria da economia brasileira passa, necessariamente, por uma combinação pragmática de medidas, com
um foco inegociável em estabilidade e competitividade. A disciplina fiscal é fundamental, ela é o oxigênio para uma queda sustentável dos juros. Além disso, é urgente enfrentar o chamado Custo Brasil, que ainda sufoca a indústria com burocracia excessiva, gargalos logísticos e insegurança jurídica.
Também precisamos desbloquear investimentos em infraestrutura. Para isso, é essencial garantir segurança jurídica para parcerias público-privadas e dar mais agilidade aos marcos regulatórios, de forma a atrair capital privado para rodovias, ferrovias e, especialmente, para projetos ligados à transição energética e à expansão do setor de óleo e gás.
Por fim, diante de um cenário global cada vez mais protecionista, como mostram as taxações americanas de 25% ou mais sobre aço e alumínio, o Brasil precisa de uma defesa comercial mais ativa e ágil. Ao mesmo tempo, é indispensável fomentar a inovação e os investimentos em Indústria 4.0, para que produtos de alto valor agregado, como os arames destinados ao offshore, continuem competitivos no mercado internacional.
– Quais os problemas atuais que podem ser vistos como um risco à nossa estabilidade política e econômica?
– Hoje, um dos principais riscos está diretamente ligado ao avanço do protecionismo global. A manutenção de tarifas elevadas, como as anunciadas pelo governo Trump sobre o aço, aumenta significativamente o risco de desvio de comércio. Na prática, isso significa que o excedente de aço que não entra nos Estados Unidos pode ser direcionado para mercados como o Brasil, pressionando preços e afetando toda a cadeia produtiva nacional, incluindo empresas como a Belgo Arames.
Esse é um tema que exige atenção máxima, com atuação firme tanto na esfera diplomática quanto na defesa comercial, para que sejam restabelecidas condições mais justas de concorrência.
– Quais são as perspectivas para 2026? Mais otimista ou mais pessimista? O que fazer para termos um ano melhor?
– Eu diria que minha visão para 2026 é de um otimismo cauteloso, mas estratégico. Não podemos ser ingênuos, mas há fundamentos sólidos que
sustentam esse olhar mais positivo, como a força estrutural da economia brasileira, especialmente no agronegócio, na energia e no pipeline robusto do pré-sal. Para a Belgo Arames, vemos uma perspectiva de crescimento da demanda por soluções de alta engenharia voltadas aos setores de energia e infraestrutura.
Para que 2026 seja um ano melhor, o país precisa se apoiar em três pilares: execução, estabilidade e defesa comercial. É fundamental executar com eficiência o que já foi aprovado, como a Reforma Tributária, atuar de forma mais firme na defesa comercial, buscando acordos que mitiguem os efeitos das taxações americanas, e proteger o mercado interno do impacto do desvio de comércio. Na Belgo Arames, seguiremos investindo em produtividade e em soluções de ponta, com o compromisso de garantir a excelência do aço brasileiro e contribuir para o desenvolvimento dos setores estratégicos do país.

publicada em 8 de janeiro de 2026 às 4:00 




