NOMEAÇÕES PARA DIREÇÃO DA NUCLEP SACODEM O GOVERNO, O PT FLUMINENSE E PROVOCAM DENÚNCIAS DE FUNCIONÁRIOS À OUVIDORIA
A semana começa cheia de emoções nos bastidores políticos de Brasília, repercutindo a polêmica escolha do novo presidente da Nuclep, Adeilson Telles, em nomear Marcelo Perillo (foto principal) como chefe de seu gabinete. Esta escolha sacudiu os bastidores do governo pelo pescoço. Tanto Adeilson quanto Perillo ficaram mais expostos do que rainha de bateria de escola de samba do Grupo A na Sapucaí. Apadrinhado por Gleisi Hoffman para o cargo, Adeilson achou que estava com carta branca para fazer tudo o que queria e nomeou Marcelo Perillo para um cargo de extrema confiança, por onde passa todos os contratos que a empresa já tem e outros que ainda poderão ter. É uma função estratégica que mexe com milhões dólares e reais, dependendo do contrato.
No dia 17 de outubro de 2025, Marcelo Perillo passou a ser investigado internamente e foi afastado pelo Conselho de Administração do cargo de que ocupava como diretor administrativo. Dias depois, ele foi exonerado pelo próprio Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, antes mesmo da conclusão das apurações, que ainda estão em andamento. A nomeação de Perillo de volta à empresa, e ainda num cargo estratégico, passando por cima do CA da companhia e da palavra do ministro, teve ampla repercussão em Brasília, entre os próprios membros do PT, que se mostraram preocupados, e dentro da própria empresa. Uma dessas lideranças petistas, o deputado federal e ex-prefeito de Maricá, Washington Quaquá, se disse “preocupado” com a nomeação. Irritado, ele advertiu para o “risco de um potencial escândalo atingir o partido e o presidente Lula. Já Alertei o ministro Alexandre Silveira.”

Segundo Quaquá, a indicação de Telles ocorreu por um pedido da ala fluminense do partido ligada ao líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (foto à esquerda, de terno), e ao secretário de Assuntos Parlamentares do Planalto, André Ceciliano (foto à esquerda, de branco). “É preciso ter cuidado com as nomeações e aprender a ouvir mais quem defende o PT e o governo do presidente Lula nos estados. A articulação política do governo hoje virou um comitê de Lindbergh e Ceciliano. Eles estão indicando pessoas para cargos que vão dar problemas para o governo. Eu não tenho nenhum cargo no governo Lula e nem quero ter, mas vou brigar com quem for para proteger o presidente e o PT”.
Internamente na empresa houve muito disse me disse. A ponto da Ouvidoria da empresa receber uma denúncia na sexta-feira(16), solicitando a anulação da nomeação e a instauração de auditoria pela Corregedoria do MME para apurar o descumprimento do Ofício 501/2025, que afastou formalmente Marcelo Perillo. O documento entregue a Ouvidoria diz que:
“ A atual gestão da NUCLEP, sob a presidência de Adeilson Ribeiro Telles(direita), apresenta graves riscos a integridade da Administração Pública. Telles
foi investigado e preso na Operação Rizoma (fraude nos fundos Postalis/Serpros), sob jurisdição da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
Sob sua presidência, foi nomeado para a Chefia de Gabinete o Sr. Marcelo Andreetto Perillo, réu na Operação Greenfield (Processo n° 1030131-91.2019.4.01.3400 – 10ª Vara Federal/DF). Ressalte-se que Perillo fora exonerado de diretoria estatutária meses antes por ordem do MME devido à sua ficha criminal, sendo agora “abrigado” na Chefia de Gabinete para burlar tal restrição.
Violações Legais: 1. Lei 13.303/2016, Art. 17: Falta de reputação ilibada para o exercício de cargos de gestão e confiança em estatal.
2. Lei 8.429/1992 (LIA): Ato de improbidade administrativa por desvio de finalidade.
Reporto grave irregularidade administrativa na NUCLEP. Em 17 de outubro de 2025, o Conselho de Administração (CONSAD), atendendo à ordem do Ministro de Minas e Energia (Ofício n.° 501/2025/GM-MME), destituiu Marcelo Andreetto Perillo do cargo de Diretor Administrativo. No entanto, o novo Presidente da companhia, Adeilson Ribeiro Telles, procedeu com a renomeação de Marcelo Perillo para o cargo de Chefe de Gabinete.
Esta manobra configura desvio de finalidade, pois utiliza um cargo de confiança para manter na estrutura de poder um agente que o próprio Ministério considerou inapto. Além disso, a idoneidade do nomeador, Adeilson Telles, é questionável, dado seu histórico de prisão na Operação Rizoma (7ª Vara Federal Criminal do RJ), o que afronta o Art.
17 da Lei 13.303/2016.

A nomeação de uma nova liderança na empresa causou incômodo nos funcionários, que encaminharam uma denúncia à Ouvidoria
Diante do exposto, torna-se inaceitável que uma empresa estratégica para o Programa Nuclear Brasileiro e para a Soberania Nacional seja gerida por indivíduos com históricos documentados de envolvimento em fraudes financeiras e operações de combate à corrupção.
A nomeação de um Presidente com histórico de prisão e a ‘reacomodação’ de um Diretor destituído para um cargo de assessoria direta configuram um cenário de captura institucional da NUCLEP, em total desrespeito à Lei das Estatais e à autoridade do Ministério de Minas e Energia. Requer-se a imediata fiscalização destes atos, a suspensão das nomeações e a responsabilização dos membros do Conselho de Administração que, por omissão ou conluio, permitiram tal degradação da governança pública.
Pleito: Requer-se a este Ministério Público e ao Tribunal de Contas a fiscalização da legalidade das posses de Adeilson Ribeiro Telles e Marcelo Perillo, bem como a determinação de seu afastamento imediato para preservar o patrimônio da estatal e a moralidade administrativa.
Pedido: Solicito a anulação da nomeação e a instauração de auditoria pela Corregedoria do MME para apurar o descumprimento do
Ofício 501/2025.”
Se Marcelo Perillo tem um alvo em suas costas, Adeilson também não fica muito para trás. Ele foi preso em abril de 2018 em uma ação de da Operação Lava Jato no Rio que apurou um esquema de fraude de fundos de pensão. Os policiais apuraram que a ação criminosa gerou aproximadamente R$ 20 milhões em propina. Os valores eram enviados para empresas no exterior. Uma decisão do Ministro Gilmar Mendes soltou Adeilson Telles um mês depois da prisão e, assim como outros processos da Lava Jato, foi arquivado.
O desconforto dentro do governo é notório, principalmente com Adeilson que simplesmente ignorou um ato ministerial e deu de ombros para uma decisão do próprio Conselho de Administração da Companhia. Para lembrar, Marcelo Perillo responde a 19 processos judiciais, presta contas ao Tribunal de Contas da União (TCU) e teve seu nome associado à Operação Greenfield, que investigou esquemas de investimentos suspeitos em grandes fundos de pensão, como Petros e Postalis. A sua trajetória registra até uma prisão, ocorrida em março de 2018, no âmbito da Operação Rizoma, que investigou o desvio de recursos de fundos de pensão. As nomeações revelam uma disputa de poder dentro do governo e deixa a campanha de Lula com mais uma vidraça novinha para a oposição jogar pedras, além dos prejuízos bilionários das estatais, da agenda fiscal, do escândalo do INSS, envolvendo o próprio filho do presidente e até mesmo as consequências do Banco Master que podem revelar outros envolvimentos de autoridades do governo e do PT.

publicada em 19 de janeiro de 2026 às 11:00 







