APÓS EXPANDIR NEGÓCIOS EM 2025, COGECOM PROJETA CRESCIMENTO DE 35% NA BASE DE COOPERADOS EM 2026
Apesar dos desafios enfrentados em 2025, tanto no âmbito regulatório quanto operacional, a cooperativa de energia Cogecom encerrou o período com crescimento de 40% e uma base superior a 60 mil unidades consumidoras. “Em 2025, reforçamos nossa base e, embora o foco no B2C tenha se mostrado interessante, entendemos que o B2B continua sendo um cliente estratégico, embora muito assediado pela concorrência”, afirmou o gerente comercial da cooperativa, Jean Rafael Fontes, nosso entrevistado desta segunda-feira (19). Segundo o executivo, além da expansão da base de cooperados, a Cogecom avançou no campo tecnológico com o desenvolvimento de plataformas próprias para a área comercial, o que trouxe maior agilidade e precisão aos processos internos. Para 2026, a cooperativa projeta um crescimento adicional de 35%, com foco no fortalecimento de parcerias e na simplificação da entrada de novos clientes. “Em 2025, alcançar os 40% de crescimento foi uma luta gigantesca, dadas as dificuldades operacionais que enfrentamos em alguns estados. No entanto, acreditamos que é plenamente alcançável porque nossa base é muito forte”, afirmou.
Poderia começar fazendo um balanço de como foi o ano de 2025 para a Cogecom e o crescimento conquistado pela cooperativa?
O ano de 2025 foi repleto de desafios, tanto no âmbito regulatório quanto operacional. Enfrentamos movimentações de mercado que afetaram todos os players do segmento — com projetos de lei que trouxeram incertezas e a abertura do mercado livre de energia. Embora essa abertura não afete diretamente o produto de geração distribuída, ela atraiu grandes empresas para o setor. Além disso, houve questões relacionadas à tarifação e outros movimentos regulatórios que geraram dúvidas tanto para proprietários de usinas quanto para consumidores.
Apesar disso, a Cogecom tem oito anos de história e já passou por diversas situações similares sem se abalar. Pelo contrário. Crescemos todos os anos, independentemente do cenário político, graças à nossa estruturação, equipes capacitadas e investimento pesado em softwares e plataformas próprias de processamento. Em 2025, reforçamos nossa base e, embora o foco no B2C tenha se mostrado interessante, entendemos que o B2B continua sendo um cliente estratégico, embora muito assediado pela concorrência. Fechamos o ano com um ecossistema de negócios fortalecido, alcançando o crescimento projetado de 40% e trazendo novas soluções para nossos cooperados.
Quais são os principais desafios no mercado atualmente?
O principal desafio da geração distribuída, além da parte operacional, é se tornar conhecida. Hoje, a maioria dos usuários de baixa tensão ainda é atendida pelas concessionárias locais. Precisamos fortalecer a marca da geração distribuída e educar o mercado sobre a segurança e os benefícios desse produto.
No aspecto operacional, o processamento ainda é um grande desafio. Embora algumas concessionárias tenham evoluído, muitas ainda apresentam dificuldades em lidar com o volume de dados da geração distribuída. Temos casos de grandes estados onde há apenas um agente para processar todas as listas de geração distribuída dentro da área de concessão, o que gera gargalos e problemas operacionais. Por isso, criamos um setor de relacionamento institucional que trata diretamente com esses agentes para dar fluidez ao processo. Importante ainda mencionar os desafios da rede de distribuição, que ficaram muito nítidos durante o último ano — apagões, trava de conexão de usinas, inversão de fluxo, entre outros.
Em contrapartida, 2025 foi um ano de grandes conquistas tecnológicas para a Cogecom. Desenvolvemos e implementamos plataformas próprias de billing e para a parte comercial. Hoje, rodamos com nosso sistema desenvolvido internamente, atendendo quase 60 mil unidades consumidoras com uma ferramenta que entende as especificidades da geração distribuída. Isso nos dá agilidade para adaptar o sistema a mudanças regulatórias sem depender de terceiros.
Como a abertura do mercado livre de energia e as recentes medidas regulatórias impactam a Cogecom?
A abertura do mercado é um tema polêmico, mas necessário. Vemos essa possibilidade como algo fantástico, pois traz a liberdade de compra para o consumidor, o que é positivo para nós. No entanto, o grande desafio recai na parte processual. Ainda existem muitas incertezas sobre como isso será operacionalizado em termos de documentação e distribuição. Há questões sobre como serão tratados os PPAs (Power Purchase Agreements), que possuem preços e condições comerciais específicas, e de onde virá a energia para alimentar esse novo cliente, a que preço, e como tudo isso afetará a geração distribuída.
Entendemos a abertura como algo positivo. Porém, as incertezas processuais persistem. É fundamental que o tema seja debatido com quem opera o sistema para medir riscos e mitigar danos. A Cogecom preza muito por isso e participa de diversos conselhos e debates que buscam organizar essa transição da melhor maneira possível.
Sem dúvida, é um produto novo com novos concorrentes, o que força o mercado a melhorar a comunicação, os produtos e a buscar preços mais competitivos. O consumidor ganha ao adquirir energia de forma variada e barata. No nosso segmento, embora a concorrência aumente, a geração distribuída continua sendo muito proveitosa e mantém margens sólidas, especialmente para usinas que já passaram pelo processo homologatório anterior. Estamos empolgados com a abertura, esperando apenas que ela ocorra de forma organizada, evitando o “caos” operacional ou situações controversas, como a possibilidade de alteração de tarifa compulsória pelo agente fiscalizador — algo que, felizmente, foi vetado. Em suma, o balanço é muito positivo.
Qual é a estratégia da Cogecom para 2026 para expandir a base e fidelizar os clientes?
O foco central é reforçar o ecossistema que criamos no último ano. A ideia é que nossos parceiros comerciais, investidores e consumidores não apenas utilizem o serviço, mas interajam e gerem negócios entre si. Vamos fortalecer e incentivar esse ecossistema da cooperativa por meio de eventos, reuniões e conexões comerciais para tratar desses temas.
Trabalharemos as parcerias comerciais com ainda mais força em 2026, mas o diferencial será a abordagem sistêmica para facilitar a educação e a entrada do novo cliente. Queremos que a visualização do produto seja simples, por isso estamos criando sistemas de pagamento diferenciados para a energia compensada, facilitando tanto o reembolso quanto a própria adesão do cooperado. O objetivo é que ele consiga ler e entender tudo o que está ocorrendo de forma clara.
Em resumo, queremos simplificar e facilitar a vida do cliente. Nosso papel é mostrar que ele pode contribuir para o meio ambiente e para um ecossistema onde ele fomenta negócios no seu próprio município, já que ali existem investidores locais. No fim das contas, entregamos facilidade, economia e uma energia mais sustentável e barata.
Para encerrar, quais são as metas de crescimento da cooperativa para este ano?
Para este ano, temos uma meta de crescimento calculada em 35% sobre a nossa base atual de 60 mil unidades consumidoras. É um desafio considerável, especialmente vindo de um ano como o anterior. Em 2025, alcançar os 40% de crescimento foi uma luta gigantesca, dadas as dificuldades operacionais que enfrentamos em alguns estados. No entanto, acreditamos que é plenamente alcançável porque nossa base é muito forte.

publicada em 19 de janeiro de 2026 às 5:00 




