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QUASE 90% DAS RESERVAS DE PETRÓLEO DO EQUADOR ESTÃO DENTRO DA AMAZÔNIA COM RISCOS GRAVES DE ACIDENTES AMBIENTAIS

Dados do Instituto Ambiental de Estocolmo (SEI), da Suécia, estão revelando que os blocos de petróleo e gás do Equador cobrem um quarto do país,  principalmente na região da Amazônia equatoriana. O Equador possui 65 blocos de concessão para exploração de petróleo e gás, 88% dos quais dentro Amazônia, abrangendo um quarto da área total do país. Muitos dos blocos de concessão se sobrepõem a diversos territórios indígenas, incluindo a Zona Intangível Cuyabeno-Imuya, lar de 11 comunidades indígenas das nações Secoya, Siona, Cofán, Kichwa e Shuar. As concessões de petróleo e gás também se sobrepõem a outras comunidades indígenas Shuar nas províncias de Pastaza e Morona Santiago, entre outras.

O conjunto de dados do SEI também mostra blocos de concessão sobrepostos a áreas protegidas, incluindo o lado oeste do Parque Nacional Yasuní. Em um referendo histórico de 2023,  mais de 5,2 milhões de equatorianos votaram pela suspensão de todas as perfurações de petróleo, atuais e futuras, no parque. A Reserva Ecológica Cofán-Bermejo (RECB) e a Reserva Cuyabeno, ambas com grande diversidade de vida selvagem, também abrigam blocos ativos de produção de petróleo e gás, de acordo com os dados. Em conjunto, os blocos abrangem 7 milhões de hectares, um quarto da área total do Equador.

Alexandra Almeida, presidente da organização ambiental equatoriana Acción Ecológica, disse que os produtos químicos usados ​​na produção de petróleo são altamente tóxicos tanto para o meio ambiente quanto para a saúde humana. “Muitos deles são liberados no meio ambiente sem nenhum tratamento, contaminando a água e o solo“, afirmou.  De acordo com os dados, alguns blocos de concessão situam-se ao longo de falhas sísmicas ativas, o que aumenta o risco de deslizamentos de terra e danos a oleodutos e poços. Em abril de 2020, a atividade sísmica e os deslizamentos de terra causaram o rompimento do Sistema de Oleodutos Trans-Equatoriano (SOTE).

Como resultado, mais de 15.000 barris de petróleo vazaram para o Rio Coca, afetando  mais de 27 mil indígenas.  Em março de 2025, uma ruptura   no oleoduto SOTE liberou 25.000 barris de petróleo, que poluíram três rios, mataram animais selvagens e afetaram mais de 5.000 pessoas na província de Esmeraldas, no noroeste  do país, uma região muito pobre. Quase um ano depois, o meio ambiente e a população local continuam a sentir os impactos, disse Almeida. De acordo com nosso monitoramento, ainda há contaminação.  Os rios não podem ser usados. Os peixes estão contaminados porque as substâncias tóxicas e entram na cadeia alimentar. Elas se bioacumulam.”

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