DEPOIS DE LEVAR UM PUXÃO DE ORELHAS DELCY RODRIGUES ANUNCIOU A PRIMEIRA EXPORTAÇÃO DE GÁS DA VENEZUELA PARA A AMÉRICA
As frases de efeito têm marcado a relação dos Estados Unidos e da Venezuela. A presidente interina, Delcy Rodrigues, que ficou no lugar do ditador sanguinário Nicolás Maduro, capturado pelas forças militares dos Estados Unidos, em um discurso para petroleiros da PDVSA no interior do país, chegou a dizer que “estava farta das ordens de Washington.” Dois dias depois, recebeu uma mensagem direta do Secretário de Estado, Marco Rubio, de que ela poderia ter o mesmo destino do ditador Maduro. Foi um puxão de orelhas bem compreendido por ela. Ou seja, prisão e deportação para os Estados Unidos, caso se alinhe ao estilo Maduro. Mais dois dias se passaram e ela anunciou uma Anistia Ampla e Geral, mas restrita apenas para casos de tráfico de drogas, estupros, corrupção e crimes hediondos. Com isso, mandou soltar todos os presos políticos no país. Em paralelo, informou que a Assembleia Nacional da Venezuela, comandada por seu irmão, Jorge Rodriguez, aprovou por unanimidade uma reforma parcial da Lei de Hidrocarbonetos Orgânicos que flexibiliza as regulamentações no setor petrolífero e busca atrair investimentos privados e estrangeiros para a principal indústria do país. A presidente interina da Venezuela sancionou o projeto de lei aprovado e o saudou. “Os venezuelanos estão felizes por estarem aqui, por terem assinado esta lei para que essas grandes reservas de petróleo sejam finalmente e para sempre a alegria do nosso povo.“
Na tarde deste domingo (1), Delcy Rodríguez anunciou, em uma publicação em seu canal no Telegram, que o primeiro carregamento de gás liquefeito de petróleo do país
havia sido exportado. O anúncio ocorreu quase um mês depois de o presidente Donald Trump ter ordenado uma operação militar do dia 3 de janeiro. Rodriguez afirmou que o navio, o Chrysopigi Lady, havia partido da Venezuela “com o primeiro carregamento de gás liquefeito de petróleo”. O navio, com bandeira de Singapura, partiu de um porto no norte da Venezuela na noite de 1º de fevereiro, com previsão de chegada em Providence, Rhode Island, de acordo com o site marinetraffic.com. “É com orgulho que compartilho este momento: o navio Chrysopigi Lady zarpou da Venezuela com o primeiro carregamento de Gás Liquefeito de Petróleo. Estamos celebrando este marco histórico com a exportação da primeira molécula de gás do país; uma conquista para o bem-estar do povo venezuelano.”
A ATUAÇÃO DA EXXON
O CEO da Exxon, Darren Woods, afirmou que a Venezuela precisa de uma transição para a democracia para que o investimento em petróleo faça sentido. O presidente Trump está pressionando as empresas petrolíferas a investirem pelo menos US$ 100 bilhões na Venezuela para reconstruir a indústria petrolífera do país, após os EUA terem capturado Nicolás Maduro no dia 3 de janeiro. Woods disse a Trump na Casa Branca, que a Venezuela é “inviável para investimentos” em seu estado atual. A avaliação direta do CEO da Exxon não deixou o presidente americano contente, chegando a dizer que poderia excluir a gigante petrolífera de qualquer investimento futuro no país. Woods manteve sua avaliação em uma entrevista neste final de semana. Ele afirmou que o governo em Caracas precisa implementar reformas profundas para que a Exxon considere seriamente retornar à Venezuela. “Essas prioridades começam com uma: estabilizar o país. Em segundo lugar, é preciso impulsionar a economia e tentar recuperar parte dos danos causados pelas décadas de abusos perpetrados pelos ditadores, e, por fim, fazer a transição para um governo representativo.”
O governo Trump não apresentou um plano claro para a Venezuela realizar eleições e fazer a transição para um governo democrático. Altos funcionários do governo
afirmaram que estão focados, neste momento, em estabilizar o país e melhorar sua economia por meio da venda de petróleo. Os Estados Unidos têm trabalhado com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, uma figura de longa data no regime autoritário construído pelo ex-presidente Hugo Chávez. Essa cooperação com Rodríguez gerou preocupação entre alguns observadores, que temem que o atual regime possa se manter no poder enquanto atender às exigências do governo Trump em relação ao petróleo.
A Exxon deixou a Venezuela em 2007, após seus ativos terem sido confiscados pelol regime de Chavez. A empresa possui bilhões de dólares em dívidas pendentes contra Caracas, referentes à nacionalização. “Francamente, da nossa perspectiva, existe um princípio que defendemos: se você não respeitar a integridade dos contratos, se optar por desviar os investimentos que fizemos e minar o trabalho que temos desenvolvido, não podemos continuar a trabalhar com você.” Trump disse aos CEOs da indústria petrolífera, em reunião na Casa Branca, que seu governo não planeja forçar a Venezuela a cumprir as reivindicações da nacionalização de 2007. “Não vamos olhar para o que as pessoas perderam no passado, porque a culpa foi delas. Aquele era um presidente diferente. Vocês vão ganhar muito dinheiro, mas não vamos voltar atrás.” A Venezuela, membro fundador da OPEP, é considerada detentora das maiores reservas de petróleo bruto do mundo, mas sua infraestrutura energética encontra-se em estado precário.

publicada em 2 de fevereiro de 2026 às 18:00 




