EM NOVO PASSO PARA RETOMADA DO SETOR NUCLEAR, JAPÃO REINICIA A MAIOR CENTRAL NUCLEAR DO MUNDO APÓS 14 ANOS
Um novo passo do Japão rumo ao renascimento de sua indústria de geração de energia nuclear. A Tokyo Electric Power Company reiniciou a unidade 6 da usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, na província de Niigata, no Japão. A empresa pretende retomar a operação comercial do reator em 18 de março. Com potência de 1356 MWe, o reator estava inativo há quase 14 anos e foi reiniciado às 14h (horário local) desta segunda-feira (9). A criticidade – estado em que as reações de fissão nuclear ocorrem continuamente – foi confirmada às 15h20. Kashiwazaki-Kariwa é a maior usina nuclear do mundo, com capacidade líquida de 7.965 MW.
A Tepco afirmou que planeja aumentar gradualmente a pressão interna do reator após a reinicialização e retomar a geração e transmissão de energia em 16 de fevereiro. Em seguida, interromperá temporariamente a operação do reator em 20 de fevereiro ou posteriormente para verificar possíveis anormalidades, antes de realizar uma inspeção final e obter a confirmação da Autoridade de Regulação Nuclear. A unidade está programada para retornar à operação comercial em 18 de março.
“Continuaremos a confirmar a integridade dos equipamentos da usina durante a operação com vapor e responderemos diligentemente à inspeção da Autoridade de Regulação Nuclear“, afirmou a Tepco. “Como esta será a primeira operação em aproximadamente 14 anos, verificaremos cuidadosamente a integridade de cada componente do equipamento da usina, tomaremos as medidas cabíveis caso identifiquemos algum problema e forneceremos informações detalhadas sobre o andamento de cada etapa do processo de inicialização“, acrescentou.
Assim que o reator retornar à operação comercial, será a primeira unidade da Tepco a retomar as operações desde o acidente na usina de Fukushima Daiichi. A usina de Kashiwazaki-Kariwa, composta por sete unidades, não foi afetada pelo terremoto e tsunami de março de 2011 que danificaram a usina de Fukushima Daiichi da Tepco, embora os reatores da usina tenham permanecido desligados por até três anos após o terremoto de Niigata-Chuetsu em 2007, que causou danos ao local, mas não aos próprios reatores. Enquanto as unidades estavam desligadas, foram realizados trabalhos para melhorar a resistência da usina a terremotos. Todas as unidades permanecem desligadas desde o acidente de Fukushima Daiichi.
A Tepco já havia realizado uma primeira tentativa de reiniciar o reator 6 na noite de 21 de janeiro. No entanto, pouco depois da meia-noite de 22 de janeiro, “um alarme foi acionado no sistema de monitoramento da operação das barras de controle durante a operação de retirada de uma das barras, o que levou à suspensão da operação“. A reinicialização da unidade foi posteriormente suspensa enquanto se investigava a causa do alarme.
O governador da província de Niigata, no Japão, Hideyo Hanazumi, aprovou a retomada das operações das unidades 6 e 7 de Kashiwazaki-Kariwa em novembro do ano passado, decisão que foi ratificada pela Assembleia da Província em dezembro. Antes do acidente de março de 2011 na usina de Fukushima Daiichi, os 54 reatores do Japão forneciam cerca de 30% da eletricidade do país. No entanto, em 14 meses após o acidente, a geração de energia nuclear no país foi paralisada até que uma mudança na regulamentação fosse implementada. Desde então, 14 reatores retomaram gradualmente suas operações.

publicada em 9 de fevereiro de 2026 às 19:00 




