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INDÚSTRIA VENEZUELANA DE PETRÓLEO NÃO VÊ PERSPECTIVAS DE CRESCIMENTO SE EMPRESAS AMERICANAS NÃO INVESTIREM NO PAÍS

O mercado internacional do petróleo tem muitos segredos, muitas nuances e ainda mais detalhes, que só não passam desapercebidos por aqueles que militam diariamente acompanhando o movimento global, desejos e intenções dos que que realmente comandam toda banda. Aqueles que estão de posse de todas as informações. As empresas de energia sofreram uma pressão significativa no último ano, com o aumento da produção da OPEP, o que levou à queda dos preços do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTC) para US$ 62 por barril, um número abaixo dos custos de produção na Bacia Permiana, no Texas, por exemplo.  Como resultado, muitos acreditam que a próxima grande aposta será a Venezuela, rica em recursos naturais e detentora de reservas de petróleo, as maiores do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris, mesmo que sejam de qualidade inferior. Uma coisa os venezuelanos tem certeza: sem investimentos reais de empresas petrolíferas americanas, não haverá retomada da produção de petróleo no país.

Mesmo com estas reservas, a produção máxima da Venezuela totalizou  3,75 milhões de barris por dia, no auge de sua produção.   Em 2025, a previsão era de apenas cerca de  800 mil barris por dia, mas que já esteve em 350 mil barris em 2020. Resultado de um trabalho ruim, péssimo mesmo de um governo comunista e ligado ao narcotráfico, desde a época do ditador Hugo Chavez e que piorou com a entrada do sanguinário Nicolás Maduro. O fascínio de explorar tanto petróleo deveria deixar as grandes petrolíferas ansiosas para investir, mas décadas de promessas não cumpridas significaram que os CEOs estavam bem  longe de estar dispostos a comprometer os bilhões de dólares necessários para reformar a infraestrutura obsoleta da Venezuela. E neste caso,  incluindo o CEO da ConocoPhillips, Ryan Lance, que abordou o assunto diretamente, redefinindo as expectativas de uma rápida expansão por parte de sua empresa: “Estamos bastante focados no que já discutimos antes, que é encontrar uma forma de recuperar as operações da Citgo na Venezuela. Essa é a nossa prioridade número um no momento.”

Assim como muitas outras grandes empresas petrolíferas, a ConocoPhillips sofreu prejuízos com a nacionalização das reservas de petróleo da Venezuela, e as apreensões deixaram a empresa com um débito de pelo menos US$ 10 bilhões, incluindo juros, após uma decisão Tribunal Internacional de Arbitragem, em   2019. A Venezuela deve à ConocoPhillips mais do que a qualquer outra pessoa por suas operações passadas no país, pois se recusou a aceitar uma participação minoritária em seus ativos quando Hugo Chávez os confiscou em 2007. A ExxonMobil  também recusou o acordo, enquanto  a Chevron  aceitou os termos e é considerada a maior beneficiária da captura e remoção de Maduro e da futura Venezuela.

Veja quais foram os Projetos da  ConocoPhillips confiscados pela Venezuela

  • Petrozuata(direita): Projeto petróleo bruto  extrapesado na Faixa do Orinoco. Mais de US$ 2,4 bilhões foram investidos em sua construção, com uma produção diária estimada em 120 mil barris;
  • Hamaca: Projeto de petróleo bruto extrapesado de 160.000 acres na Faixa do Orinoco. O projeto custou um total de US$ 3,8 bilhões, com uma produção estimada de 190 mil barris por dia. A ConocoPhillips detinha uma participação de 40%.
  • Corocoro:  Um grande projeto de desenvolvimento de petróleo leve em alto-mar, no Golfo de Paria, foi descoberto no início de 1999 e estima-se que contenha 500 milhões de barris de reservas de petróleo. A ConocoPhillips detinha uma participação de 32,5%.

Ryan destacou três mudanças importantes que precisam acontecer para viabilizar a participação na Venezuela:

  • A segurança precisa ser aprimorada.
  • É preciso fortalecer as relações construtivas com os governos locais e com as pessoas da região que realmente querem empresas americanas por lá.
  • Políticas duradouras: É preciso durabilidade tanto na Venezuela quanto, claramente,  no lado americano.

O Presidente Trump tentou convencer o CEO da ExxonMobil, Darren Woods, a  voltar a investir na Venezuela

Até o momento, as garantias da Casa Branca em relação a essas demandas têm sido tímidas, apesar do apelo por investimentos de até US$ 100 bilhões para compensar anos de subinvestimento na Venezuela, segundo a empresa. O presidente Donald Trump sugeriu que as forças armadas dos EUA forneceriam segurança, mas assinou a Ordem Executiva 14373   em janeiro, impedindo efetivamente as empresas petrolíferas de recuperarem fundos da receita do petróleo venezuelano mantidos em contas nos EUA, incluindo algum dinheiro mantido no Catar.

A ligação da ConocoPhillips com a CITGO

Uma das maneiras pelas quais a ConocoPhillips tem tentado recuperar os bilhões que a Venezuela lhe deve é ​​através do leilão da gigante petrolífera CITGO, uma subsidiária americana da companhia petrolífera nacional venezuelana, a PDVSA. As apreensões de petróleo em 2007 resultaram na perda de 16 milhões de barris de óleo equivalente da produção venezuelana de 2007 para ConocoPhillips   e 1,089 bilhão de BOE em perdas totais em reservas. Em novembro passado, um oficial nomeado pelo tribunal recomendou a venda da CITGO  para a Amber Energy (uma afiliada da Elliott Investment Management ) por US$ 5,9 bilhões. A ConocoPhillips é detentora de crédito prioritário; no entanto, o total de créditos ultrapassa US$ 21 bilhões. Portanto, qualquer valor recebido com a venda ficará muito aquém do que lhe é devido.

A Chevron

A Chevron continuou operando na Venezuela como acionista minoritária e está em melhor posição para capitalizar na exploração das vastas reservas do país. Atualmente, a empresa participa de um conjunto de ativos valiosos, e a remoção das restrições deverá permitir que ela retome rapidamente os níveis de produção que tinham antes da imposição dessas restrições.

Projetos da Chevron na Venezuela: A Chevron produzia mais de 200.000 barris por dia na Venezuela, mas esse número caiu para menos de 100.000 quando os EUA impuseram restrições à exportação. A Chevron está presente na Venezuela há mais de um século. O CEO da companhia, Michael Wirth,  acredita que o país tem potencial para aumentar ainda mais os volumes de produção em até 50% nos próximos 18 a 24 meses.

  • Petroboscán:  Participação de 39,2% no Campo Boscano;
  • Petroindependiente:  participação de 25,2% no  campo  no Lago de Maracaibo;
  • Petropiar:  Participação de 30% no Campo de Huyapari, localizado na Faixa do Orinoco, rica em petróleo pesado;
  • Petroindependencia: Participação de 34% no Projeto Carabobo 3 na área de Carabobo do Cinturão do Orinoco (petróleo extrapesado);
  • Ioran:  60% de participação offshore no campo de Loran
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