BRASOL APOSTA EM BATERIAS PARA ATENDER AO SETOR HOTELEIRO E PREPARA PROJETOS PARA O LEILÃO DE RESERVA DE CAPACIDADE
A Brasol diversificou sua oferta de soluções de armazenamento de energia por baterias (BESS, na sigla em inglês) e passou a direcionar o modelo “as a service” ao setor hoteleiro, apostando em um segmento marcado por consumo elevado no horário de ponta e necessidade de confiabilidade no fornecimento. Assim como outros consumidores comerciais e industriais, hotéis estão frequentemente expostos a tarifas mais altas no período noturno, quando ocorre um dos principais picos de demanda, com uso intensivo de climatização, iluminação e demais serviços. Segundo Diogo Zaverucha, diretor de BESS da Brasol, essa combinação foi determinante para a estratégia da companhia. “Nesse contexto, sistemas de armazenamento como os oferecidos pela Brasol atuam em duas frentes simultâneas: reduzem o custo da conta por meio da arbitragem tarifária e do deslocamento de carga do horário de ponta, e ao mesmo tempo garantem segurança energética em caso de falhas da concessionária, de forma limpa, silenciosa e sem a complexidade operacional associada ao diesel”, explicou. Além do setor hoteleiro, a empresa mantém indústria, data centers e agronegócio no radar, dentro de uma estratégia mais ampla de posicionamento no mercado de armazenamento. No segmento centralizado, a Brasol afirma estar preparada para o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026), que será realizado neste mês. “A Brasol vem estruturando seu portfólio e sua equipe para esse movimento há pelo menos dois anos. Desenvolvemos um pipeline robusto de projetos que participarão do leilão com elevada competitividade técnica e econômica”, acrescenta Zaverucha.
Por que o setor hoteleiro passou a ser estratégico para a Brasol dentro da vertical de armazenamento? Em que momento houve o interesse pelo segmento?
Assim como outros consumidores comerciais e industriais, o setor hoteleiro está frequentemente exposto a tarifas de energia significativamente mais altas no horário de ponta (normalmente no período noturno ) em comparação ao horário fora ponta, durante o dia. E justamente nesse intervalo ocorre um dos principais picos de consumo dos hotéis, quando os hóspedes retornam aos quartos, utilizam climatização, iluminação e demais serviços.
Além disso, hotéis e resorts são altamente sensíveis à qualidade e à continuidade do fornecimento de energia. Qualquer interrupção impacta diretamente a experiência do cliente e a reputação do empreendimento. Por isso, muitos já operam com geradores a diesel como sistema de backup, o que implica custos operacionais elevados, ruído e emissões.
Foi a partir dessa combinação (alto consumo no horário mais caro e necessidade crítica de confiabilidade) que identificamos o setor hoteleiro como particularmente aderente ao nosso modelo de BESS as a Service, no qual a Brasol realiza o investimento e o cliente não precisa aportar capital.
Com o sistema de armazenamento, conseguimos oferecer duas frentes de valor simultâneas:
- Um backup limpo, silencioso e sustentável, substituindo ou complementando geradores a diesel;
- Redução do custo de energia por meio da arbitragem tarifária: a bateria carrega quando a energia é mais barata (fora ponta) e descarrega quando a tarifa está mais alta (ponta), diminuindo a exposição do hotel aos custos mais elevados.
Essa proposta tem gerado interesse crescente do setor, especialmente em um momento em que eficiência energética, previsibilidade de custos e compromissos ESG se tornaram estratégicos para a hotelaria.
Quais são os principais problemas energéticos enfrentados hoje por hotéis e resorts no Brasil?
Os principais desafios energéticos da hotelaria hoje estão concentrados em três frentes: custo elevado de energia, concentração de consumo no horário mais caro e necessidade de alta confiabilidade no fornecimento.
Grande parte dos hotéis está sujeita a tarifas significativamente mais altas no horário de ponta (normalmente no período noturno) que coincide justamente com o momento de maior demanda, quando os hóspedes retornam aos quartos, utilizam ar-condicionado, iluminação, chuveiros elétricos, cozinhas e áreas comuns. Essa sobreposição entre pico de consumo e tarifa mais elevada pressiona fortemente a fatura de energia.
Além disso, há a questão da estabilidade do fornecimento. Muitos empreendimentos, especialmente em regiões turísticas ou mais afastadas dos grandes centros, enfrentam oscilações ou interrupções no fornecimento pela distribuidora. Como a continuidade do serviço é crítica para a experiência do hóspede, os hotéis acabam recorrendo a geradores a diesel como solução de backup, o que envolve custos operacionais, manutenção, ruído e emissões de gases de efeito estufa.
Nesse contexto, sistemas de armazenamento como os oferecidos pela Brasol atuam em duas frentes simultâneas: reduzem o custo da conta por meio da arbitragem tarifária e do deslocamento de carga do horário de ponta, e ao mesmo tempo garantem segurança energética em caso de falhas da concessionária, de forma limpa, silenciosa e sem a complexidade operacional associada ao diesel.
Quais são os ganhos econômicos e operacionais para a rede hoteleira ao adotar os sistemas de armazenamento?
Os ganhos são tanto financeiros quanto operacionais, e começam pela redução da dependência do diesel.
Hoje, muitos hotéis utilizam geradores como solução de backup. Isso implica compra recorrente de combustível, logística, armazenamento, manutenção e emissões. Ao adotar sistemas de armazenamento, o hotel reduz ou até elimina essa dependência, diminuindo custos operacionais e simplificando a gestão energética, além de avançar em suas metas de sustentabilidade.
Do ponto de vista econômico, há um segundo ganho relevante: o que chamamos de deslocamento de ponta, time shifting ou arbitragem de energia. O funcionamento é simples e eficiente: a bateria carrega durante o dia, quando a tarifa da concessionária é mais barata, e descarrega à noite, no horário de ponta, quando a energia da concessionária é mais cara. Dessa forma, o hotel substitui consumo caro por energia previamente armazenada a um custo menor.
No modelo BESS as a Service, a Brasol realiza o investimento e permanece como proprietária do ativo, celebrando um contrato de longo prazo com o cliente. Estruturamos o projeto para que a mensalidade paga pelo hotel seja inferior à economia gerada na conta de energia. Em outras palavras, o cliente obtém redução garantida de custos e ainda conta com um sistema de backup limpo e silencioso, sem necessidade de investimento próprio.
Essa combinação de economia previsível, segurança energética e sustentabilidade tem sido decisiva para a adoção da tecnologia na hotelaria.
O sistema elétrico brasileiro deve demandar mais de 6 gigawatts (GW) de baterias até 2035, estimam o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035). Como a empresa está olhando para o futuro desse mercado no país?
A Brasol enxerga o armazenamento como um dos pilares estruturantes do sistema elétrico brasileiro nos próximos anos. Estamos totalmente preparados para oferecer soluções tecnicamente confiáveis e economicamente viáveis, tanto no mercado centralizado quanto no segmento distribuído.
Hoje já existe um descasamento relevante entre o pico de geração e o pico de consumo no Brasil. Com o crescimento acelerado das fontes renováveis intermitentes, especialmente solar e eólica, tanto centralizadas quanto distribuídas, o país passou a ter uma geração muito elevada durante o dia, justamente quando o consumo não está mais em seu nível máximo.
Por outro lado, o pico de consumo ocorre no período noturno, quando a geração solar é inexistente e a disponibilidade eólica não é suficiente. Esse desalinhamento entre oferta e demanda exige cada vez mais energia firme, disponível e, idealmente, limpa e sustentável durante a noite (horário de ponta).
Ao mesmo tempo, há limitações estruturais e ambientais para expansão de hidrelétricas e crescentes restrições ambientais e econômicas associadas à geração termelétrica. Nesse contexto, as baterias se tornam uma solução natural: permitem armazenar energia excedente durante o dia e disponibilizá-la no momento de maior necessidade, aumentando a segurança e a eficiência do sistema.
Esse movimento pode ocorrer de forma centralizada, por meio de mecanismos como o leilão de reserva de capacidade (LRCAP 2026), e também de forma distribuída, bom BESS atrás do medidor, junto a consumidores residenciais, comerciais e industriais.
A Brasol já possui produtos e estrutura para atuar em todas essas frentes e pretende ser uma das plataformas líderes no desenvolvimento do mercado de armazenamento no Brasil.
Além do setor hoteleiro, quais são as novas oportunidades de negócios mapeadas pela Brasol? Indústria e data centers estão no radar?
Sim, indústria e data centers estão no radar e fazem parte de uma estratégia mais ampla de posicionamento da Brasol no mercado de armazenamento.
No segmento centralizado, estamos altamente preparados para o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026). A Brasol vem estruturando seu portfólio e sua equipe para esse movimento há pelo menos dois anos. Desenvolvemos um pipeline robusto de projetos que participarão do leilão com elevada competitividade técnica e econômica.
Além disso, enxergamos oportunidades relevantes de armazenamento:
- Junto ao sistema de transmissão
- No sistema de distribuição
- Em parceria com comercializadoras
- E principalmente junto a consumidores finais
Dentro do universo de consumidores, o potencial é amplo.
Indústria pesada, como mineração e frigoríficos, busca não apenas redução de custos via arbitragem de energia, mas também melhoria na qualidade e estabilidade do fornecimento.
Outro nicho com forte potencial é o agronegócio. O setor enfrenta um crescimento significativo da demanda por energia, especialmente associado à expansão de áreas irrigadas por pivôs centrais. Muitos produtores estão localizados em regiões onde a distribuidora não possui capacidade para fornecer aumento de demanda. Nesses casos, a alternativa tradicional tem sido a geração a diesel.
Hoje, no entanto, já é economicamente mais viável, em muitos cenários, implantar microredes solares combinadas com baterias do que operar com diesel. Isso abre uma frente importante de crescimento para soluções híbridas, especialmente a partir de 2026.
A visão da Brasol é atuar de forma integrada nesses diferentes segmentos, combinando armazenamento centralizado e distribuído para capturar as diversas oportunidades que o mercado brasileiro começa a apresentar.

publicada em 4 de março de 2026 às 5:00 




