A DESTRUIÇÃO DE UM NOVO LOCAL DE DESENVOLVIMENTO DE ARMAS ATÔMICAS NO IRÃ NÃO CRIA RISCOS RADIOLÓGICOS, DIZ AGÊNCIA ATÔMICA
A maior parte da atenção da mídia global se concentra no enriquecimento de urânio, já que é a questão mais difícil de resolver e pode levar muitos anos para ser dominada. Mas, sem o desenvolvimento de diversos componentes para armas, o urânio enriquecido ão pode ser utilizado como arma. A campanha de bombardeio israelense e americano de junho do ano passado, destruiu dezenas de instalações de armas, essencialmente encerrando esse lado da moeda nuclear. O ataque desta madrugada é a primeira declaração pública feita pelas Forças de Defesa de Israel a respeito do novo progresso do Irã na reabilitação de aspectos de seu desenvolvimento de armas desde a Guerra dos Doze Dias, em junho de 2025.
O diretor geral Agência Internacional de Energia Atômica, o argentino, Rafael Grossi, disse que não há perigo radiológico após os ataques israelenses às instalações nucleares do Irã. Após os ataques aéreos israelenses contra instalações nucleares iranianas, a AIEA afirma que não houve danos às instalações que contêm material nuclear e que não há risco de liberação radiológica.

O Diretor-Geral da AIEA, Rafael Grossi, e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei
Ele disse que “não vê danos às instalações que contêm material nuclear no Irã e nenhum risco de liberação radiológica neste momento, com base nas imagens de satélite mais recentes disponíveis”. Os danos aparentemente visíveis foram observados em dois edifícios próximos à usina nuclear de Isfahan, no Irã, mas a AIEA informou que não houve danos às instalações que contêm material nuclear e que não há risco de liberação radiológica neste momento. Este relatório surge na sequência de alegações anteriores das Forças de Defesa de Israel (IDF) que destruíram as instalações de Min Zadai. Além disso, as instalações nucleares iranianas em Natanz teriam sido alvo novamente de operações militares conjuntas dos EUA e de Israel na segunda-feira(2).
OTAN ENTRA AÇÃO
Pela primeira vez a OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte – entrou em ação na guerra contra o Irã. O incidente foi durante o ataque de míssil iraniano contra a Turquia, membro da OTAN. O sistema de defesa aérea e antimíssil da OTAN, posicionados no Mediterrâneo Oriental, destruiu um míssil balístico disparado do Irã quando se dirigia para o espaço aéreo turco após passar pela Síria e pelo Iraque, informou o Ministério da Defesa da Turquia nesta quarta-feira (4). “Advertimos todas as partes a se absterem de ações que possam levar a uma maior escalada do conflito na região. Nesse contexto, continuaremos a consultar a OTAN e nossos outros aliados“, disse o ministério, acrescentando que não houve vítimas ou feridos.
“Todas as medidas necessárias para defender nosso território e espaço aéreo serão tomadas com firmeza e sem hesitação. Lembramos a todas as partes que nos reservamos o direito de responder a quaisquer ações hostis contra o nosso país”, acrescentou. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, transmitiu ao seu homólogo iraniano, Abbas Araqchi, o protesto de Ancara contra a entrada do míssil balístico no espaço aéreo turco durante uma chamada telefônica na quarta-feira, disse uma fonte diplomática turca. Durante a chamada, Fidan, também disse que quaisquer medidas que pudessem agravar ainda mais o conflito deveriam ser evitadas. A OTAN também condenou os ataques do Irã contra a Turquia, disse a porta-voz Allison Hart: “Condenamos os ataques do Irã contra a Turquia. A OTAN se solidariza firmemente com todos os seus aliados, incluindo a Turquia, enquanto o Irã continua seus ataques indiscriminados em toda a região. Nossa postura de dissuasão e defesa permanece forte em todos os domínios, inclusive no que diz respeito à defesa aérea e antimíssil.”
ATAQUES CONTRA ISRAEL
O Irã e o Hezbollah lançaram ondas de projéteis contra o centro e o norte de Israel em um ataque coordenado nesta quarta-feira (4). Por volta das 13h45, horário local, israelenses no centro do país receberam um alerta para se dirigirem a abrigos devido a um míssil vindo do Irã. No entanto, o canal de notícias N12 informou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) conseguiram abater o míssil fora da região central do país. Mas, minutos depois, sirenes soaram em toda a região central de Israel devido a um lançamento do Hezbollah. Em seguida, o Irã lançou outro míssil balístico, provocando uma nova onda de sirenes em Israel. Ele foi interceptado com sucesso. As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que vários drones lançados do Líbano durante o primeiro ataque foram todos interceptados com sucesso. Mais tarde, por volta das 14h30, horário local, o Líbano lançou outra saraivada de mísseis contra o centro de Israel. Não houve relatos de feridos no incidente, mas várias áreas do centro registraram queda de estilhaços. A polícia e equipes antibombas estão isolando as áreas.
FILHO DE ALI KHAMENEI
Ao longo do conflito, e mesmo desde o início de janeiro, o Mossad, o poderosíssimo serviço de inteligência de Israel, oficial e informalmente, tem incentivado os manifestantes iranianos a voltarem às ruas para protestar contra o regime. Ele publicou um vídeo nas redes sociais em farsi, a língua iraniana, com a mensagem principal de que o regime iraniano é como um castelo de cartas, prestes a desmoronar. No vídeo, o espectador vê os rostos dos principais líderes iranianos, cada um emoldurado em um cartão, que foram assassinados e são representados como uma metáfora para uma casa ou um baralho de cartas sendo derrubado em um efeito dominó.
Além disso, o Mossad pediu aos iranianos que tirassem fotos de explosões e ataques dentro do Irã para fornecer informações sobre os resultados dos ataques aéreos israelenses. Essas imagens vão servir para planejar futuros ataques. As informações da população iraniana mostram como este conflito é diferente dos anteriores, visto que serão fundamentais para qualquer esforço de derrubada do regime. O filho de Ali Khamenei, morto no primeiro dia de ataque (28/2), Mojtaba Khamenei sobreviveu até agora aos ataques contra o Irã e está prestes a se tornar o próximo líder supremo. Ele sobreviveu também no ataque contra um prédio onde a “Assembleia de Especialistas” iraniana, composta por 88 membros, estaria reunida para escolher o próximo líder supremo da República Islâmica. Agências de notícias iranianas disseram que a estrutura em Qom foi “arrasada”. Clérigo de posição intermediária com fortes laços com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, o linha-dura Mojtaba é uma das figuras mais influentes do clero iraniano. Há anos, ele é visto como um dos principais candidatos a suceder seu pai.

publicada em 4 de março de 2026 às 10:40 




