CUBA VIVE O DÉCIMO DIA CONSECUTIVO DE PROTESTOS EM VÁRIAS CIDADES E O AUMENTO DA REPRESSÃO DA DITADURA CASTRISTA
Os protestos tomaram conta de Cuba, apesar da forte repressão da ditadura de Miguel Diaz-Canel. O país entrou em seu décimo dia de protestos com mobilização policial e militar em diversas cidades. Manifestações com panelas batendo, barricadas improvisadas e queima de lixo são relatadas em bairros de Havana e outras áreas, enquanto ativistas denunciam prisões e a militarização de prédios governamentais. São dez dias consecutivos de protestos nesta segunda-feira (16) contra apagões, escassez de água e deterioração das condições de vida, com relatos de manifestações com panelas batendo, bloqueios de ruas e queima de lixo em vários locais, enquanto o
regime mobilizou forças policiais e militares ao redor de instituições governamentais. O jornalista cubano José Raúl Gallego (direita) relatou nas redes sociais que a noite de domingo começou com novas manifestações. “Décimo dia de protestos. E está começando cedo“, escreveu ele. Batidas de panelas e barricadas em Havana. Protestos foram ouvidos em vários bairros de Havana durante a noite de domingo e até as primeiras horas da manhã de segunda-feira.
A ativista Yanaisy Curbelo (esquerda) relatou “batidas de panelas em alto volume” no município de Diez de Octubre, no bairro de Luyanó. Protestos também foram relatados em Santos Suárez, onde, segundo Gallego, “há um protesto com batidas de panelas muito alto. De acordo com sua publicação, gritos de “Abaixo o comunismo” podiam ser ouvidos durante o protesto.
Em outra parte da capital, moradores do município de Cerro bloquearam uma avenida com baldes de água para exigir serviços básicos, segundo o jornalista Mario J. Pentón (de terno, à direita), que compartilhou o depoimento de um morador. De acordo com esse relato, os manifestantes protestavam contra mais de duas semanas de cortes de energia e vários dias sem água. “A eletricidade só funciona por duas horas por dia e a água está cortada há vários
dias”, disse o parente que enviou o vídeo, acrescentando que a cisterna de sua casa estava completamente vazia. Após o bloqueio da rua, chegaram patrulhas policiais e motocicletas do Departamento de Investigação Técnica (DTI), e os moradores exigiram o envio de um caminhão-pipa, segundo o depoimento.
Também foram relatados protestos perto de prédios do governo. Gallego relatou que manifestantes atearam fogo em lixo a poucos quarteirões do Ministério de Energia e Minas. Durante a noite, vários ativistas relataram uma forte mobilização de forças repressivas em diversas cidades do país. “Isso
acontece todas as noites, em toda Cuba. Carros de patrulha, caminhões e veículos das forças especiais com armas longas patrulham as ruas para intimidar a população“, relatou o jornalista. O líder da oposição José Daniel Ferrer, chefe da União Patriótica de Cuba (UNPACU), denunciou no jornal X uma “mobilização generalizada de forças repressivas” em Santiago de Cuba, Holguín, Morón, Ciego de Ávila e Havana. Segundo Ferrer, em Santiago de Cuba, policiais e funcionários do Ministério do
Interior estavam concentrados ao redor do Tribunal Provincial, da sede do Partido Comunista e de outras instituições estatais.
O membro da oposição também afirmou que três jovens foram levados para o Hospital Clínico-Cirúrgico Lucía Íñiguez, em Holguín, um deles com ferimentos que exigiram radiografias. “Um policial disse na frente das pessoas presentes que eles foram espancados por estarem na rua, porque a rua estava em tumulto“, denunciou Ferrer. Relatórios
de várias províncias também indicam a militarização de prédios governamentais. Em Guantánamo, a sede do Partido Comunista e o governo provincial foram cercados por patrulhas, bombeiros, policiais, forças especiais e agentes à paisana, segundo informações publicadas por Gallego.
Uma imagem compartilhada pelo jornalista também mostrou militares e civis mobilizados em frente à sede do Partido Comunista Provincial, em Sancti Spíritus. “Foto tirada esta noite em frente à sede provincial do PCC em Sancti Spíritus. Além dos militares, o regime mobilizou pessoal civil para usar contra cidadãos em qualquer tipo de confronto“, escreveu ele.
A PALAVRA DE DONALD TRUMP
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no domingo (15) que um acordo com o governo cubano poderia ser alcançado em breve e acrescentou que a atenção de
seu governo se concentrará na ilha assim que o conflito com o Irã terminar, informou a EFE. “Cuba também quer chegar a um acordo, e acho que chegaremos a um acordo muito em breve ou faremos o que for preciso“, disse. “Estamos conversando com Cuba, mas vamos lidar com o Irã antes de lidar com Cuba“, esclareceu. As declarações surgem em um momento de tensão crescente, após o governo dos EUA ter imposto um bloqueio às remessas de petróleo para o regime de Havana em janeiro e ter cortado o fornecimento de petróleo venezuelano após a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro. Posteriormente, os EUA anunciaram, por decreto, tarifas sobre os países que fornecem petróleo bruto a Havana.
Nas últimas semanas, Trump ameaçou assumir o controle da ilha, seja de forma “amigável” ou hostil, e afirmou repetidamente que o governo de Havana “cairá muito em breve” porque o país “está em ruínas”. Miguel Díaz-Canel confirmou que estão em curso negociações com os EUA para “buscar soluções por meio do diálogo para as diferenças entre os dois governos“, algo que Trump já havia insinuado, mas que o regime de Castro negava. Neste fim de semana, o Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou que o diálogo entre os governos cubano e americano não inclui assuntos internos, nem mudanças nos modelos políticos, econômicos ou sociais de nenhum dos países. Ele indicou que Havana está disposta a se engajar em um diálogo “sério e responsável” baseado no direito internacional e no respeito à soberania. O congressista cubano-americano Carlos Giménez respondeu à declaração de Rodríguez, afirmando que Cuba “não tem nada que os Estados Unidos queiram” e que, “sem uma profunda mudança sistêmica, a crise na ilha continuará.

publicada em 16 de março de 2026 às 14:00 





