APESAR DO CESSAR-FOGO NO IRÃ, VÁRIOS PAÍSES AINDA TERÃO QUE LIDAR COM AUMENTOS DE ATÉ 80% NOS CUSTOS DA ELETRICIDADE
O cessar-fogo de duas semanas na guerra do Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz devem trazer um alívio momentâneo nos preços do barril ao longo desta quarta-feira (7). Contudo, os efeitos severos causados pelo conflito, iniciado no final de fevereiro, ainda devem ser sentidos por algum tempo em vários países, como Japão, Coreia do Sul e Itália. Um novo relatório da Wood Mackenzie analisa como 13 mercados representativos de energia elétrica estão sendo afetados pela crise em curso, com o nível de exposição determinado principalmente pela matriz de geração e pela dependência de importação de combustíveis.
“Enquanto alguns mercados enfrentam aumentos significativos de custos e possíveis restrições de oferta, outros permanecem relativamente protegidos da volatilidade internacional dos combustíveis devido à dependência de fontes térmicas domésticas robustas ou a uma ampla base de energias renováveis”, afirmou Peter Obaldstone, diretor de pesquisa para o setor elétrico europeu da Wood Mackenzie.
No estudo, a Wood Mackenzie aponta que o Japão é o grande mercado elétrico mais exposto globalmente, com 64% da geração dependente de carvão e gás importados, seguido pela Coreia do Sul, com 56%, enquanto a Itália lidera na Europa, com 47%.
Na outra ponta, Estados Unidos e Brasil apresentam vulnerabilidade mínima, de zero a 1%. A matriz brasileira — com cerca de 80% de participação de fontes renováveis, principalmente hidrelétricas — reduz de forma significativa a dependência de combustíveis fósseis, enquanto a produção doméstica de gás natural e carvão nos EUA protege o setor elétrico da volatilidade internacional.
China e Índia, apesar de ainda dependerem de usinas a carvão, contam majoritariamente com suprimento doméstico, e apenas 5% a 6% da geração está exposta a interrupções em combustíveis importados, além do crescimento acelerado de renováveis nos últimos anos.
No cenário base da Wood Mackenzie — que considera uma desescalada geopolítica permitindo moderação nos preços dos combustíveis na segunda metade de 2026 — o custo médio de geração aumenta US$ 2,3/MWh nos 13 mercados analisados. Itália, Japão e Coreia do Sul registram os maiores impactos absolutos, com alta de US$ 4,3/MWh.
Já em um cenário de alta sensibilidade aos preços de combustíveis, em que os níveis elevados atuais persistem até 2026, os custos médios de geração sobem 26%, ou cerca de US$ 8,3/MWh. Os mercados mais expostos enfrentariam aumentos expressivos:
- Itália: US$ 22,4/MWh (alta de 80%)
- Japão: US$ 17,0/MWh (alta de 41%)
- Coreia do Sul: US$ 14,4/MWh (alta de 74%)
- Reino Unido: US$ 14,3/MWh (alta de 27%)
“Esses aumentos representam desafios relevantes de política pública, exigindo que governos e empresas equilibrem mecanismos de apoio financeiro, intervenções regulatórias e ajustes tarifários”, afirmou Allen Wang, vice-presidente e chefe de pesquisa de energia e renováveis para a Ásia-Pacífico na Wood Mackenzie. “Para mercados emergentes com limitações fiscais, o aumento dos custos também eleva riscos de confiabilidade, já que garantir suprimentos adicionais se torna mais difícil em momentos de aperto no mercado”, acrescentou.
Além dos impactos financeiros, restrições no fornecimento de combustíveis representam desafios diretos à confiabilidade em mercados onde a geração térmica dependente de importação é central. A Coreia do Sul é o caso mais crítico, com capacidade térmica ligada a importações equivalente a 87% da demanda de pico. O governo já adotou medidas de conservação de energia e apoio fiscal emergencial para reduzir o consumo nos horários de maior demanda.
A crise também acelera uma mudança estratégica: a segurança energética passa a disputar espaço com a agenda climática como fator determinante nos investimentos em geração. Governos têm acelerado projetos de renováveis domésticas, expansão nuclear e reforço da infraestrutura de rede para reduzir a dependência externa.
“Choques recorrentes de oferta por razões geopolíticas estão redesenhando a forma como os países planejam seus sistemas energéticos”, afirmou Xizhou Zhou, vice-presidente executivo e chefe global de energia e renováveis da Wood Mackenzie. “Mercados com matrizes diversificadas e recursos domésticos fortes mostram maior resiliência do que aqueles dependentes de combustíveis importados, reforçando o valor estratégico da independência energética junto aos objetivos de descarbonização”, completou.

publicada em 8 de abril de 2026 às 5:00 





Países com geração térmica dependentes de importações de combustível sofreram na escamada de preços no conflito do Irã. Itália subiu 80% para 22 dólares cada MWh, Japão, 17, Coreia e Reuni Unido 14/MWh. Eu pago uns 150+ dólares por MWh na minha conta de luz. Não sabia que estávamos em guerra, talvez nuclear, nossos MWh custam ouro. Pagamos ouro pelo MWh, não consumimos nada, também não produzimos nada e vivemos na miséria e no desespero.
Mas somos renováveis e limpos, embora não tenhamos dinheiro para comprar sabonete. Bolsa sabonete é o que falta.