IRÃ SÓ NEGOCIA COM OS ESTADOS UNIDOS DEPOIS DO FIM DO BLOQUEIO NAVAL E MANTÉM OS NAVIOS NO ESTREITO DE ORMUZ COMO REFÉNS
O Irã, em posição de inferioridade, bateu pé e decidiu não participar da segunda rodada de negociações com os Estados Unidos no Paquistão. A condição é a retirada do bloqueio naval dos Estados Unidos, que está servindo como a pá de cal na situação econômica do país. Com altíssimo prejuízo pela tempestade de bombas lançadas por americanos e israelenses, os iranianos não têm como receber mais munição de países fornecedores e muito menos tudo o que é importado para que faça a roda da economia girar. Tudo está parado. Apavorada, a parte da população que apoia o regime teocrático e sangrento dos Aiatolás, não produz. A outra parte também não produz, mas por medo da violência do próprio governo.
Pelos portos do Estreito de Ormuz, nada chega. Por via aérea também não. Resta a fronteira norte, do Mar Cáspio, onde o Irã faz fronteira com o Azerbaijão e o Turcomenistão. A oeste, o Iraque, inimigo de décadas. O Cáspio também dá acesso à Rússia, embora não faça fronteira. Mas ao sul, o Irã faz fronteira com o Afeganistão e o Paquistão. Todas as fronteiras estão sendo monitoradas pela inteligência americana e israelense. O estrangulamento do Irã está causando cisões internas no país, que está perdendo cerca de US$ 450 milhões por dia, desde o dia 13 de abril, quando o bloqueio começou. E não tem data para parar.
Aparentemente, o bloqueio sai mais barato do que mísseis, foguetes e bombas. O estrago na economia iraniana é profundo. Mas a arrogância dos Aitolás parece ser maior, quando recusam as negociações. O presidente Donald Trump anunciou
em uma publicação na Truth Social, que o cessar-fogo temporário entre os EUA e o Irã será prorrogado até que as autoridades iranianas apresentem uma “proposta unificada” para discussão. A decisão de prorrogar o cessar-fogo, que expiraria nesta quarta-feira(22), foi tomada “com base no fato de que o governo do Irã está seriamente fragmentado” e a pedido de autoridades paquistanesas, afirmou Trump. Além da prorrogação do cessar-fogo, o bloqueio dos EUA no Estreito de Ormuz também continuará, confirmou o presidente Trump.
POSIÇÃO DO IRÃ
Um assessor do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf, em uma publicação no X, criticou a prorrogação do cessar-fogo como “uma
manobra para ganhar tempo para um ataque surpresa, que não significa nada. A continuação do cerco não é diferente de um bombardeio e deve ser respondida com uma ofensiva militar.” A agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, confirmou que autoridades iranianas decidiram não participar da segunda rodada de negociações no Paquistão. Um alto funcionário iraniano também disse que o Irã pode considerar participar das negociações se
“Washington abandonar sua política de pressão e ameaças“, acrescentando a Guarda Revolucionária Islâmica apreendeu dois navios dentro do Estreito e os transferiu para a costa iraniana. Os navios apreendidos são o MSC Francesca e o Epaminodes, por operarem sem autorização e manipularem os sistemas de navegação, acrescentando que isso colocava em risco a segurança marítima.
Na manhã desta quarta-feira(horário local), pelo menos três navios porta-contêineres foram atingidos por disparos no Estreito de Ormuz, segundo fontes de segurança marítima e da Organização de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO). Um navio de bandeira da Libéria sofreu danos na sua ponte de comando após ser atingido por disparos e granadas propelidas por foguete a nordeste de
Omã. A UKMTO informou que o comandante da embarcação relatou ter sido abordado por uma lancha da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Segundo a UKMTO, a embarcação foi alvejada em seguida. Todos os tripulantes saíram ilesos e não houve incêndio ou impacto ambiental devido ao incidente. Fontes da segurança marítima disseram que havia três pessoas a bordo da lancha.
O comandante do navio, operado pela empresa grega, também relatou que não houve contato por rádio antes do incidente e que a embarcação havia sido inicialmente informada de que tinha
permissão para transitar pelo Estreito de Ormuz. Mais tarde, a UKMTO informou que um segundo navio porta-contêineres foi alvejado a cerca de oito milhas náuticas a oeste do Irã. O navio, de bandeira panamenha, não sofreu danos e sua tripulação está em segurança. Um terceiro navio foi alvejado a cerca de oito milhas náuticas a oeste do Irã, enquanto transitava na saída do Estreito de Ormuz. A embarcação, não sofreu danos e a sua tripulação está a salvo. Após a divulgação dos ataques, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) emitiu um comunicado à imprensa estatal iraniana, declarando estar preparada para enfrentar qualquer nova agressão. As forças armadas do Irã estão prontas para dar uma “resposta imediata e decisiva” a qualquer nova ação hostil por parte de seus adversários, afirmou um alto comandante militar iraniano, segundo a agência de notícias Tasnim.

publicada em 22 de abril de 2026 às 11:00 





