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GREENYELLOW PROJETA CRESCIMENTO DE 20% EM 2026 E BUSCA NOVAS PARCERIAS NO MERCADO BRASILEIRO

A GreenYellow atravessa um momento de mudança estratégica e projeta crescimento no mercado brasileiro. A empresa também busca aprofundar o relacionamento com parceiros locais, ampliar sua capilaridade e expandir soluções de eficiência energética, geração renovável e armazenamento no país. Em entrevista ao Petronotícias, o diretor comercial da GreenYellow Brasil, Fernando Oliveira, explicou que a companhia adotou, em 2025, uma estratégia de atuação integral em projetos instalados junto à carga de grandes clientes. “Essa transição foi muito bem-sucedida e ocorreu em um momento de grandes transformações no setor elétrico brasileiro e pelo aumento expressivo no custo da energia”, declarou. Em paralelo, a empresa lançou recentemente o programa de parcerias Mont Blanc, voltado a fabricantes, distribuidores, integradores e outros agentes do setor elétrico. Cada categoria oferece benefícios exclusivos, como capacitação, troca de know-how e oportunidades em projetos complexos. Para 2026, Oliveira tem perspectivas positivas, dando continuidade a um 2025 também favorável. “Em termos de projeções, pretendemos crescer de forma sustentável no Brasil; minha expectativa é que tenhamos um incremento superior a 20% em relação ao ano passado, ritmo que consideramos viável para o médio prazo”, concluiu.

Como foi a atuação da GreenYellow em 2025 e como está sendo este início de ano?

As perspectivas para 2026 são muito positivas, dando continuidade a um ano de 2025 que também foi bastante favorável. Vale lembrar que a empresa foi fundada em 2007, na França, mas já atua no Brasil há 12 anos, desde 2014. Nosso modelo de negócio é baseado no conceito de energia como serviço (energy as a service), focando em três produtos principais: baterias, energia solar e eficiência energética. Operamos sempre no modelo de leasing operacional, no qual realizamos o investimento integral para o cliente, que nos paga em parcelas mensais.

No Brasil, especificamente até o início de 2024, nossa atuação no segmento solar era voltada para a geração distribuída por meio de usinas remotas. No entanto, o ano de 2025 marcou uma mudança de foco: deixamos de priorizar projetos de autoconsumo remoto para atuar 100% em projetos instalados junto à carga em grandes clientes. 

Essa transição foi muito bem-sucedida e ocorreu em um momento de grandes transformações no setor elétrico brasileiro e pelo aumento expressivo no custo da energia. Esse cenário tem colocado mais ênfase em projetos de eficiência energética, geração solar e armazenamento. Vemos esse panorama como algo positivo, pois conseguimos conquistar um espaço relevante ao antecipar essa estratégia de estarmos fisicamente próximos à carga de grandes consumidores.

O que motivou essa decisão estratégica de mudança de foco?

Esse posicionamento já é adotado pela GreenYellow globalmente, portanto, um dos fatores intrínsecos do negócio foi alinhar nossa operação à estratégia internacional do grupo. Observamos, tanto no Brasil quanto no exterior, uma tendência de maior dificuldade para a injeção de energias renováveis, especialmente a solar, na rede elétrica. Projetos que dependem dessa injeção tornam-se muito suscetíveis a mudanças regulatórias e a subsídios que podem deixar de existir, além de apresentarem uma complexidade operacional maior.

Embora o conceito de curtailment se aplique mais à geração centralizada, essa discussão nos impacta indiretamente e poderia, eventualmente, afetar também o modelo de geração distribuída. O que fizemos foi antecipar cenários que já víamos ocorrer em outros locais, como na França. Iniciamos essa transição em 2024 e a concluímos em 2025, de modo que hoje não desenvolvemos mais projetos com dependência de injeção na rede.

Poderia explicar o que o novo programa de parcerias no Brasil e quais são os objetivos gerais?

Batizamos a iniciativa de Programa Mont Blanc, uma visão de futuro inspirada pelo nosso corporativo. Entendemos que o futuro do setor elétrico será mais descentralizado, independente da rede e com maior poder de decisão para o consumidor. Projetamos que, nos próximos cinco anos, os clientes serão cada vez mais autônomos.

Fizemos um paralelo com a subida do Mont Blanc: o objetivo é sair de um cenário de dependência do grid para uma realidade em que a GreenYellow seja responsável por mais de 50% da gestão do gasto energético do cliente. Para alcançar essa visão, precisamos de parcerias estratégicas, disciplina de execução e a combinação da nossa capacidade técnica e financeira.

O nome Mont Blanc, inspirado na montanha mais alta da Europa Ocidental, também reflete o caminho que o parceiro percorre ao comprar essa ideia conosco. O programa organiza formalmente os direitos, deveres e mecanismos de recompensa, garantindo que o parceiro saiba exatamente o que esperar da GreenYellow e vice-versa. Como resultado, o parceiro amplia suas possibilidades de ganho financeiro e torna-se mais capacitado por meio de nossos treinamentos. Isso beneficia diretamente o cliente final, pois chegamos a ele com propostas mais competitivas, robustas e ágeis.

E quais são os próximos passos desse programa de parceria?

O programa Mont Blanc opera em ciclos anuais, com o reconhecimento dos parceiros ao final de cada período. Em termos de projeções, posso adiantar que nosso pipeline de oportunidades já soma mais de 300 MW em projetos solares, o que demonstra que a iniciativa está gerando um volume expressivo de negócios. Além disso, temos cerca de 40 milhões de euros em oportunidades mapeadas para o setor de baterias — muitos desses projetos voltados para backup para suprir deficiências estruturais — e outros 50 milhões de euros em eficiência energética. O objetivo central é permitir que a GreenYellow alcance com precisão o seu perfil de cliente alvo, e esses números confirmam que estamos cumprindo essa meta.

Quais são as perspectivas da GreenYellow para o setor de baterias e o que vocês planejam para conquistar novos negócios nessa área?

Atualmente, os projetos de armazenamento que efetivamente saem do papel no Brasil são aqueles voltados para backup. Embora a bateria seja polivalente e possa realizar o deslocamento de carga (load shifting) ou entrega de potência (peak shaving), o mercado brasileiro tem priorizado a bateria como um elemento essencial para a continuidade operacional. Isso é muito comum em setores como mineração e irrigação, onde a rede elétrica muitas vezes não entrega a qualidade ou a potência necessária. No curto prazo, prevemos uma expansão significativa desse tipo de projeto.

Além disso, observamos uma perspectiva crescente para o uso comercial do load shifting, especialmente no varejo alimentar, redes de supermercados e shopping centers. Com as mudanças trazidas pela Lei 15.269/2025 e a retirada de subsídios para energia incentivada, o cenário mudou. Por exemplo: um supermercado que inaugura novas lojas hoje não conta mais com os antigos descontos de 50% na ponta. Com o custo da energia no horário de ponta atingindo patamares elevados em alguns estados, a bateria torna-se uma solução economicamente viável para o deslocamento de carga, oferecendo a segurança energética do backup como um benefício adicional.

Agora, falando sobre o setor fotovoltaico, quais são as perspectivas e oportunidades no radar?

Estamos com foco muito claro em alguns setores específicos, como o varejo alimentar (supermercados), shopping centers — onde já possuímos grande expertise — e a indústria. Vejo que o cenário estrutural no Brasil tornou-se bastante favorável para essas soluções. No último ano, a mudança na metodologia de cálculo do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), com maior aversão ao risco, impactou os contratos e os preços de longo prazo. Somado a isso, enfrentamos um período de seca severa que elevou os preços e tivemos o leilão de reserva de capacidade, que deve trazer impactos significativos nos encargos tarifários.

Quando analisamos todos os componentes da tarifa — a Tarifa de Energia (TE), a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), encargos e impostos —, percebemos um viés de alta em todas as frentes. O grande desafio atual é sensibilizar o empresário a agir. Nossa provocação é que ele não fique refém desses aumentos sucessivos.

Existem outras novidades que a empresa pretende apresentar ao mercado? Quais são as projeções de crescimento e números que poderia compartilhar conosco?

Mais do que novidades constantes, acreditamos na constância de propósito e na disciplina de execução da estratégia que definimos. Nossa grande “virada” foi a mudança de foco que consolidamos recentemente. Em termos de projeções, pretendemos crescer de forma sustentável no Brasil; minha expectativa é que tenhamos um incremento superior a 20% em relação ao ano passado, ritmo que consideramos viável para o médio prazo.

Eu gostaria apenas de reforçar que nosso modelo não entrega apenas economia, ele entrega mitigação de risco. Nós assumimos integralmente o risco de performance dos ativos; se o sistema não performar conforme o esperado, nós não recebemos. Há um incentivo econômico direto para que sejamos eficientes. Fazendo um paralelo com o mercado financeiro, é como se oferecêssemos ao cliente um investimento com a segurança de um CDB, mas com rentabilidade acima do CDI. Enquanto o cliente costuma estar exposto às volatilidades do mercado de energia, nós oferecemos uma alternativa segura, rentável e sem riscos operacionais para ele.

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