PREJUÍZOS ACIMA DE US$ 7,6 BILHÕES COM O BLOQUEIO E CHEGANDO AO FIM DA CAPACIDADE DE ARMAZENAR DE PETRÓLEO IRÃ CORRE PARA NEGOCIAR A PAZ
Com o preço do barril de petróleo Brent avaliado esta tarde em pouco mais de US$ 100 para entrega em junho, o Irã está se apressando em apresentar uma proposta aos Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz e pôr fim à guerra. Agora, os iranianos estão se apressando para uma solução. Com o bloqueio naval, nada entra ou sai do país. E isto significa um prejuízo para a economia iraniana de US$ 7,6 bilhões de dólares (mais de R$ 38 bilhões), desde que a Marinha americana levantou um bloqueio naval na confluência do Estreito de Ormuz com o Mar da Arábia. Navio que está dentro não sai e o que está fora não entra. Mas somente aqueles que tem origem ou destino aos portos do Irã. A pressa de Donald Trump mudou de velocidade. Em poucos dias o Irã terá que interromper a sua produção de petróleo porque não terá mais onde armazenar.
Sem poder armazenar, os iranianos serão obrigados a interromper a produção dos poços. E aí é que mora o perigo. Como o explicou para o Petronotícias, o pai do pré-sal
brasileiro, o ex-diretor da Petrobrás, Guilherme Estrela. Ele considerada este problema como absolutamente central na indústria petrolífera. O sistema de produção é projetado para operar de acordo com uma dinâmica do fluxo de gás-petróleo e água dentro da rochas reservatório, específica para cada campo. E individualmente, pois tratando-se de rochas permo/porosas com peculiaridades geológicas naturais de cada uma delas. Se esta dinâmica for desrespeitada criam-se dificuldades que colocam em sério risco a continuidade da produção.
Profissionais do segmento do petróleo deram esta informação para Trump que, depois de bombardear o Irã, passou a estrangular a sua economia, que já não andava lá muito bem das pernas e passou a andar com muletas, passou para um andar e já está olhando para uma cadeira de rodas. A interrupção da produção será terrível para o Irã. Isso está apressando as negociações por parte deles. Por meio de mediadores paquistaneses, o Irã apresentou uma nova proposta para a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim da guerra, com as negociações nucleares adiadas para uma etapa posterior. Pura barganha. A questão nuclear é vital para Trump. A exigência iraniana obrigaria os EUA a suspender o bloqueio aos navios iranianos. Os americanos vão cozinhar uma resposta como se cozinha um galo. Vai demorar muito tempo.
O fim do bloqueio, só com os iranianos capitulando. Sem urânio enriquecido não há conversa. Trump já sinalizou que pretende manter o bloqueio ativo até que um
acordo completo seja firmado com o regime iraniano. “Quando você tem grandes quantidades de petróleo circulando pelo sistema… se por algum motivo esse oleoduto for fechado porque você não consegue colocá-lo em contêineres ou navios… o que acontece é que o oleoduto explode por dentro… eles dizem que têm apenas cerca de três dias antes que isso aconteça“, disse Trump. “E quando explodir, você nunca poderá reconstruí-la da mesma forma que era… seria apenas 50% do que é agora. Então, acho que eles estão sob pressão“, acrescentou.
No início da noite de domingo (26), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi (esquerda), partiu de Omã após uma estadia no país para “conversas bilaterais”, agradecendo ao governo omanita pela “gentil hospitalidade, discussões importantes sobre assuntos bilaterais e desenvolvimentos regionais. Como únicos estados litorâneos de Ormuz, nosso foco incluiu maneiras de garantir um trânsito seguro que beneficie todos os nossos estimados vizinhos e o mundo“, publicou no X após sua visita. “Nossos vizinhos são nossa prioridade”, afirmou ele. Os comentários de Araghchi surgem no momento em que ele partia para Moscou, como parte de uma série de conversas com aliados regionais em meio às negociações com os EUA. Antes de visitar Omã, ele se reuniu com autoridades paquistanesas em Islamabad.

publicada em 27 de abril de 2026 às 14:00 




