MARINHA FAZ MONITORAMENTO RADIOLÓGICO DE NAVIO NUCLEAR AMERICANO QUE ESTÁ NA BAÍA DE GUANABARA
O porta-aviões nuclear norte-americano USS “Nimitz” chegou nesta semana ao litoral do Rio de Janeiro, no contexto da Operação “Southern Seas 2026”, conduzida pela 4ª Frota da Marinha dos Estados Unidos. A embarcação já é uma atração e desperta olhares curiosos de quem passa beirando a Baía de Guanabara. Por ser movido por energia nuclear, a Marinha do Brasil está realizando diariamente o monitoramento radiológico no entorno da embarcação, seguindo protocolos rigorosos adotados pelo País sempre que meios navais com reatores nucleares operam ou visitam o litoral brasileiro.
Realizada desde 2007, a Operação “Southern Seas” chega à sua 11ª edição como um dos principais instrumentos de cooperação marítima no hemisfério ocidental. Os exercícios no mar, com embarcações das duas Marinhas, serão realizados no período de 11 a 14 de maio, no Rio de Janeiro. A iniciativa reúne forças navais de cerca de dez países da América Latina, incluindo o Brasil, e tem como foco o fortalecimento de parcerias, a interoperabilidade entre as Marinhas e a resposta coordenada a ameaças comuns no ambiente marítimo.
O monitoramento radiológico é realizado diariamente com medições de taxa de dose no ar e coleta de amostras ambientais, como água do mar e sedimentos do leito marinho, desde a véspera do fundeio do navio até o dia seguinte à sua saída. Para isso, são estabelecidos, no mínimo, dez pontos de medição no entorno do navio. Também é mantido controle contínuo da taxa de dose em pontos sensíveis, como áreas de embarque e desembarque de tripulantes, com equipamentos de varredura operando em tempo integral ao longo de toda a visita.
O trabalho de fiscalização é normatizado pela Secretaria Naval de Segurança Nuclear e Qualidade (SecNSNQ), sendo conduzido, em coordenação com o 2º Batalhão de Proteção e Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica (2ºBtlProtDefNBQR), do Corpo Fuzileiros Navais, e com o apoio técnico do Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD), da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), reunindo capacidades especializadas do Estado brasileiro.
O monitoramento ocorre durante toda a permanência do navio na Baía de Guanabara, com foco na proteção da população, dos trabalhadores, do meio ambiente e das atividades marítimas.
A participação brasileira na Operação Southern Seas 2026 se deve à posição estratégica do País no Atlântico Sul, área relevante para a segurança das rotas marítimas e a proteção de recursos da chamada “Amazônia Azul”. A passagem do grupo naval liderado pelo “Nimitz” pela região segue uma lógica geográfica e operacional, uma vez que a missão prevê a circunavegação do continente sul-americano, com escalas em diferentes países parceiros.
O USS “Nimitz” é considerado o porta-aviões nuclear mais antigo ainda em operação no mundo. Comissionado em 1975, o navio dá nome a uma classe inteira de porta-aviões e permanece como um dos principais vetores de poder naval dos Estados Unidos, capaz de operar dezenas de aeronaves simultaneamente em missões de defesa, ataque e vigilância. Com cerca de 330 metros de comprimento e deslocamento superior a 100 mil toneladas, o “Nimitz” possui propulsão nuclear, o que lhe garante autonomia praticamente ilimitada em termos de combustível. Seu grupo aéreo embarcado inclui caças, aeronaves de alerta antecipado e helicópteros, formando um complexo sistema de projeção de poder no mar.

publicada em 8 de maio de 2026 às 20:00 




