AGÊNCIA INTERNACIONAL DE ENERGIA DIZ QUE GUERRA NO IRÃ JÁ GERA IMPACTO DE 14 MILHÕES DE BARRIS POR DIA NA OFERTA DE PETRÓLEO
Quase três meses após o início da guerra no Oriente Médio, as crescentes perdas de oferta provenientes do Estreito de Ormuz estão reduzindo os estoques globais de petróleo em ritmo recorde. Com o tráfego de petroleiros pela rota marítima ainda restrito, as perdas acumuladas de oferta dos produtores do Golfo já ultrapassam 1 bilhão de barris, com mais de 14 milhões de barris por dia atualmente interrompidos — um choque de oferta sem precedentes. Este é o alerta de um novo relatório divulgado nesta semana pela Agência Internacional de Energia (AIE). Segundo a entidade, o desequilíbrio atual entre oferta e demanda é menor, entretanto, porque o mercado já estava em superávit antes da crise, enquanto produtores e consumidores vêm reagindo aos sinais do mercado.
“Com os estoques globais sendo reduzidos em ritmo recorde, a expectativa é de continuidade da volatilidade dos preços antes do pico de demanda do verão no hemisfério norte”, destaca a agência liderada por Faith Birol.
Com o Estreito efetivamente fechado e as negociações entre os Estados Unidos e o Irã ainda patinando, a AIE diz que vê incertezas significativas em relação ao futuro. Embora alguns fornecedores, como os Estados Unidos, o Brasil, a Venezuela e alguns países africanos da OPEP+, tenham demonstrado capacidade de aumentar a produção no curto prazo, os ganhos são marginais em comparação com as perdas no Oriente Médio.
A agência assume que Ormuz permanecerá fechado até o início de junho e que, após as operações de remoção de minas, serão necessários pelo menos dois a três meses para a normalização completa das exportações comerciais antes que a produção do Oriente Médio se recupere de fato. A AIE diz que essa previsão poderá ser revisada quando a extensão total dos impactos e os prazos de recuperação estiverem mais claros.
Do lado da oferta, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos conseguiram redirecionar parte das exportações para terminais localizados fora do Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, estoques comerciais e reservas estratégicas governamentais em países consumidores começaram a ser utilizados para compensar parte das perdas. Os estoques globais observados, incluindo petróleo armazenado em navios, recuaram 250 milhões de barris entre março e abril, equivalente a 4 milhões de barris por dia.
Produtores fora do Oriente Médio também elevaram a produção e ampliaram exportações para níveis recordes em resposta à crise. As projeções de crescimento da oferta nas Américas para 2026 foram revisadas para cima em mais de 600 mil barris por dia desde o início do ano, alcançando média de 1,5 milhão de barris por dia. Além disso, as exportações de petróleo bruto da Bacia do Atlântico — agora direcionadas principalmente aos mercados do leste de Suez, mais afetados pela crise — aumentaram 3,5 milhões de barris por dia desde fevereiro, com destaque para ganhos de Estados Unidos, Brasil, Canadá, Cazaquistão e Venezuela.
Os consumidores finais também estão reduzindo o consumo. A demanda global por petróleo agora deve cair 2,4 milhões de barris por dia no segundo trimestre de 2026 na comparação anual e recuar 420 mil barris por dia no acumulado do ano, resultado 1,3 milhão de barris por dia inferior à projeção anterior ao conflito. Segundo a AIE, até o momento, as maiores perdas concentram-se no setor petroquímico, onde a disponibilidade de matérias-primas está cada vez mais limitada.
A atividade aérea também opera bem abaixo dos níveis normais, ajudando a aliviar parte da pressão sobre os preços do querosene de aviação, que quase triplicaram após a interrupção das exportações do Oriente Médio. Preços mais elevados, deterioração do ambiente econômico e medidas de redução de consumo devem continuar pressionando negativamente a demanda global por petróleo.

publicada em 19 de maio de 2026 às 4:00 





