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IRANIANOS QUEREM LIBERAÇÃO DE US$ 24 BILHÕES CONGELADOS. TRUMP QUER URÂNIO ENRIQUECIDO FORA DO IRÃ. SEM ISSO, NÃO HAVERÁ PAZ

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que as negociações com o Irã continuarão, embora Mojtaba Khamenei, o atual Aiatolá iraniano, seja  difícil de contatar. O que se sabe é que ele estaria em um local seguro se recuperando de ferimentos. Consequentemente, qualquer resposta leva tempo para ser dada. “O presidente expressou seu desejo de chegar a um acordo. Ou ele fará um bom acordo ou não fará acordo algum”, disse Rubio. Os Estados Unidos e Israel aguardam uma resposta do Líder Supremo do Irã,  após conversas no Catar entre o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. Uma das principais questões ainda em disputa é a liberação dos ativos iranianos congelados. Segundo relatos, Teerã exige que metade dos US$ 24 bilhões congelados em todo o mundo seja liberada imediatamente após a assinatura de um acordo-quadro com os Estados Unidos, e o restante seja liberado ao final de um período de 60 dias. Um alto funcionário americano enfatizou que nenhum fundo será desbloqueado a menos que o urânio enriquecido do Irã seja removido ou destruído. “Sem urânio, sem dólares.” Sem dólares descongelados e urânio fora do Irã, a paz não será possível. Só para mostrar a volatilidade dos preços e o humor do mercado, o Brent esta manhã (27) está cotado a US$ 94,74 o barril para entrega no final de junho.

Enquanto isso, as Forças de Defesa de Israel e o Comando Central dos EUA permanecem em alerta máximo diante da possibilidade de Washington e Teerã não chegarem a um acordo e de o presidente Donald Trump ordenar uma ação militar. Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, a coordenação entre as duas forças armadas continua, incluindo a comunicação constante entre o Chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, e o Comandante do CENTCOM, Brad Cooper. “Há atualmente um alto nível de prontidão, planejamento contínuo e coordenação constante entre as forças armadas. Todos aguardam as decisões do presidente Trump, mas, ao contrário do que alguns possam supor, a coordenação de segurança continua de forma rotineira e ininterrupta,” disse Cooper.

OS REFLEXOS FINANCEIROS DA GUERRA

 Nas batalhas de campo e no esforço do rearmamento, os esforços são bem elevados. A indústria da guerra continua lucrando, com reflexos em todo mundo, inclusive com o aumento dos investimentos em defesa aqui no Brasil.  Em Israel e nos Estados Unidos, berços de grandes tecnologias militares, as empresas crescem a olhos vistos. A Elbit Systems, de Israel, por exemplo, acaba de receber uma encomenda de países europeu de US$ 1,4 bilhão, elevando a sua carteira para US$ 30 bilhões.  O pacote multidomínio inclui veículos autônomos não tripulados, soluções de guerra eletrônica terrestres, artilharia guiada com precisão e sistemas avançados de reconhecimento. A Elbit Systems garantiu o contrato de defesa de aproximadamente com uma nação europeia, que não foi identificada e vai   fornecer um conjunto abrangente de sistemas de modernização militar nos próximos cinco anos.

Essas plataformas serão acopladas a sistemas eletro-ópticos de designação e reconhecimento, com todos os componentes interligados em rede por meio de rádios definidos por software  da Elbit  A conquista do contrato milionário foi revelada juntamente com os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026 da empresa sediada em Haifa, que mostraram um aumento de 15,5% na receita trimestral, para US$ 2,19 bilhões, elevando a carteira de pedidos total da Elbit para mais de US$ 30 bilhões pela primeira vez. Segundo a administração, a empresa está aumentando ativamente sua capacidade de produção para atender à demanda recorde.

LOCKHEED MARTIN

A empresa norte americana Lockheed Martin já iniciou a construção de uma nova fábrica de mísseis THAAD, nos Estados Unidos. Durante o mês de guerra com o Irã,  vários oficiais americanos afirmaram que mais de 200 mísseis interceptores THAAD foram disparados em defesa de Israel. Em meio a relatos de que os Estados Unidos gastaram mais da metade de seus interceptores do sistema Terminal High Altitude Area Defense (THAAD)   durante as Operações Fúria Épica e Leão Rugidor contra o Irã, a Lockheed Martin iniciou a construção de um novo centro de produção de munições em Troy, no Alabama.

O THAAD foi projetado para interceptar ameaças tanto fora quanto dentro da atmosfera, ocupando uma posição crucial na camada intermediária das defesas aéreas e antimísseis dos EUA. O sistema é baseado no método de impacto direto, utilizando a energia cinética da colisão para destruir o míssil inimigo durante sua fase terminal de voo. O sistema pode detectar e rastrear mísseis a distâncias superiores a 2.000 quilômetros e atingir o alvo em altitudes de até 150 km. A instalação adicionará oito mil metros quadrados de espaço de produção para interceptores THAAD e também para o  futuro Interceptor de Próxima Geração (NGI). A infraestrutura, segundo a Lockheed, faz parte de seu plano de investimento mais amplo de US$ 9 bilhões na próxima década para aumentar a capacidade geral de produção de munições e modernizar mais de 20 de suas instalações nos EUA.

Michael Duffey, Subsecretário de Guerra para Aquisição e Sustentação, disse que “Essa parceria é fundamental para aumentar nossa capacidade de produção de munições. A Lockheed Martin tem se empenhado de forma incisiva. O dia de hoje é uma prova dessa parceria e desse progresso.” Além dos Estados Unidos, o THAAD é operado pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Reino da Arábia Saudita, que inaugurou suas primeiras baterias em julho do ano passado.  Muitos aliados dos EUA manifestaram preocupação com o possível esgotamento dos estoques de interceptores, visto que os EUA não possuem produção suficiente para repor os níveis utilizados durante a guerra com o Irã no ritmo atual, em curto prazo.

Um estudo do Congresso dos EUA, publicado em meio à guerra, lançou uma luz preocupante sobre o estoque de interceptores disponíveis para os EUA, afirmando que “há preocupação de que a taxa de utilização dos interceptores THAAD durante a Operação Epic Fury tenha reduzido ainda mais o estoque limitado de interceptores. Poderia levar de três a oito anos para reabastecer o estoque de mísseis THAAD, cada um com um custo estimado de US$ 12,7 milhões.”

O Instituto de Pesquisa de Política Externa (FPRI), que forneceu parte do material ao Serviço de Pesquisa do Congresso (CRS), constatou que os primeiros dias da Operação Fúria Épica dos EUA foram mais intensos do que o início de qualquer outra campanha aérea na história das forças armadas americanas, com 5.197 munições de 35 tipos diferentes, o que representou um custo de reposição de munições estimado entre US$ 10 e US$ 16 bilhões em apenas quatro dias. Em Janeiro,  a Lockheed Martin assinou um acordo  com o Departamento de Guerra dos EUA para quadruplicar a produção de interceptores THAAD, de 96 para 400 por ano. Ciente da urgência, o presidente do Conselho, presidente e CEO da Lockheed Martin, Jim Taiclet, afirmou na cerimônia em Troy que a empresa “está pronta para atender à demanda urgente de expansão da capacidade de produção. Já investimos bem mais de um bilhão de dólares nessa expansão, o que fortalece diretamente a dissuasão e ajuda a garantir que nossos militares e aliados tenham as capacidades de que precisam quando precisam delas.”

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