DEPOIS DE ATACAR O AEROPORTO DO KWAIT, OS IRANIANOS AMEAÇAM FECHAR TAMBÉM O ESTREITO DE BAB EL-MANDEB
O Irã parece aqueles bandidos feridos dos filmes dos faroestes americanos. Atira para todo lado, querendo mostrar força, mas está ferido. Bem ferido e quase sem força. Agora, o chefe da Força Quds do Irã, Esmail Qaani, depois de atacar o aeroporto do Kwait, fez um alerta aos EUA e à Israel em relação à Gaza e ao Líbano, onde financia e mantem dois grupos terroristas, o Hamas e o Hezbollah. Ele ameaçou que novas frentes poderiam se abrir e o tráfego no Estreito de Bab el-Mandeb ser fechado, espelhando a situação no Estreito de Ormuz. Segundo a agência de notícias estatal iraniana IRNA, o Brigadeiro-General manteve a ameaça, se os ataques miliares forem intensificados. Qaani é quase uma figura fantasmagórica. Nomeado em 2020, após os EUA assassinarem seu antecessor, Qasem Soleimani, Qaani permaneceu em grande parte nos bastidores. Alegadamente um especialista em Afeganistão, ele pareceu ter dificuldades ao assumir o cargo de Soleimani, que foi uma figura-chave na construção das redes de aliados do Irã na região. Ele havia trabalhado com o falecido líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, no Líbano, e ajudou a trazer os russos para apoiar o regime de Assad, na Síria. Ele também forjou conexões com os terroristas Houthis, no Iêmen, e ajudou a mobilizar milícias no Iraque.
Qaani herdou o vasto império de aliados iranianos. No entanto, ele não era visto como inovador nem inspirador. Sempre que aparecia, era apenas por breves períodos
em lugares como o Iraque. Frequentemente, parecia estar à margem ou escondido. Isso levou alguns nas redes sociais a zombarem dele, alegando que era um agente de Israel. Recentemente, ele é visto como um sobrevivente dos conflitos recentes entre Israel e Irã. “A agressão dos sionistas no Líbano e em Gaza, realizada sob o apoio descarado dos Estados Unidos, fortalecerá ainda mais a determinação do Eixo da Resistência em ampliar seu apoio a ambas as frentes, avançar para a ativação de outras frentes e equiparar as condições de tráfego no Estreito de Bab el-Mandeb às do Estreito de Ormuz.”
ESTREITO DE BAB EL-MANDEB

No estreito, uma região conhecida como “Porta das Lágrimas”, onde terroristas sequestravam os navios cargueiros
Este estrito liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico. Isso é notável porque, aparentemente, o Irã parece estar pronto para aumentar a pressão. O Irã já controla o Estreito de Ormuz; utilizar os houthis para atacar o Mar Vermelho seria uma escalada significativa. Se a situação se agravar, Israel e os EUA poderão ter que discutir suas opções em relação ao Mar Vermelho. A região fica do lado oeste da Arábia Saudita e a leste do Egito e Sudão. A parte estreita fica entre o Iêmen, Eritreia, Djibuti e Somália. Parece ser nitroglicerina pura, mas do ponto de vista logístico para o setor de petróleo teria mais pressão para a Arábia Saudita, mesmo assim sem muito efeito na guerra entre com Israel e os Estados Unidos.
Os Estados Unidos e Israel já atacaram os houthis no passado. No entanto, os houthis são um adversário difícil, pois se escondem nas montanhas e utilizam drones e mísseis balísticos. O Irã quer conectar a região ao Líbano, para que qualquer operação israelense no Líbano seja respondida em outra frente. A agência de notícias IRNA observa que Qaani “também alertou o regime israelense de que suas ações no sul do Líbano e em Gaza seriam respondidas com operações militares por movimentos de resistência palestinos e libaneses”.
ATAQUE AO KUWAIT
Agora, do nada, ele atacou o Kuwait um dia depois de atacar os Emirados Árabes Unidos. O Kwait declarou dois diplomatas iranianos persona non grata após ataque ao seu aeroporto na madrugada de quarta-feira. A explosão danificou “instalações vitais, incluindo missões diplomáticas”. O Ministério das Relações Exteriores do Kuwait convocou o encarregado de negócios do Irã à Cidade do Kuwait nesta quarta-feira (3), após a República Islâmica ter atacado o aeroporto do país com mísseis durante a madrugada. Em um comunicado divulgado no X, o Ministério das Relações Exteriores afirmou ter declarado dois membros da missão diplomática do Irã no país persona non grata e exigiu sua saída em 24 horas. O vice-ministro das Relações Exteriores do Kuwait, Hamad Suleiman Al-Mashaan, reiterou a “mais veemente condenação dos hediondos ataques iranianos”.
Após os ataques ao aeroporto e outros ataques na região, o Irã afirmou que o Kuwait e o Bahrein tinham “responsabilidade direta e clara” pelos ataques, alegando que seus territórios e instalações foram usados para apoiar as operações militares dos EUA contra o Irã. Em resposta, Al-Mashaan criticou as alegações do Irã como “infundadas e sem qualquer comprovação”, acrescentando que “a repetição de tais alegações não justifica, de forma alguma, os ataques ao território do Kuwait e às suas instalações civis e vitais”. O ataque matou uma pessoa e feriu um total de 63. Segundo o CENTCOM, forças americanas emitiram repetidos avisos à tripulação do navio de bandeira do Botswana ao longo de 24 horas, enquanto este navegava em direção à ilha iraniana de Kharg. Para impedir que o petroleiro chegasse ao Irã, uma aeronave americana disparou um míssil contra a sala de máquinas da embarcação, desativando-a.

publicada em 3 de junho de 2026 às 14:00 




