SECRETÁRIO DE GUERRA DOS ESTADOS UNIDOS VAI ATÉ GUANTANAMO E DIZ QUE TEM TODAS AS OPÇÕES PARA CAPTURAR DIAS-CANEL EM CUBA
O Secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, viajou até Guantanamo, na Ilha de Cuba, e disse que ” todas as opções estão sobre a mesa,” respondendo às perguntas insistentes sobre se o Pentágono está considerando uma operação militar para capturar os líderes cubanos Miguel Díaz-Canel e Raul Castro, já está sendo considerado foragido da justiça americana. Ele é acusado como o autor das mortes de quatro cubanos que tiveram seus aviões abatidos por um MIG da Forças Aérea Cubana, depois de uma ordem de Raul, quando levavam ajuda humanitária. “Temos opções por todos os lados”, respondeu Hegseth quando questionado se uma operação para “capturar e matar” Díaz-Canel era uma possibilidade, em declarações à imprensa durante sua visita ao Comando Central dos
Estados Unidos (Centcom), na Flórida. “Em nosso prédio, literalmente ganhamos a vida planejando. Então, além do Pentágono, ninguém planeja melhor do que o Comando Central dos EUA. Voltando ao ponto principal de por que estamos aqui, todas essas opções estão sobre a mesa.“
O secretário declarou na Flórida que ” há muita pressão sobre o regime cubano neste momento, e com razão. Eles têm grandes decisões a tomar e, às vezes, os líderes tomam decisões erradas quando estão sob pressão”. Ainda assim, ele evitou responder explicitamente se os militares dos EUA estão planejando uma operação desse tipo contra Havana. ” Tudo o que eu diria é: opções, opções, opções . Nosso trabalho é apresentar opções em diferentes escalas, dependendo de para onde o comandante-em-chefe, o presidente dos Estados Unidos, quer ir.” O secretário
reiterou sua mensagem a Havana para “não entrar em um jogo em que ameace os Estados Unidos“, depois de declarar horas antes, na Baía de Guantánamo, às tropas ali reunidas, que “seria imprudente para o governo cubano tentar adquirir ou obter acesso a armas que pudessem atingir esta base ou o território dos Estados Unidos”. Desde janeiro passado, o governo Trump aumentou a pressão sobre Cuba com o endurecimento das sanções e novas medidas contra Havana, em meio à profunda crise econômica que a ilha atravessa. Ambos os governos mantiveram contatos de alto nível que, pelo menos publicamente, não produziram quaisquer resultados. Além disso, a visita de Hegseth ocorre uma semana depois de Washington ter anunciado novas sanções contra o governante cubano Miguel Díaz-Canel e outros altos funcionários do regime.
MAIS PROTESTOS EM CUBA
Mais protestos eclodem em Cuba devido ao apagão de 67 horas, enquanto o regime alardeia supostos progressos no refino de petróleo bruto. Moradores de Havana,
Matanzas e outras cidades saem às ruas em mais um dia de protestos com panelas e gritos de “Abaixo a ditadura!”. Os cortes de energia que duram mais de 60 horas consecutivas desencadearam novos protestos em várias cidade de Cuba. Moradores de Santos Suárez, em Havana, foram às ruas batendo panelas e frigideiras após ficarem 31 horas sem energia elétrica. Segundo seus relatos, houve protestos em Santos Suárez, Los Sitios e em diversas áreas de Alamar, onde moradores relataram cortes de energia que duraram de 32 a 35 horas. Em um dos vídeos compartilhados pela ativista, ouvem-se gritos
de “Liberdade.” “Estamos sem água há uma semana, dias sem dormir, sem comida, sem gás”, relatou ela. Protestos noturnos também ocorreram no município de San Miguel del Padrón, em Havana. Dezenas de moradores do bairro 13 de Marzo foram às ruas em meio aos apagões, batendo panelas e exigindo o restabelecimento da energia elétrica. O veículo de notícias informou que os manifestantes gritavam repetidamente: “Liguem a energia de novo!”.
A Cubanet também noticiou um protesto com panelas batendo no bairro Dulce Nombre, em El Cotorro. O membro da oposição
Eliécer Ávila compartilhou imagens do protesto e afirmou que alguns participantes gritavam slogans contra o regime, como “Abaixo a ditadura! ” . Os protestos coincidem com um dos momentos mais críticos da crise energética cubana . Um comunicado da Companhia Elétrica Granma, reconheceu que a geração nacional havia caído para menos de 1.000 megawatts, pouco mais de um terço da demanda habitual do país. A própria
empresa admitiu que vários circuitos na província acumularam entre 43 e 45 horas consecutivas sem energia. Segundo as informações divulgadas, a geração disponível era insuficiente apenas para abastecer hospitais e alguns sistemas de abastecimento de água. A gravidade da situação ficou ainda mais evidente com do serviço de energia elétrica em toda a província de Granma na terça-feira, quando uma falha deixou o território desconectado do Sistema Elétrico Nacional. A crise é agravada pela paralisação da usina termelétrica Antonio Guiteras, maior e a principal de todo país, a principal central termoelétrica do país. Enquanto o discurso oficial insiste em destacar projetos experimentais e supostos avanços tecnológicos, relatos de diferentes partes da ilha refletem uma realidade marcada pela falta de eletricidade, água e combustível , bem como por um crescente descontentamento social que volta a se expressar nas ruas.
DANDO A VIDA, MAS SÓ A MILHARES DE QUILÔMETROS
Da segurança que desfruta em Londres, a embaixadora de Cuba no Reino Unido, Ismara Mercedes Vargas(direita), garante que os cubanos lutarão “até a morte” caso
ocorra uma intervenção militar dos EUA. Em entrevista ao The Telegraph, ela disse que “ o regime prefere a destruição dos cubanos a mudanças no modelo político e econômico que lhes foi imposto há décadas”. A diplomata afirmou que os cubanos defenderão a elite no poder “até a morte” em caso de invasão dos EUA, e que o regime irá “até o fim“, apesar de reconhecer a superioridade militar desse poder e que “Cuba poderia ser destruída”.
“Neste momento, estamos nos preparando como qualquer nação faria diante de tantas ameaças diárias“, disse a embaixadora, embora tenha concedido a entrevista da sede diplomática, em Londres, o que significa que ela está a
milhares de quilômetros da “guerra” que prevê. O diplomata americano na ONU, Mike Waltz, disse que os Estados Unidos estão exigindo coisas muito simples: “uma reforma econômica e política imediatamente. Abram a economia, libertem os presos políticos, parem de tratar os cidadãos comuns como uma ameaça e parem de culpar os Estados Unidos pela miséria causada por Havana e suas políticas fracassadas”, disse o diplomata em um vídeo publicado em sua conta oficial.
A resposta da embaixadora cubana foi “O povo cubano não permitirá que uma potência estrangeira ataque nosso
país. Defenderemos nossa soberania e, sem dúvida, iremos até o fim, mesmo que isso signifique reduzir a população cubana a zero.” No início do mês, o ditador Miguel Diaz-Canel e o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodrigues Parrilla, tentaram se vangloriar por um suposto apoio dos cubanos e que eles se mostraram dispostos a sacrificar. Mas ambos receberam respostas contundentes em cartazes das manifestações: “vocês, criminosos que governam, não são Cuba“; “A Pátria se defende dos ditadores e vândalos que a sequestraram“; “A maioria da população cubana quer a sua queda“; “o povo de Cuba receberá os EUA de braços abertos”.
GAESA FORA
Após o prazo estabelecido por Washington para que empresas estrangeiras que fazem negócios com o conglomerado empresarial das Forças Armadas, a GAESA, cancelem seus contratos, empresas espanholas temem perder sua última via de recebimento de pagamentos. “Isso forçará muitas empresas a fecharem completamente“, disse um porta-voz das empresas afetadas. “Não estamos falando só de grandes redes hoteleiras ou outras grandes empresas, mas de pequenas, médias e, em muitos casos, microempresas que historicamente trabalham com Cuba.”
Segundo um relatório, a maior parte do déficit decorre de cartas de crédito não pagas. A plataforma afirma que 85% da dívida tem origem nesses instrumentos, emitidos principalmente por bancos cubanos e destinados a garantir o pagamento em dia. Na prática, essas garantias deixaram de ser honradas devido à falta de liquidez em Havana. A plataforma que reúne os afetados estima que 15% das empresas nessa situação faliram desde 2017 e que entre 60% e 70% deixaram de trabalhar com o regime cubano. “Por trás disso, existem
milhares de empregos e empresas que trabalham com Cuba há 35 ou 40 anos. Para alguns, esse mercado era o único.” O governo espanhol afirmou que está acompanhando o impacto extraterritorial das medidas americanas “com grande atenção e enorme preocupação”, embora ainda não tenha adotado nenhuma medida concreta.
Mais duas companhias aéreas canadenses estenderam a suspensão de seus voos para Cuba. A Air Canada e Air Transat, que haviam suspendido seus voos para Cuba em fevereiro, decidiram suspendê-los por tempo indeterminado devido à situação econômica da ilha, que não apresenta sinais de melhora. Dessa forma, eles se juntaram ao Grupo Westjet, que anunciou uma decisão semelhante em 5 de junho, data em que se encerrou o prazo estabelecido por Washington para que as empresas com
vínculos financeiros com o conglomerado militar cubano, GAESA, os rescindissem. No entanto, nem esse grupo nem as outras companhias aéreas que anunciaram suas decisões em relação a Cuba no mesmo dia fizeram qualquer menção ao ultimato do governo dos EUA. O porta-voz da Air Canada, Peter Fitzpatrick(esquerda), atribuiu a decisão à “persistente incerteza política e econômica de Cuba“. Ele também garantiu que os clientes afetados teriam várias opções à disposição, incluindo reembolsos.
Ambas as companhias aéreas suspenderam seus voos em fevereiro, o que na época representou um duro golpe para a já debilitada indústria do turismo cubana, devido à falta de combustível de aviação na ilha. Inicialmente, a WestJet planejou retomar os voos em abril, se as condições permitissem. Posteriormente, considerou retomar as operações no outono, assim como a Air Canada. “Entraremos em contato diretamente com os clientes cujos planos de viagem foram afetados para informá-los sobre as diferentes opções disponíveis“, anunciou a companhia aérea. Assim como a Air Canada e a WestJet, a Air Transat suspendeu sua rota para Cuba em fevereiro, com planos de retomá-la em junho. Em abril, anunciou que manteria a suspensão pelo menos até o final do outono.
O economista cubano Elías Amor(direita) explicou que que as decisões tomadas por empresas de deixar a ilha não podem ser explicadas apenas pelo ultimato de Washington.
Em sua opinião, a profunda crise econômica em Cuba tem sido um fator decisivo. “Essas partidas se devem à grave situação econômica em Cuba “, afirmou. O economista citou o colapso do turismo, que ele estimou em cerca de 50% em comparação com o ano anterior, bem como a falta de eletricidade, água e alimentos, como principais fatores contribuintes. Antes dos anúncios das três companhias aéreas canadenses, precedidos pelo êxodo de várias redes hoteleiras que decidiram encerrar as operações em instalações pertencentes à GAESA, o setor turístico cubano já se encontrava em estado de coma.
O MENINO PRISONEIRO POLÍTICO
Kajsa Ollongren(esquerda), Representante Especial da União Europeia (UE) para os Direitos Humanos, expressou preocupação com o prisioneiro político cubano Jonathan David Muir Burgos(direita), de 16 anos, que está detido na prisão de segurança máxima de Canaleta, em Ciego de Ávila. Muir foi preso e espancado pelas forças de segurança cubana, quando protestava contra os apagões, a falta de água e de alimentos, em Morón. O menino, que possui algumas conformidades, está preso há mais de três meses. Seu estado de saúde preocupa seus pais. “Estou extremamente preocupado com a situação de Jonathan David
Muir Burgos, de 16 anos, em Cuba”. Vários atores da sociedade civil me informaram que ele está detido desde março e que seu estado de saúde está se deteriorando.”
Em maio passado, o Observatório Cubano de Direitos Humanos (OCDH) e a Aliança dos Cristãos de Cuba apresentaram o caso de Muir Burgos ao representante especial, durante uma reunião no Serviço Europeu para a Ação Externa. “Apesar dos apelos às autoridades cubanas por informações sobre ele, não recebemos nenhuma até o momento. Jonathan é uma criança que deveria estar voltando para casa, para sua família”, declarou Ollongren. O caso gerou outras reações internacionais. A organização Freedom House, sediada nos EUA, denunciou a prisão do menor como um exemplo do nível de repressão exercido pelo regime cubano diante da crescente insatisfação social na ilha.

publicada em 11 de junho de 2026 às 12:00 




