IRÃ SE DECLARA VENCEDOR DA GUERRA E ABRE O ESTREITO DE ORMUZ. O PETRÓLEO ESTÁ EM NOVA QUEDA NO MERCADO
Mesmo com grande parte de sua infraestrutura destruída, inflação galopante, insatisfação popular e morte de seu Aiatolá, o presidente do parlamento iraniano, Mohammed Bagher Ghalibaf, que está em Baku, capital do Azerbaijão, participando de uma reunião da Organização de Cooperação Islâmica, considera que o Memorando de Entendimento feito com os Estados Unidos é uma “declaração de derrota” dos americanos e que surge uma nova Era no Oriente Médio. Ghalibaf afirmou que somente os países da região devem determinar a ordem política e de segurança do Oriente Médio, rejeitando a interferência externa e defendendo uma maior cooperação intrarregional. “A segurança de ninguém deve depender da insegurança de outros.” Ele também está em Baku, enquanto o Irã e os Estados Unidos buscam concluir um acordo de paz duradouro. Seus comentários foram transmitidos pela televisão estatal. Hoje (24) pela manhã, o Barril do Brent estava sendo cotado, mais uma vez em queda, a US$ 72,96. O menor preço preço desde 28 de fevereiro, quando a guerra começou.
De acordo com a Iran International, Ghalibaf afirmou que a reunião em Baku ofereceria uma oportunidade para explicar os desdobramentos após o recente conflito. “A
guerra não foi simplesmente um confronto militar; pelo contrário, foi um esforço organizado para alterar o equilíbrio estratégico da região e impor sua vontade a uma nação livre“, disse ele, segundo a agência de notícias Tasnim. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a guerra em Gaza será discutida nas negociações com os EUA e reafirmou o apoio ao Hamas, na Faixa de Gaza. Ontem, Israel destruiu quatro bases de lançamento de mísseis que estavam sendo preparadas no sul da faixa de Gaza. Os comentários foram feitos em uma ligação telefônica com o representante do Hamas, Basem Naim, que elogiou o “apoio inabalável” do Irã aos palestinos, de
acordo com veículos de imprensa estatais e ligados à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). O Irã apoia o Hamas contra Israel e está levantando a questão da agressão israelense em Gaza com os EUA durante as negociações, disse o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi: “ A equipe de negociação iraniana levantará a questão da agressão contínua dos ocupantes contra Gaza” com Washington, conforme observado no relatório. A Press TV informou que Araghchi também agradeceu ao Hamas pelo apoio à Guarda Revolucionária Islâmica e reafirmou o apoio do país a um movimento político internacional em defesa do povo palestino.
Enquanto isso, o Secretário de Estado Marco Rubio, desembarcou em Abu Dhabi para apresentar o acordo de paz de US$ 300 bilhões de Trump com o Irã, com os aliados bastante cautelosos. A viagem de Rubio aos países árabes amigos dos Estados Unidos vai demorar três dias. Ele está realizando a sua primeira missão diplomática de alto nível sobre o acordo alcançado na semana passada para encerrar a
guerra que já dura quatro meses. O secretário, Marco Rubio busca tranquilizar os aliados do Golfo que consideram as concessões no acordo com os iranianos, proposto pelo presidente Donald Trump, que incluem um fundo de US$ 300 bilhões, como excessivamente generosas para um adversário regional. Questionado à chegada se planeava abordar o descontentamento dos aliados com o acordo, Rubio disse aos jornalistas: “Isso certamente será abordado nestas discussões.” Acrescentou que também iriam discutir questões não contempladas pelo memorando de entendimento.
O principal diplomata americano esteve praticamente ausente das discussões relacionadas ao Irã nas últimas semanas, com o vice-presidente JD Vance liderando uma rodada de conversas com seus homólogos iranianos no fim de semana na Suiça. As declarações de Rubio durante sua visita à região serão analisadas minuciosamente para verificar como o homem, outrora conhecido como um crítico ferrenho do Irã, enquadra um acordo que muitos republicanos no Congresso argumentam equivaler a uma capitulação. Rubio e Vance, ambos ex-senadores dos EUA, são amplamente vistos nos círculos do Partido Republicano como potenciais candidatos
para suceder Trump, com membros do partido e pesquisas iniciais frequentemente apontando a disputa como uma corrida entre os dois. A missão de Rubio é delicada: embora precise defender um acordo preliminar que Trump apoia firmemente, ele também precisa abordar de forma convincente as preocupações de seus homólogos do Golfo, que são mais cautelosos em relação ao acordo. Embora os líderes do Golfo tenham pressionado pela paz durante o conflito que durou quatro meses, muitos ficaram surpresos e desapontados com os termos do acordo.
Os aliados regionais dos EUA estão especialmente preocupados com a possibilidade de o Irã usar o fundo de reconstrução proposto de US$ 300 bilhões para reconstruir suas forças armadas. O acordo também não aborda a capacidade de mísseis balísticos de Teerã, uma preocupação para os países do Golfo, todos atingidos por mísseis e drones iranianos durante a guerra.
Teerã observou que os estados do Golfo fizeram vários ajustes logísticos para o esforço de guerra de Washington, ao mesmo tempo que abrigavam bases militares americanas que eram fundamentais para o conflito. Entre os países que Rubio está visitando estão os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait. Ambas as nações abrigam bases militares estratégicas dos EUA e ambas foram atingidas por uma série de mísseis iranianos, resultando em mortes de civis.
Os Emirados Árabes Unidos enfrentam dificuldades econômicas particularmente severas, uma vez que a guerra provocou a fuga de milhares de expatriados, peça central de sua economia não petrolífera, o que levanta questões sobre a viabilidade a longo prazo de um centro financeiro global em expansão tão próximo de um país que o atacou. Na semana passada, o Irã criou novas células secretas no Iraque para realizar ataques contra países do Golfo, incluindo o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos. Estas células realizaram pelo menos sete ataques com drones contra alvos no Kuwait, nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita durante um período de aproximadamente um mês, entre abril e maio.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram um memorando de entendimento, dando início a um período de negociação de 60 dias, durante a reunião do G-7 na França. Os pontos imediatamente relevantes do memorando de entendimento são o fim das hostilidades em todas as frentes relacionadas, incluindo no Líbano, a reabertura do Estreito de Ormuz e o acesso aos ativos congelados do Irã. O memorando de entendimento também prevê novas discussões sobre o programa nuclear do Irã e os compromissos de não desenvolver nem adquirir armas nucleares. Navios já estão navegando pelo Estreito de Ormuz sob o plano de evacuação da ONU. Pelo menos dois navios graneleiros e um navio cargueiro navegaram pelo Estreito de Ormuz ao abrigo deste programa. Pelo menos outros 35 navios comerciais, principalmente graneleiros, cargueiros e porta-contentores, estavam se preparando para navegar pelo estreito, de acordo com dados de rastreamento de navios da LSEG e da MarineTraffic. O plano, que levou meses para ser concluído, permitirá que centenas de navios com cerca de 11.000 marinheiros retidos no Golfo passem, finalmente, pelo Estreito de Ormuz.
PERIGO AÉREO
Agência da União Europeia (UE) está alertando que companhias aéreas devem continuar evitando o espaço aéreo sobre o Irã, mesmo após o acordo. A agência afirmou que violações de curto prazo do cessar-fogo entre os EUA e o Irã continuam possíveis, em particular no Estreito de Ormuz e em seus arredores, bem como no espaço aéreo adjacente. As companhias aéreas devem continuar evitando o espaço aéreo sobre o Irã, Iraque e Líbano e permanecer cautelosas em toda a região, pois violações ainda são possíveis, afirmou a EASA, agência europeia de segurança da aviação. A agência avisou que estenderá seu alerta de zona de conflito para a região até 1º de julho. A agência também alertou para a fragilidade do cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista Hezbollah o que cria a possibilidade de atividades militares que impactem o espaço aéreo do Líbano. A EASA afirmou que todos os operadores devem ter cautela e levar em consideração os riscos potenciais ao operar no espaço aéreo do Bahrein, Kuwait, Israel, Jordânia, Catar, Omã, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

publicada em 24 de junho de 2026 às 10:24 






