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ABDAN COMEÇA MARATONA DE REUNIÕES COM VÁRIAS LIDERANÇAS POLÍTICAS PARA APRESENTAR NOVAS PROPOSTAS PARA O PROGRAMA NUCLEAR BRASILEIRO

A Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN) iniciou uma agenda de encontros com lideranças políticas e representantes da indústria para apresentar a “Agenda Nuclear para um Brasil Competitivo“. O documento reúne 10 propostas voltadas ao desenvolvimento do setor nos próximos anos e já foi entregue a lideranças do PT. A entidade pretende agora apresentá-lo a representantes de outras siglas que disputarão a Presidência da República nas eleições de outubro. “É um programa que foca bastante na sustentabilidade, como sempre, mas que traz a segurança energética como algo fundamental, além de abordar a saúde, o desenvolvimento tecnológico e a soberania”, afirma o presidente da ABDAN, Celso Cunha. Segundo ele, a iniciativa busca sensibilizar os principais atores políticos e econômicos para a necessidade de uma estratégia de longo prazo para o setor nuclear brasileiro, que considera atrasado em relação a outros países. “As nossas ações não são voltadas para apenas uma usina; nós não queremos apenas a conclusão de Angra 3. Queremos um projeto que garanta vida longa ao setor no país, pois um setor que possui apenas um projeto, na verdade, não tem nenhum. Nós queremos a introdução dos SMRs e a definição de uma política clara para eles”, defendeu.

Para começar, poderia apresentar uma visão geral da proposta de Agenda Nuclear para um Brasil Competitivo?

É um programa que foca bastante na sustentabilidade, como sempre, mas que traz a segurança energética como algo fundamental, além de abordar a saúde, o desenvolvimento tecnológico e a soberania, que é a grande pauta do momento em virtude de tudo o que está acontecendo no mundo. A ABDAN desenvolveu esse conjunto de propostas da indústria para os candidatos à presidência por meio de seu conselho curador. Este conselho é composto por 22 pessoas de notório saber e experiência, sendo importante destacar que nenhuma delas faz parte do quadro das empresas associadas da ABDAN. Ele é presidido pelo Almirante Rabelo, diretor da Marinha na área nuclear.

Diferentemente de propor apenas um programa nuclear genérico ou um texto nessa linha, nós fomos muito objetivos: apresentamos dez ações críticas que são perfeitamente possíveis de o próximo governo realizar, semelhante ao modelo adotado pelo G20.

O senhor poderia comentar alguns dos pontos que são propostos?

Nós falamos muito sobre a questão da flexibilização da mineração do urânio, que necessita da publicação de um decreto de regulamentação. Defendemos a realização de leilões e a participação da iniciativa privada na extração do urânio. O documento também aborda o aporte de recursos para a conclusão das obras de Angra 3, além de verbas destinadas à TEP (Tecnologia de Enriquecimento de Processo) e à USEXA (Usinas de Enriquecimento por Centrifugação) na INB (Indústrias Nucleares do Brasil), bem como para a própria Marinha e Aramar.

As ações defendidas também passam pelo tratamento da saúde e do câncer. Para você ter uma ideia, temos quase 840 mil casos novos de câncer por ano no país. Desse total, cerca de 250 mil pessoas morrem anualmente, sendo que 102 mil dessas mortes poderiam ser evitadas. Atualmente, esse serviço é muito centralizado na região Sudeste, o que evidencia o pouco acesso que o restante da população tem. Na proposta do programa, discutimos essa necessidade de difundir o tratamento e também a urgência do Reator Multipartidário Brasileiro (RMB). Efetivamente, o RMB foi planejado para ser um projeto de seis anos, de acordo com o cronograma apresentado; contudo, passados três anos e meio, mal se começou a fazer a terraplanagem de apenas uma parte do terreno.

Para além dessas questões, quais são os outros tópicos abordados no programa que podem ajudar a fomentar o setor nuclear?

Falamos também sobre a expansão da fábrica de combustível da INB, porque de nada adiantará a estrutura atual se não colocarmos mais 30 cascatas de centrifugação para funcionar a fim de atender à demanda. Um ponto importante que as pessoas muitas vezes não enxergam é que Angra 3 é muito maior do que se imagina. Está todo mundo focado em investir na INB, mas ela só terá sustentabilidade econômica se conseguirmos viabilizar a entrada em operação de Angra 3, ou de uma terceira ou quarta usina, para garantir escala. É fundamental compreendermos esse movimento macro, que vai muito além de Angra 3 isoladamente.

Além disso, propomos um programa de lei geral para a energia nuclear nos moldes do que foi feito para o setor de petróleo, visando criar um ambiente favorável para toda a cadeia produtiva, que é extremamente importante. Mencionamos também as ações críticas para atingir os recursos necessários à construção do RMB, o enquadramento dos projetos como estratégicos de acordo com a nova lei do licenciamento ambiental e a derivação tecnológica do LABGENE, na qual os conhecimentos e capacidades acumulados são utilizados como base para o desenvolvimento de um SMR civil, otimizado para aplicações energéticas estacionárias.

Por fim, tratamos ainda da articulação para o suprimento de recursos voltados à conclusão da construção do irradiador. Como você pode ver, focamos muito em ações diretas.

Qual será a agenda de apresentação e articulação política da ABDAN a partir de agora?

Uma vez consolidado esse material, nós já demos a largada no dia 16 de junho. Promovemos, junto com a Frente do Brasil Competitivo e mais três frentes ligadas à tecnologia nuclear, um almoço com o Edinho Silva, coordenador da campanha do PT. O Edinho inclusive gravou um vídeo falando sobre a importância da tecnologia nuclear. Depois disso, conversamos com o Ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que é o ministro coordenador do CDPNB (Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro), para entregar o documento a ele.

Ontem, tivemos uma reunião com o Sérgio Gabrielli, por orientação do próprio Edinho Silva. O Gabrielli é o coordenador do programa de campanha do presidente Lula e já nos indicou a pessoa responsável pela redação do plano de governo. Já estamos em tratativas para incluir a temática nuclear na agenda deles. 

Quais serão os próximos eventos?

Dando continuidade às agendas, teremos agora no dia 1º de julho um encontro com o Gilberto Kassab, presidente do PSD, com o mesmo intuito. Também estamos com agendas marcadas com o presidente da FINEP, com o secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e com a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Faremos o lançamento oficial do programa na FIRJAN, aqui no Rio de Janeiro, e posteriormente na FIESP, em São Paulo.

Estamos buscando todos os ministros e os principais articuladores políticos, conversando com cada um individualmente. Haverá também um grande lançamento no evento da revista Manchete, no Rio de Janeiro, no dia 6 de agosto. Além disso, no dia 18 de agosto, conversaremos diretamente com a imprensa por meio do Nuclear Communication, oportunidade em que também faremos o lançamento dessas propostas. 

Estamos mostrando a todos os atores que este assunto é fundamental. Passou da hora de o Brasil resolver essa questão. As nossas ações não são voltadas para apenas uma usina; nós não queremos apenas a conclusão de Angra 3. Queremos um projeto que garanta vida longa ao setor no país, pois um setor que possui apenas um projeto, na verdade, não tem nenhum. Nós queremos a introdução dos SMRs e a definição de uma política clara para eles.

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