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CONSUMO DE ENERGIA POR IA PODE CHEGAR A 60% DA DEMANDA DOS DATA CENTERS EM ATÉ CINCO ANOS

O consumo de eletricidade destinado ao treinamento e à inferência de modelos de inteligência artificial (IA) deverá saltar de 25% para 60% da demanda total dos data centers nos próximos três a cinco anos, substituindo gradualmente outras cargas de trabalho de tecnologia da informação. A projeção faz parte do relatório “IA encontra a rede elétrica: moldando o cenário energético dos data centers”, divulgado pelo Instituto de Pesquisa da Capgemini.

O estudo, que ouviu mais de 600 executivos do setor elétrico de empresas com receita anual superior a US$ 500 milhões, aponta que a rápida expansão dos data centers voltados para IA tem elevado a demanda por eletricidade e tornado mais complexa a previsão do consumo de energia. Ao mesmo tempo, a pesquisa indica que a própria IA pode contribuir para melhorar a eficiência operacional das concessionárias.

Entre os entrevistados, a maioria espera enfrentar picos de demanda mais intensos e menos previsíveis. Além disso, mais de três quartos (77%) afirmam ter dificuldades para estimar com precisão a demanda futura de eletricidade à medida que os padrões de consumo ligados à IA se tornam mais variáveis.

O levantamento também identifica um descompasso entre a demanda projetada e a efetivamente realizada. Segundo 67% dos executivos, é comum receber solicitações de carga para data centers que acabam não sendo concretizadas. Em média, cerca de 19% desses pedidos nunca se materializam, o que pode levar tanto a investimentos excessivos quanto à falta de infraestrutura.

Essa incerteza afeta diretamente o planejamento de investimentos. As concessionárias precisam definir quanto investir em expansão da capacidade e modernização da rede, além de decidir onde e quando realizar esses aportes. Para os operadores de grandes data centers, o cenário também dificulta decisões sobre infraestrutura diante das incertezas em relação à demanda, à disponibilidade da rede e aos prazos de conexão.

Outro desafio apontado pelo estudo é o ritmo de crescimento da demanda. Cerca de 68% dos executivos acreditam que a expansão dos data centers ocorrerá mais rapidamente do que a capacidade de ampliação da oferta de energia.

A concentração geográfica dessas instalações também preocupa o setor. Mais da metade dos entrevistados afirma que a elevada concentração de carga em determinadas regiões representa um obstáculo para a confiabilidade do sistema elétrico, criando gargalos que afetam a estabilidade da rede e o planejamento de novos investimentos.

A IA está transformando os sistemas de eletricidade muito além do crescimento da demanda. Ela expõe limitações estruturais na capacidade da rede, no planejamento e na disponibilidade de energia, ao mesmo tempo que torna a demanda mais dinâmica e difícil de prever”, disse Claire Gauthier, Diretora Global de Energia e Utilities da Capgemini. “O desafio não é mais apenas quanta energia é necessária, mas se ela pode ser fornecida de forma confiável, onde e quando for necessária. As concessionárias de energia têm um papel fundamental como orquestradoras do sistema ao aproveitar insights habilitados por IA para equilibrar a rede e os recursos pertencentes aos clientes, acelerar a capacidade de entrega e viabilizar a próxima fase de crescimento dos data centers.

Apesar dos desafios, os executivos enxergam a IA como uma ferramenta para aprimorar a operação das redes elétricas. Cerca de 60% dos entrevistados esperam que análises avançadas baseadas em IA proporcionem ganhos superiores a 10% na redução de falhas, no aumento da produtividade operacional e na prevenção e recuperação de interrupções no fornecimento de energia.

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