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FEDERAÇÃO NACIONAL DOS ENGENHEIROS DEFENDE FORMAÇÃO DE MAIS PROFISSIONAIS PARA SUSTENTAR O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL

A engenharia precisa ocupar um papel central na estratégia de desenvolvimento do Brasil. Essa é a avaliação do presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Pinheiro, que defende a expansão da infraestrutura energética alinhada ao fortalecimento da indústria nacional, ao investimento em inovação e à formação de mais profissionais da área. “Por ano, o Brasil forma apenas cerca de 45 mil engenheiros. Para um país com as dimensões e o potencial do Brasil, esse número é muito baixo. Precisamos de mais incentivos na área de exatas e na formação profissional”, declarou. Pinheiro também apresenta as propostas do projeto Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento, iniciativa que reúne contribuições para os programas de governo dos candidatos às eleições, com foco em áreas como energia, transporte, habitação, recursos hídricos e meio ambiente.

Para começar e situar o nosso leitor, você poderia falar um pouco sobre a atuação geral da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e o momento atual da entidade no setor?

A Federação Nacional dos Engenheiros conta hoje com 18 sindicatos estaduais filiados e representa em torno de 750 mil profissionais em todo o país. A nossa atuação vai além das questões corporativas; nós discutimos intensamente os rumos da sociedade, propondo melhorias, crescimento e desenvolvimento para o Brasil.

É nesse contexto que se insere o projeto Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento, uma iniciativa por meio da qual apresentamos propostas factíveis para os candidatos à Presidência da República e aos governos estaduais. O nosso intuito é contribuir em todas as áreas essenciais, como meio ambiente, energia, recursos hídricos, transporte, habitação, entre outras. Nós propomos ideias e soluções concretas para ajudar na construção do programa de governo de cada um desses candidatos, independentemente de partido político, pois faremos a entrega desse material para todos eles.

O projeto Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento já completou 20 anos de existência. Você poderia nos contar um pouco sobre o histórico e a evolução dessa iniciativa?

Esse projeto nasceu em 2006. Naquela oportunidade, nós avaliamos que o engenheiro e o profissional da área tecnológica precisavam “tirar a cabeça de debaixo da terra” e participar efetivamente das grandes discussões da sociedade brasileira. Para viabilizar a ideia, realizamos 30 seminários, sendo 15 distribuídos pelos estados e 15 na capital de São Paulo. Em cada um deles, abríamos o debate com um tema central e o discutíamos de forma muito robusta. Naquele ano de eleições, o presidente Lula era candidato à reeleição, e nós apresentamos esse projeto a ele e a todos os demais postulantes ao cargo.

Logo após ser reeleito, o presidente solicitou que três de seus ministros viessem ao nosso encontro para que detalhássemos o Cresce Brasil. Nós fizemos essa apresentação detalhada e, a partir dali, o governo se espelhou no nosso projeto para lançar o PAC. O primeiro Programa de Aceleração do Crescimento foi lançado com base no Cresce Brasil, obviamente com uma amplitude maior em determinadas áreas, mas a semente foi o nosso projeto. Desde então, a cada dois anos, nós realizamos novos seminários e publicamos um caderno atualizado, alternando entre propostas para candidatos a prefeito e, dois anos depois, para governadores e presidente.

Antes de entrarmos especificamente no tema de energia, você poderia traçar um panorama geral dos objetivos centrais e dos pontos de maior destaque desta nova edição do Cresce Brasil?

A área energética é, sem dúvida, um dos pontos fundamentais desta edição. Quando olhamos para o cenário global, vemos que o Brasil já detém cerca de 50% de energia sustentável em sua matriz, o que nos coloca em uma posição de destaque. Diante disso, neste caderno, nós estamos interligando a discussão da área energética com a reindustrialização do país e com a educação. Na verdade, trata-se de debater a engenharia e o papel que ela desempenha no desenvolvimento tecnológico. O foco central desta nova publicação gira em torno do que chamamos de soberania energética e, mais precisamente, de soberania tecnológica.

Entrando agora de forma detalhada na área de energia e transição energética, quais são as propostas centrais da Federação?

Neste Cresce Brasil, nós propomos a expansão da infraestrutura energética de forma diretamente associada a uma estratégia nacional de desenvolvimento. Entendemos que essa expansão é capaz de fortalecer a nossa indústria e ampliar de forma significativa a competitividade do país. No que diz respeito à tecnologia, a nossa entidade defende firmemente que a transição energética deve ser acompanhada pelo fortalecimento da indústria nacional, pelo incentivo à inovação tecnológica e pela geração de empregos qualificados internamente. Portanto, quando falamos de energia, de reindustrialização e de inovação, temos que falar, evidentemente, da valorização da engenharia e do crescimento e absorção de profissionais qualificados nessa área.

Como a entidade enxerga o cenário atual da engenharia brasileira no que diz respeito à formação de novos profissionais?

Na questão da formação de engenheiros, nós enfrentamos algumas dificuldades e lidamos com realidades bem complexas. Uma delas diz respeito à lei do salário mínimo profissional da categoria, que precisa, sem dúvida nenhuma, ser rigorosamente cumprida. O curso de engenharia é muito difícil, robusto e exigente, por isso o profissional precisa ter uma perspectiva real e uma oportunidade justa de trabalho ao se formar. Existem vários nuances que podemos discutir no campo do ensino. Nós defendemos, por exemplo, que o trabalho deve começar ainda no ensino médio, que precisaria oferecer uma formação melhor para que o estudante chegue à faculdade com uma base mais sólida.

O cumprimento do salário mínimo profissional é fundamental para dar uma perspectiva de futuro ao aluno que inicia a graduação. Além disso, estamos debatendo a situação das faculdades de engenharia diretamente com o Ministério da Educação, buscando criar condições para formar bem os novos profissionais. Afinal, a engenharia exige aprimoramento contínuo; o profissional precisa estar se preparando o tempo todo para acompanhar os avanços tecnológicos nacionais e mundiais.

Pensando agora no outro lado dessa moeda, que são as empresas, quais seriam as principais medidas necessárias para fomentar as companhias de engenharia no Brasil e fazer com que o setor volte a ser pujante?

Para responder a isso, precisamos ir à base do problema e falar sobre a taxa de juros. Se o objetivo é fazer a indústria crescer, é indispensável repensar a questão financeira. Além disso, precisamos ter a consciência de que o Brasil não pode se limitar a exportar commodities em seu estado bruto; nós temos que ser capazes de exportar o produto final, acabado. Se queremos uma indústria forte, essa discussão é urgente.

Um exemplo disso é o setor de terras raras. Nós também realizamos recentemente um grande seminário sobre semicondutores e chips para debater a necessidade de termos fábricas instaladas aqui no Brasil que atendam a essa demanda e nos deem condições de evoluir. Toda essa cadeia industrial precisa ser muito bem articulada. 

Nós temos excelentes exemplos no país, como a Embraer, que é uma empresa fantástica, com bilhões investidos e um volume expressivo de aeronaves vendidas globalmente. Temos também grandes referências no setor elétrico, como a WEG, em Santa Catarina, que possui uma operação fantástica e estratégica. Iniciativas como o programa Nova Indústria Brasil, lançado pelo governo federal por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostram um caminho correto. Devemos focar na reindustrialização, na redução de juros e na criação de condições para termos uma indústria nacional forte e cada vez mais competitiva no cenário global.

Olhando para o futuro e considerando as propostas que a Federação está apresentando, quais são as perspectivas para a engenharia brasileira nos próximos anos?

O crescimento do país e o fortalecimento da formação técnica são os temas centrais que devem nortear essa discussão. Nesta edição do Cresce Brasil, nós enfatizamos muito a relevância da formação técnica e o volume de profissionais que colocamos no mercado. Para se ter uma base de comparação, podemos olhar para a China: dos nove membros que comandam o comitê principal do país, a grande maioria é composta por engenheiros. Eles formam cerca de 1,3 milhão de engenheiros por ano, enquanto o Brasil possui um total acumulado de aproximadamente 1,2 milhão de profissionais ativos em todo o seu território.

Por ano, o Brasil forma apenas cerca de 45 mil engenheiros. Para um país com as dimensões e o potencial do Brasil, esse número é muito baixo. Precisamos de mais incentivos na área de exatas e na formação profissional. Outro ponto essencial que defendemos permanentemente é a criação da carreira de Estado para engenheiros. Ao estabelecer a engenharia como carreira de Estado, garantimos que o setor público conte com profissionais técnicos qualificados em posições estratégicas, assim como ocorre com o direito e outras carreiras jurídicas. Sem essa estrutura, a engenharia muitas vezes é deixada de lado, cargos técnicos acabam ocupados por outras formações e o país perde a capacidade de alcançar o desenvolvimento tecnológico e o crescimento devidos.

Para encerrarmos, quais serão os próximos passos da Federação e as novidades após o lançamento desta publicação?

O nosso trabalho agora, após o lançamento nacional, será levar o projeto a cada um dos estados. Estamos agendando reuniões para apresentar o documento individualmente aos candidatos a governador e a presidente da República, com o objetivo de discutir de que forma as nossas propostas técnicas podem ajudar a compor os seus respectivos planos de governo. Fazemos isso de forma totalmente isenta, sem qualquer outro interesse que não seja promover uma discussão estritamente técnica.

Queremos apresentar o projeto também ao Parlamento, dialogando com os senadores e deputados que queiram participar do debate. Esta não é uma proposta político-partidária, mas sim uma proposta de política técnica voltada para a engenharia. Nosso objetivo é contribuir para que a engenharia seja tratada como uma política de Estado, e não como uma plataforma de governo ou de um partido específico. Tanto a Federação quanto os nossos sindicatos filiados não possuem vinculação partidária; a nossa atuação é focada na política da engenharia e no desenvolvimento do país.

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Paulo
Paulo
21 dias atrás

A questão não é a falta de engenheiro, e sim falta de fiscalização do teto salarial oferecido e uma vergonha , mas o boleto do CREA chega todo mês.

Leonardo
Leonardo
21 dias atrás

Conheço dezenas de engenheiros, inclusive bem formados e com os graduação em federal desempregados, absorvam os que estão aí depois incentivem

Marcos
Marcos
19 dias atrás

O problema não é a falta de engenheiro no mercado, mas sim a falta de fiscalização e ações por parte do CREA. Fiscalização não existe, a quantidade de obras sem fiscalização na minha cidade é uma coisa absurda, inúmeras residência sendo construídas sem RT, uma cidade de 90 mil habitantes e sem controle algum. Falta ação do CREA dentro das prefeituras, dentro das legislação municipais e estaduais, quem já se viu concurso ofertando vaga para engenheiro civil com salário de 2000 reais!? Você assumir a carga de responsabilidades de um município inteiro pra ganhar isso. Não desmerecendo as profissões mas… Leia mais »

Jairo
Jairo
17 dias atrás
Responder para  Marcos

Agente de Endemias com nível fundamental ganhando mais que engenheiro em Prefeitura

Cristiano Feitosa
Cristiano Feitosa
19 dias atrás

Muitos engenheiros formados e poucos trabalhando na engenharia.
É necessário primeiramente absorver os formados.