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EFEITO ORMUZ: PREÇO DO QUEROSENE DE AVIAÇÃO AUMENTA QUASE 50% PARA AS EMPRESAS NO BRASIL, APONTA OS DADOS DA QUIVE

Não foi à toa que a Petrobrás teve um lucro recorde no trimestre, passando de R$ 52 bilhões. A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que já dura mais de quatro meses, e a ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz levou por alguns poucos dias o patamar do preço do barril Brent acima de US$ 100, mas tivemos muito mais dias com ele oscilando entre US$ 82 e US$ 92 dólares, com o nosso custo de produção aqui no Brasil, com pouca elevação. Sabemos que a  rota é responsável pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo mundial, principalmente para os países asiáticos, mesmo assim, espalhou brasa por aqui. E a determinação da Petrobrás foi cobrar o mesmo preço, segundo a EIA (U.S. Energy Information Administration).  De acordo com dados levantados pela Qive, plataforma líder do contas a pagar, entre 2024 e 2026, o querosene de aviação teve o maior reajuste de preço, que disparou 49,8%, saltando de R$ 5,66 para R$ 8,48 o litro.

Uma simulação do estudo aponta que, caso o volume de 2025 tivesse sido mantido com os preços de pico de 2026, o custo adicional seria de R$ 7,8 bilhões para o setor aéreo. Com isso, o mercado B2B reduziu compras de combustíveis em até 63%. Foram analisadas 17,7 milhões de Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) responsáveis por movimentar R$ 386,4 bilhões, dos seguintes produtos: gasolina automotiva e de aviação, gás de cozinha (GLP), querosene de aviação (QAV), óleo combustível (fuel-oil), óleo diesel (gasóleo), etanol anidro e etanol hidratado. O levantamento comparou os picos de preços de 2025 com as máximas de 2026 e constatou que o setor de transporte e logística foi o mais atingido.

Daniel Paschino, CFO da Qive, diz que  “Os dados sugerem que as empresas optaram por uma tática de contenção imediata, freando as compras na esperança de um conflito de curta duração. Para times financeiros, isso sinaliza a importância de monitorar o cenário geopolítico, a exposição a insumos voláteis, e manter estoques calibrados, garantindo apenas a margem de segurança para evitar interrupção das atividades, sem imobilizar recursos em insumos caros. Em cenários de alta prolongada, firmar contratos longos no pico é um risco que pode ser evitado com mais inteligência sobre os próprios dados de compra.” Além da aviação, outro impacto de custo está no óleo combustível, essencial para o transporte marítimo, com alta de 34,5% (de R$ 5,17 para R$ 6,95 o quilo). Em seguida vem o óleo diesel, que subiu 14,4%, chegando a R$ 7,15 o litro na máxima de 2026. Já o gás de cozinha (GLP) sentiu o choque de forma mais contida, com leve aumento de 1,3% no ambiente corporativo.

O levantamento ainda mostra que, nos cinco primeiros meses de 2026, houve uma contração média de 11,5% no volume movimentado na maior parte dos insumos. A quantidade comprada de querosene de aviação, por exemplo, despencou 62,6%. A grande exceção foi a gasolina de aviação, com reajuste de 30,8% no total consumido. “Quando um insumo encarece muito mais do que seu substituto, as empresas tendem a migrar. Os dados sugerem que parte do mercado corporativo fez exatamente isso: reduziu a exposição ao combustível mais caro e deslocou demanda para alternativas mais acessíveis. Isso revela algo importante: quando os dados de documentos fiscais são lidos em conjunto, os padrões de comportamento B2B aparecem antes de qualquer pesquisa de mercado.”, complementa Daniel.

CRÍTICAS DA FUP

A Federação Única dos Petroleiros ( FUP) divulgou esta manhã (7) um comunicado dizendo que, mesmo sob críticas do mercado, a Petrobrás segurou os preços dos combustíveis no 2º trimestre, compensou a estratégia com mais exportações e registrou lucro recorde. Para a coordenadora-geral da Federação, Cibele Vieira, o resultado mostra que a empresa poderia ter feito mais na contenção dos preços internos se não fosse a pressão dos acionistas por maiores lucros e dividendos. Para lembrar, conforme o Petronotícias informou,  a empresa divulgou na noite de ontem (6) lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no período e anunciou R$17,4 bilhões em dividendos. Embora alto, o valor corresponde a 33% do lucro, proporção que vem caindo.

Cibele avalia como positivo o aumento dos investimentos da companhia no trimestre, que somaram US$ 5,3 bilhões, com alta de 19,6% na comparação com o mesmo período de 2025. Segundo ela, em meio à guerra e à volatilidade do barril, todas as petroleiras tiveram ganhos extraordinários. “A guerra aumentou o lucro de todas as petrolíferas. As empresas aproveitam a conjuntura de insegurança para aumentar seus lucros. Não deveria ter ninguém lucrando com guerra, nem estatal nem privada“, afirma. A dirigente da FUP observa ainda que a alta rentabilidade do setor comprova que não há necessidade de subsídios tributários do governo. “A Petrobrás tem condições de usar seu sistema integrado para cumprir seu papel social e, mesmo assim, ser lucrativa.

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