SANÇÕES ECONÔMICAS AMERICANAS CONTRA CUBA ESTÃO SACUDINDO O MERCADO DE CHARUTOS EM TODO MUNDO. ESTÁ DIFÍCIL DE ENCONTRAR E OS PREÇOS DISPARARAM
Essa não é uma notícia boa para aquelas autoridades brasileiras que adoram unir charutos cubanos nas degustações de whisky Macallan em eventos internacionais. Ficou mais difícil encontrar os charutos cubanos originais no mercado, principalmente na Europa. O produto sumiu das prateleiras chiques e os seus preços estão ainda mais lá nas grimpas. Tudo fruto da pressão americana em cima do produto de maior alcance internacional de Cuba: os charutos. A empresa chinesa que faz a comercialização para a Europa, a Tabacalera SLU, distribuidora exclusiva do monopólio cubano Habanos SA na Espanha, teve suas contas bancárias congeladas em decorrência das sanções da União Europeia contra os negócios do empresário cambojano-chinês Chen Zhi, que esta preso na China desde o início do por razões econômicas e pode até ser condenado à morte. Há também sanções americanas contra o chinês e contra a sua empresa. Uma reportagem da publicação especializada L’Amateur de Cigare, a Tabacalera opera sob a rigorosa supervisão do Estado
espanhol. Isso significa que todos os pagamentos efetuados pela empresa agora exigem aprovação prévia da Secretaria-Geral do Tesouro do Ministério da Economia, Comércio e Indústria da Espanha. Segundo informações divulgadas pela publicação especializada, a empresa informou seus funcionários desde o início de agosto que o congelamento das contas bancárias era a consequência mais grave das sanções decididas pela União Europeia contra Chen Zhi no dia 30 de julho deste ano.
A intervenção estatal espanhola está causando atrasos em procedimentos e pagamentos, principalmente para o governo cubano que nem os salários dos funcionários está pagando. Um relatório do governo espanhol indica que o banco ING Spain encerrou sua relação comercial com a Tabacalera no final de 2025, após a divulgação das sanções americanas e britânicas contra os negócios de Chen Zhi. Desde então, importar charutos cubanos para a Europa, via Espanha, ficou muito difícil e os preços dispararam. Cuba não consegue vender os seus charutos e acumula prejuízos. A parceria entre a Habanos SA e a Tabacalera funciona como uma joint venture. De acordo com o site oficial do monopólio cubano, a Habanos SA detém 50% das ações da Cubatabaco e da ITI Cigars, empresa criada no ano 2000 para comercializar
internacionalmente charutos cubanos e outros produtos associados às marcas de tabaco da ilha. A Tabacalera SLU é sócia do regime cubano na Habanos SA, em regime de 50/50, desde a aquisição, em 2020, do negócio de charutos premium da Imperial Brands. Esta, por sua vez, é integralmente detida por uma cadeia de empresas de fachada asiáticas, das quais Chen Zhi, através da Simply Advanced Limited, controlava indiretamente 57,1%.
O mercado interno espanhol é o segundo maior da Habanos SA, ficando atrás apenas da China. Mesmo antes das sanções europeias, a Tabacalera já enfrentava problemas bancários decorrentes das sanções americanas e britânicas contra Chen Zhi. Em março, foi noticiado que a empresa espanhola havia perdido o acesso a financiamento bancário de curto prazo. A própria empresa
havia iniciado um processo de recuperação judicial em fevereiro para proteger seus relacionamentos bancários e garantir a continuidade operacional. Os problemas da Tabacalera vieram à tona depois que a Fifth Avenue Products Trading GmbH , distribuidora oficial da Habanos SA para Alemanha, Áustria e Polônia, iniciou um processo de falência após anunciar a suspensão de suas atividades comerciais devido a sanções contra Chen Zhi, um acionista indireto da empresa por meio de uma estrutura corporativa.
Em agosto, a empresa sueca Elite Trading Scandinavia AB, historicamente conhecida no setor como Habanos Nordic AB e distribuidora oficial da Habanos SA nos países nórdicos e bálticos, entrou em um processo de liquidação voluntária que encerrou um dos negócios mais lucrativos da Havana em diversos países do continente. O maior golpe para as operações da empresa foi também o escândalo envolvendo Zhi, que está detido na China desde janeiro deste ano. Em junho, Pequim anunciou que ele seria processado e enfrentaria a pena de morte. O empresário foi sancionado pela União Europeia depois de o Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA também o ter sancionado em outubro de 2025, após o acusar de fraude maciça com criptomoedas e lavagem de dinheiro, entre outros crimes.
Zhi, nascido na China, é presidente do Prince Group, no Camboja, onde obteve cidadania em 2014. Ele adquiriu o negócio de charutos de alta gama da gigante britânica do tabaco Imperial
Brands em 2020. Isso incluiu uma participação de 50% na Habanos SA, que era propriedade conjunta da empresa estatal Cubatabaco e da empresa espanhola ITI Cigars, SLU. Além da Elite Trading Scandinavia AB e da Fifth Avenue Trading, as ligações da Zhi causaram interrupções semelhantes para as importadoras britânicas Hunters & Frankau e Tabacalera USA. Ambas as empresas tiveram que esperar vários meses antes de obterem as licenças que lhes permitissem retomar as operações. A Pacific Cigar Company (PCC), distribuidora exclusiva da Habanos SA para a região Ásia-Pacífico, também enfrentou sérias dificuldades bancárias em junho, após as sanções contra Zhi. As faturas da empresa foram transferidas para a Tang Tobacco Limited, sua acionista majoritária (50%), que não está sujeita às sanções.

publicada em 24 de setembro de 2026 às 11:00 





