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A AGÊNCIA ATÔMICA E BANCOS INTERNACIONAIS ESTUDAM NOVAS FORMAS DE INCENTIVOS AOS CRESCIMENTO NUCLEAR GLOBAL

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Banco Mundial e outras instituições financeiras internacionais e bancos multilaterais de desenvolvimento estão mudando a forma de atuar para que se faça uma implementação concreta, à medida que a agência aprofunda o seu apoio aos seus esforços para promover o desenvolvimento da  energia nuclear. Para isso, a AIEA organizou um workshop sobre a expansão da cooperação para outras instituições financeiras e bancos multilaterais de desenvolvimento, esclarecendo funções, alinhando expectativas técnicas e regulamentares e promovendo uma cooperação concreta para ajudar os países  a prosseguirem com a energia nuclear de acordo com as normas de segurança, proteção e não proliferação. As sessões reuniram especialistas de alto nível do Grupo Banco Mundial, do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), do Banco Asiático de Desenvolvimento e do Fundo da OPEP.

O Diretor-Geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, que é candidato à presidência da ONU, disse que  “Tem sido significativo contar com a presença de especialistas de alto nível destas organizações aqui na AIEA para dar seguimento a esta cooperação e apoiar os países em aplicações de energia nuclear e não energéticas, desde a saúde e segurança alimentar à proteção da água e do ambiente.” A Agência também revelou que um novo relatório mostra que a energia nuclear fornece eletricidade limpa, fiável e acessível, representando cerca de 9% da produção global de energia. O estudo apresentado demonstra ainda que isto equivale a aproximadamente 25% de toda a eletricidade de baixo carbono, sem emissões de gases com efeito de estufa no ponto de geração.

Fonte de baixo carbono

Pelas projeções da agência, a capacidade nuclear operacional global poderá mais do que duplicar até 2050 num cenário elevado, atingindo 2,6 vezes o nível de 2024. A subida será impulsionada em parte pela implantação de pequenos reatores modulares, SMRs. A energia nuclear está entre as fontes de eletricidade mais limpas quando avaliada ao longo de todo o seu ciclo de vida, que inclui mineração de urânio, fabrico de combustível, construção, operação e desmantelamento das centrais. Mesmo considerando todas estas fases, as emissões totais de gases com efeito estufa permanecem extremamente baixas, comparáveis às da energia eólica e inferiores às da energia solar. Dados do Sistema de Informação sobre Reatores de Potência indicam que, em 20 de janeiro de 2026, estavam em operação 415 reatores em todo o mundo, com uma capacidade total de 376,0 GW(e).

Confiança para satisfazer necessidades crescentes

A AIEA sublinha que as centrais nucleares fornecem energia de base fiável, operando quase continuamente a plena capacidade. Esta característica contrasta com fontes renováveis variáveis, como a solar e a eólica, cuja produção depende das condições meteorológicas. A energia nuclear complementa as renováveis ao suavizar a variabilidade e reduzir a dependência de combustíveis fósseis de apoio, sendo também considerada para responder à crescente procura de eletricidade por centros de dados.

Crescente mobilização de financiamento

O relatório destaca um aumento do impulso para financiar a energia nuclear. A agência  tem expandido a cooperação com instituições financeiras internacionais para apoiar países na exploração e financiamento de programas nucleares. Paralelamente, 33 países endossaram a Declaração para Triplicar a Energia Nuclear, com o objetivo de triplicar a capacidade global até 2050.

Usinas Angra 1 e 2

Contribuição para setores difíceis de descarbonizar

Segundo a AIEA, reatores de alta temperatura, SMRs e sistemas híbridos podem fornecer calor de baixo carbono para processos industriais em setores como o aço, o cimento e a indústria química. A agência refere ainda o potencial da energia nuclear para apoiar o transporte marítimo, incluindo a eletrificação de portos e a propulsão nuclear. Ela  assinala que a tecnologia nuclear continua a evoluir, com novos desenhos de reatores que oferecem maiores margens de segurança, maior eficiência e vida útil prolongada.

Os SMRs são apontados como uma solução com prazos de construção mais curtos, menores custos iniciais e maior flexibilidade operacional. O relatório destaca também os avanços em conceitos de reatores avançados e o progresso da fusão nuclear como potencial fonte de energia limpa a longo prazo, atualmente tida como prioridade estratégica de investigação e desenvolvimento em vários países. A AIEA  apoia os países que optam pela energia nuclear através do fornecimento de dados, análises e conhecimento técnico como contribuição da energia nuclear para a descarbonização.  Estas iniciativas visam reforçar capacidades nacionais, apoiar o planeamento energético e promover sistemas energéticos mais seguros, resilientes e com menor impacto ambiental.

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