A AGÊNCIA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL AMERICANA DÁ SINAL VERDE PARA A CONSTRUÇÃO DO TÚNEL DA LINHA 5 SOB O LAGO DE MICHIGAN QUE VAI ABRIGAR UM OLEODUTO
Orlando- Por Fabiana Rocha – A obra do túnel sob o lago de Michigan ganhou um superaliado. O administrador da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), Lee Zelden (Foto principal), anunciou apoio à construção do túnel planejado sob o Estreito de Mackinac, para instalar um novo trecho de sete quilômetros do problemático oleoduto e gasoduto Line 5 da empresa canadense Enbridge, em substituição ao trecho que está dentro da água causando discussões e debates desde 2018. Os comentários de Zelden seguiram-se ao anúncio da governadora de Michigan, Gretchen Whitmer(direita), de que os órgãos reguladores ambientais do estado iriam reconsiderar uma importante licença ambiental concedida à linha 5. Em agosto, o Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA concedeu as aprovações para a construção do túnel de aproximadamente 7 quilômetros sob o Estreito de Mackinac. Este túnel abrigará um segmento da linha 5, que substituirá um
trecho antigo que está dentro do lago e foi arrastado pela âncora de um navio, po pouco não causando um incidente de grandes proporções ambientais. Os comentários de Zeldin foram feitos durante uma mesa-redonda sobre energia com membros da indústria de petróleo e gás em Michigan e reiteram que o governo continua se opondo aos esforços do governo Whitmer para fechar o oleoduto crucial que transporta petróleo e gás natural do Canadá, de Superior, Wisconsin, de volta para o Canadá, até uma refinaria em Sarnia, Ontário. Qualquer fechamento do Oleoduto 5 poderia ter um impacto dramático não apenas na disponibilidade de gás natural em Michigan, mas também no fornecimento de combustível de aviação para aeroportos importantes, como o Aeroporto Wayne County de Detroit e o Aeroporto Lester Pearson em Toronto.
Nas últimas duas semanas, Michigan não foi o único campo de batalha afetado pelo Oleoduto 5. Em 26 de agosto, um caminhão plataforma entrou indevidamente em um abrigo de evacuação no Condado de Iron, Wisconsin, causando um vazamento de aproximadamente 1,3 milhão de galões de gás natural. O vazamento foi o maior da história do estado de Wisconsin desde pelo menos 1986 e ocorreu a poucos quilômetros da reserva da Tribo Chippewa de Bad River, na região do Lago Superior. O incidente levou a tribo e outras entidades a pedirem ao governador de Wisconsin,
Tony Evers, que declarasse estado de calamidade pública e estado de emergência. Caso Wisconsin o faça, isso poderá levar o Departamento de Recursos Naturais de Wisconsin a interromper a construção de um desvio temporário, deixando o oleoduto, de importância crucial, fora de serviço.
A Enbridge estima que os custos de reparo para resposta à emergência e danos a propriedades públicas e privadas ultrapassem US$ 15 milhões. O vazamento apenas aumenta a pressão sobre a
empresa canadense de oleodutos, que está sendo afetada por preocupações ambientais entre políticos democratas americanos e pela guerra comercial entre os EUA e o Canadá. Há relatos de que a Enbridge ignorou o Departamento de Recursos Naturais de Wisconsin, construiu o desvio sem as licenças necessárias e reiniciou o oleoduto. Isso levou a uma troca de farpas entre o governo Evers e a Enbridge, e aumentou a pressão exercida por Michigan. De fato, a governadora de Michigan, Whitmer, chamou o Oleoduto 5 de “…uma bomba-relógio no coração dos Grandes Lagos”.
Zeldin coloca a administração Trump na posição incomum de tentar defender a operação contínua do oleoduto e a importação de energia canadense ao mesmo tempo em que certos funcionários canadenses, como o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, estão sugerindo fortemente ao primeiro-ministro canadense, Mark Carney, que o Canadá embargue as
exportações de energia para os Estados Unidos. Com exceção do governo Trump, todos os partidos parecem estar pressionando para fechar um dos oleodutos mais importantes para dois países. Todos esses partidos, portanto, estão na posição de “cuidado com o que você deseja, pois pode conseguir…”
A empresa brasileira Liderroll, interessada na construção do túnel para o lançamento da linha de 36 polegadas sob o fundo do lago, diz que “seguimos aguardando todos os trâmites burocráticos e políticos que se estabeleceram neste caso. Do ponto de vista técnico, estamos prontos e preparados para fazer o lançamento da tubulação, tão logo sejamos contactados. Nossas tecnologias já foram testadas e aprovadas, embora saibamos que o longo trecho em declive e outro em aclive é um desafio e tanto. Sabemos disso e sabemos fazer,” afirmou Paulo Fernandes, Presidente da Empresa Brasileira.

publicada em 1 de outubro de 2026 às 16:00 






