A GULF BRASIL USOU 2025 PARA UMA REESTRUTURAÇÃO E COMEÇAR 2026 MAIS COMPETITIVA NO MERCADO DE LUBRIFICANTES
O Projeto Perspectivas 2026 abre esta semana trazendo as opiniões de um executivo experiente do setor de lubrificantes, atuando hoje como General Manager da Gulf Oil Brasil: Renato Augusto Mendes. Ele traz uma trajetória profissional marcada pela liderança em grandes empresas dos setores de lubrificantes, consumo e varejo. Na Castrol, liderou a operação Presidente para o Brasil e teve papel decisivo na estratégia local da marca. Atuou como consultor da Factor-Kline em projetos para empresas do setor de lubrificantes e, desde 2023, é professor especialista da Indústria Automotiva brasileira na FGV-SP. Também ocupou posições executivas no Magazine Luiza e construiu sua base de carreira na Unilever, onde atuou por quase duas décadas em áreas como Vendas, Supply Chain e Atendimento ao Cliente. É graduado em Administração pela Universidade de Ribeirão Preto, com MBA pela Fundação Dom Cabral e mestrado em Gestão Empresarial pela FGV-SP. A convicção de suas posições revela verdadeiramente como grande parte do empresariado brasileiro percebe os rumos políticos do país, quando se refere a uma atuação política do
judiciário brasileiro: “Este cenário não favorece a atividade econômica liberal e amplia as incertezas sobre os rumos da política econômica.”
Renato também mostra que a reforma tributária, que vai substituir cinco impostos para dois, acabou transferindo para as empresas o ônus de se adaptarem as regras velhas e atuais que coexistirão por um longo período. Ele diz ainda que “A busca por justiça tributária passa pela redução da máquina pública e pela reavaliação da real necessidade de mantermos 513 deputados federais. Em um mundo automatizado e digital, onde fiscalização e monitoramento são muito mais simples, essa estrutura já não se justifica.” Sobre a atuação da Gulf Brasil no mercado, depois de um ano de reestruturação, ele diz que “internamente temos uma Gulf Oil Brasil mais calibrada e preparada para competir no mercado nacional de lubrificantes, oferecendo performance e excelente custo-benefício aos consumidores.” Vamos, então, às opiniões do principal executivo no Brasil de uma marca das marcas de lubrificantes mais conhecidas em todo mundo:
– Como foi o ano de 2025 para a sua empresa? As perspectivas se confirmaram?
– 2025 foi um ano de ajustes operacionais: colocar a casa em ordem, reestruturar departamentos e trazer profissionais renomados do mercado para somar aos nossos talentos internos, garantindo uma atuação mais eficiente e assertiva. Nesse processo, dobramos o quadro de pessoal, ampliamos a rentabilidade e o retorno sobre os investimentos, avançamos na distribuição indireta e firmamos novas parcerias para ampliar a utilização da nossa planta de lubrificantes em Iperó, a maior do Estado de São Paulo.
– Dentro da realidade brasileira e da economia atual, quais seriam as medidas mais acertadas para que as coisas pudessem melhorar?
–A reforma tributária deveria começar reduzindo, de forma efetiva, a demanda de recursos do setor público, especialmente no que diz respeito ao tamanho das casas legislativas. A busca por justiça tributária passa pela redução da máquina pública e pela reavaliação da real necessidade de mantermos 513 deputados federais — sendo 94 apenas em São Paulo —, 55 vereadores na capital paulista e 81 senadores. Em um mundo automatizado e digital, onde fiscalização e monitoramento são muito mais simples, essa estrutura já não se justifica. E o custo recai integralmente sobre os contribuintes.
Além disso, observamos o modelo de reforma tributária previsto para entrar em vigor a partir de 2026, que propõe substituir cinco tributos (PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI) por dois — a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Embora simplifique normas e obrigações, o processo impõe às empresas uma transição longa e complexa até 2032. Durante esse período, regras antigas e novas coexistirão, aumentando a complexidade operacional. Na prática, a busca pela simplificação acabou transferindo grande parte do ônus para as empresas.
– Quais são os problemas atuais que podem ser vistos como risco à nossa estabilidade política e econômica?
-Até os anos 2000, o Judiciário era menos “politizado”. Hoje, percebemos posições mais alinhadas ora à esquerda, ora à direita, enquanto o Legislativo também tenta interferir em questões jurídicas. Esse cenário não favorece a atividade econômica liberal e amplia as incertezas sobre os rumos da política econômica, dependendo de qual poder exerce maior influência em determinado momento.
O país carece de uma política estruturada de investimentos de longo prazo. Embora exista uma rede de atendimento imediato à população mais vulnerável, faltam iniciativas de Estado voltadas ao desenvolvimento futuro, como mostrou o atraso de anos para liberar os estudos de exploração de petróleo na margem equatorial. Paralelamente, assistimos ao aumento dos feminicídios, expostos diariamente na televisão, sem qualquer mobilização abrangente das autoridades diante de um problema que afeta o presente e o futuro do país. Esse cenário revela como decisões estratégicas têm sido postergadas: desde a demora para autorizar a
Petrobrás a aprofundar estudos de exploração na região Norte, do Amapá, próximo à foz do Rio Oiapoque, até o Rio Grande do Norte, abrangendo as bacias Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar, até a ausência de ações efetivas dos parlamentares para enfrentar a escalada dos feminicídios.
– Quais são as perspectivas para 2026? Mais otimista ou mais pessimista? O que fazer para termos um ano melhor?
-De forma conservadora, internamente temos uma Gulf Oil Brasil mais calibrada e preparada para competir no mercado nacional de lubrificantes, oferecendo performance e excelente custo-benefício aos consumidores. Externamente, porém, 2026 será um ano de eleições, indefinições e incertezas, marcado pela polarização entre esquerda e direita, um caminho que, já sabemos, não trouxe avanços. Basta observar os últimos 25 anos para ver como o Brasil deixou de evoluir: em 2000, ocupávamos a 9ª posição no ranking das maiores economias globais; hoje, devemos estar em 10º lugar, atrás de Rússia e Canadá. Para termos um ano melhor, seria fundamental elegermos parlamentares, governadores e um presidente comprometidos com questões estruturais e com o futuro do país.

publicada em 15 de dezembro de 2025 às 4:00 







