A LAPP ESPERA QUE O BRASIL CRIE MAIS POSSIBILIDADES DE UM AMBIENTE QUE FAVOREÇAM OS INVESTIMENTOS PRODUTIVOS EM 2026
O Projeto Perspectivas 2026 traz hoje a participação do empresário Aldo Martins, CEO da LAPP no Brasil. Com sede em Stuttgart, a empresa é uma das principais fornecedoras de soluções integradas e produtos de marca no campo da tecnologia de cabos e conexões. O portfólio da empresa inclui cabos e fios altamente flexíveis, conectores industriais, prensa-cabos, soluções personalizadas de montagem, tecnologias para automação e robótica voltadas para a fábrica inteligente do futuro, além de acessórios técnicos. O principal mercado da LAPP é a engenharia mecânica e de plantas industriais. Outros setores relevantes são a indústria alimentícia, logística, setor de energia e mobilidade. Em 2024 a LAPP faturou 1,82 bilhão de euros e empregou 5.700 pessoas em todo o mundo em suas 26 unidades de80 países.
Em suas observações, Aldo Martins acredita que “Uma melhora consistente do ambiente econômico brasileiro
depende principalmente da criação de condições que favoreçam mais investimentos produtivos. Um dos pontos importantes para isso é tornar o capital mais acessível às empresas, já que grande parte dos projetos de modernização industrial.” Ele traz também uma preocupação que é a de todos os empresários que atuam no Brasil: o cipoal tributário. Ao invés de facilitá-lo, complica-se ainda mais: “ Outro ponto relevante para o próximo ano é a fase inicial da reforma tributária, que exige adaptações operacionais e ajustes de sistemas, mas que deve ocorrer de maneira gradual e planejada.” Vamos então saber mais sobre o balanço das atividades da companhia em 2025 e quais são as perspectivas para o ano que já está chegando:
– Como foi o ano de 2025 para a sua empresa? As perspectivas se confirmaram?
– O ano de 2025 foi extremamente positivo e marcou um ciclo de realizações importantes para a empresa. As perspectivas de crescimento projetadas no início do período não apenas se confirmaram, como foram impulsionadas pela aquisição estratégica da Eurocabos, que fortaleceu nossa posição no mercado e ampliou significativamente nossa escala de atuação. Essa movimentação acelerou nosso crescimento e nos permitiu acessar uma gama muito maior de produtos e, consequentemente, novos mercados e segmentos.
Além da expansão inorgânica, o mercado brasileiro se mostrou bastante aquecido ao longo do ano, com um volume expressivo de projetos e investimentos industriais voltados à modernização, automação e expansão de plantas. Conseguimos capturar esse movimento, alcançando um crescimento orgânico sólido. O segmento automotivo, em particular, teve um papel de destaque: foi o grande
impulsionador do setor em 2025, apoiado por planos de investimento robustos que se estendem até 2030.
Ao longo do ano, mantivemos nosso foco em identificar e ocupar espaços onde podemos gerar valor diferenciado para os clientes, seja por meio de agilidade, prazos de entrega reduzidos ou soluções adaptadas às necessidades de cada projeto. Essa capacidade de resposta rápida continua sendo um dos nossos principais diferenciais e contribuiu diretamente para o desempenho expressivo alcançado em 2025.
– Dentro da realidade brasileira e da economia atual, quais seriam as medidas mais acertadas para que as coisas pudessem melhorar?
– Uma melhora consistente do ambiente econômico brasileiro depende principalmente da criação de condições que favoreçam mais investimentos produtivos. Um dos pontos importantes para isso é tornar o capital mais acessível às empresas, já que grande parte dos projetos de modernização industrial, especialmente aqueles ligados à automação e à Indústria 4.0, demanda financiamentos e envolve tecnologias muitas vezes atreladas ao dólar. Quando o custo desse financiamento é alto, os projetos tendem a avançar mais lentamente. Por isso, medidas que contribuam para facilitar o acesso ao crédito e tornar esses investimentos mais viáveis têm impacto direto na competitividade da indústria.
O Brasil também conta com uma vantagem relevante: a força do seu mercado interno, que sustenta boa parte da atividade econômica do país. Por
isso, estimular os setores que atuam como verdadeiros motores de crescimento como, por exemplo, o automotivo, alimentos e bebidas, agronegócio, transporte e mobilidade urbana, energias renováveis e toda a infraestrutura digital que envolve data centers e cloud, é uma das maneiras mais eficazes de impulsionar um ambiente mais dinâmico e favorável ao desenvolvimento de toda a cadeia industrial. No âmbito corporativo, a principal estratégia para que as coisas avancem é manter o foco na inovação e na capacidade de atender às necessidades específicas dos clientes.
– Quais os problemas atuais que podem ser vistos como um risco à nossa estabilidade política e econômica?
– A análise dos riscos à estabilidade econômica e operacional precisa ser feita com cuidado, sempre separando o que são desafios naturais do ciclo econômico e o que representa, de fato, pontos de atenção. Do ponto de vista econômico, um dos fatores que merece monitoramento é o custo do crédito, que influencia diretamente a capacidade de investimento das empresas. Em um cenário em que muitos projetos industriais dependem de financiamento, especialmente aqueles voltados à modernização e à adoção de novas tecnologias, encontrar condições mais favoráveis para viabilizar esses investimentos é essencial para que a indústria continue avançando.
No cenário internacional, mudanças comerciais entre grandes países, podem trazer reflexos pontuais para setores exportadores, como o agrícola
e o mineral, e por isso merecem acompanhamento contínuo. Outro ponto relevante para o próximo ano é a fase inicial da reforma tributária, que exige adaptações operacionais e ajustes de sistemas, mas que deve ocorrer de maneira gradual e planejada. Diante desse conjunto de fatores, buscar novos mercados, ampliar portfólios, oferecer soluções ágeis e flexíveis e atuar com proximidade são estratégias que ajudam a atravessar qualquer cenário com solidez.
– Quais são as Perspectivas para 2026? Mais otimista ou mais pessimista? O que fazer para termos um ano melhor?
– As perspectivas para 2026 são positivas, mas com a consciência de que o ano exigirá atenção e planejamento. O otimismo vem do fato de que a economia brasileira deve manter um ritmo de crescimento, ainda que moderado, o que tende a estimular novos investimentos industriais. Além disso, o país segue impulsionado por grandes verticais que continuam em expansão como, por exemplo, alimentos e bebidas, mobilidade urbana, agronegócio, energias renováveis e toda a infraestrutura digital ligada a data centers e cloud, setores que naturalmente sustentam a demanda por tecnologia, automação e soluções de conectividade.
Ao mesmo tempo, 2026 traz particularidades que pedem cautela. O calendário inclui eleição e Copa do Mundo, eventos que normalmente reduzem o número de dias úteis e ajustam o ritmo de execução de projetos, algo que já faz parte do comportamento natural do mercado nesses períodos. Outro ponto importante será a adaptação das empresas à primeira fase prática da reforma tributária, que entra em vigor em janeiro e
exige ajustes de sistemas e processos, embora sem grandes impactos imediatos no ambiente de negócios.
Para que 2026 seja um ano melhor, o caminho passa por reforçar aquilo que está sob controle das empresas. Isso significa apostar em inovação, ampliar portfólios, desenvolver mercados e oferecer soluções cada vez mais alinhadas às necessidades reais dos clientes. A diferenciação continuará baseada em agilidade, flexibilidade e capacidade de adaptação, seja na entrega rápida, na personalização ou na proximidade com o cliente para entender as especificidades de cada projeto. Em um cenário com desafios, mas também com muitas oportunidades, quem investe em eficiência, valor agregado e inovação tende a navegar o ano com solidez e capturar os melhores resultados.

publicada em 30 de dezembro de 2025 às 4:00 




