NAO DELETAR
HMFLOW

A MARINHA LIDERA UMA OPERAÇÃO PARA EXERCÍCIOS DE PROTEÇÃO DOS CABOS SUBMARINOS DO BRASIL POR ONDE TRAFEGA A INTERNET

Mesmo sem dinheiro, a Marinha do Brasil começou a receber os meios navais na Praia do Futuro, em Fortaleza, para a participarão do 2º exercício de proteção de cabos submarinos, previsto para começar nesta segunda-feira (10). O treinamento tem como objetivo proteger as infraestruturas críticas associadas à soberania digital, à segurança cibernética e à integridade das comunicações nacionais.  A iniciativa teve origem no Workshop sobre Proteção de Cabos Submarinos, realizado em 2024, que reuniu autoridades governamentais, especialistas em segurança cibernética e representantes do setor de telecomunicações. O evento evidenciou a necessidade urgente de empregar capacidades operacionais específicas para a proteção dessas infraestruturas, responsáveis por quase a totalidade das transmissões de dados no Brasil.

Como resultado direto dos debates, foi realizado um exercício de proteção dos cabos submarinos, por onde trafegam grande parte dos dados da internet. que testou, pela primeira vez no Brasil, procedimentos integrados de vigilância, resposta a incidentes e coordenação interagências para a proteção desses sistemas. Para este exercício, a marinha mobilizou 385 militares e 23 meios, incluindo o Navio de Socorro Submarino “Guillobel” (K120), o Submarino “Humaitá” (S41) e o helicóptero SH-16 “Seahawk”, além do Avião de Patrulha P-95 “Bandeirulha”, da Força Aérea Brasileira (FAB). Também participarão do exercício, como parte desse esforço, 44 técnicos de diferentes empresas de cabos submarinos.

O Submarino “Humaitá,”  um dos mais modernos meios da MB, realizará uma operação de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR) na área marítima de Fortaleza, o maior hub de cabos submarinos da América Latina. As ações ocorrerão a 50 milhas náuticas (cerca de 90 quilômetros) do Porto de Mucuripe (CE). Navegando a 300 metros de profundidade, o Submarino veio da foz do Rio Amazonas, onde participou da Operação “Atlas 2025”, e chegou ao Ceará em 6 de novembro.

O NSS “Guillobel” é um navio especializado em operações de mergulho e salvamento de submarinos, baseado no Rio de Janeiro, a 1.800 milhas náuticas (3.334 quilômetros) de Fortaleza. O navio tem participado das ações de proteção de cabos submarinos, demonstrando capacidade para localizar e inspecionar esses cabos. Durante o exercício em Fortaleza, o “Guillobel” realizará testes de operação com um veículo submarino remotamente pilotado, de fabricação nacional, produzido pela empresa BRS Robótica.

Criada em 2025, durante o processo de reestruturação do Corpo de Fuzileiros Navais, a Divisão Litorânea tem como objetivo aprimorar a capacidade operacional dos Fuzileiros Navais em áreas litorâneas, expandindo suas tarefas e capacidades para garantir a segurança e a defesa da costa brasileira. Os Fuzileiros Navais da Divisão Litorânea integrados aos do 3º Batalhão de Operações Litorâneas de Natal serão responsáveis pela segurança física de áreas e instalações em terra que fazem parte do sistema de cabos submarinos, contribuindo com as empresas de telecomunicações na proteção dos data centers e estações terrestres.

O SH-16 Seahawk é um helicóptero multipropósito da MB, cuja missão principal é a guerra antissubmarino e antissuperfície. Também é empregado em atividades como busca e salvamento, evacuação aeromédica e transporte logístico. Durante o exercício, a aeronave realizará ações de IVR, diurnas e noturnas, com o objetivo de identificar e registrar atividades de mergulho e a operação de veículos submarinos empregados nas ações de proteção. A MB dispõe do Comando Naval de Operações Especiais, do Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais e do Grupamento de Mergulhadores de Combate, do Centro de Guerra Acústica e Eletrônica e do Esquadrão de Guerra Cibernética para a realização de operações não convencionais, nos diferentes domínios em que se desenvolvem os conflitos modernos, contribuindo para o emprego do Poder Naval.

Durante o Exercício “Tridente”, os Mergulhadores de Combate e os Comandos Anfíbios realizarão treinamentos de abordagem a navios suspeitos e retomada de instalações, com foco na proteção de infraestruturas críticas dos cabos submarinos, tanto no mar quanto em terra. No domínio cibernético, o Esquadrão de Guerra Cibernética aproveitará o exercício para estreitar laços com as empresas de telecomunicações, compreender o funcionamento de seus sistemas de tecnologia da informação e operacional, além de apresentar suas capacidades para contribuir com a defesa cibernética dos sistemas. Esse conhecimento mútuo visa aprimorar os protocolos de acionamento da Força e viabilizar a realização de exercícios futuros no domínio cibernético.

O Centro de Guerra Acústica e Eletrônica da Marinha viabilizará ações de inteligência por meio das análises de emissões eletromagnéticas e acústicas, bem como pela análise de imagens satelitais e aerofotogramétricas, fornecidas pela FAB, que integrará o exercício com aeronaves de patrulha e com seus meios satelitais de reconhecimento. Na condição de coordenador do exercício, o Comando Naval de Operações Especiais tem atuado em articulação com o Comando do 3º Distrito Naval e com o Comando de Operações Marítimas e de Proteção da Amazônia Azul, contribuindo para a integração e o emprego coordenado dos meios envolvidos. O Comandante Naval de Operações Especiais, Contra-Almirante (Fuzileiro Naval) Stewart, disse que  “A concentração estratégica desses meios na área marítima do Ceará, demonstra a capacidade da Marinha do Brasil para operar em qualquer área da Amazônia Azul, garantindo a segurança dos interesses brasileiros no mar e em terra.”

O  exercício de proteção de cabos submarinos tem como objetivo simular cenários de ameaça e resposta a incidentes, envolvendo cabos submarinos, estruturas essenciais para a economia global e para a segurança nacional. Durante o exercício, serão testados protocolos de vigilância marítima, procedimentos de comunicação entre agências, capacidade de detecção de atividades suspeitas e tempo de resposta a emergências, em região estratégica da costa brasileira. Os cabos submarinos são responsáveis pela transmissão de dados financeiros, governamentais, científicos e de comunicação entre os continentes. Qualquer interrupção nesses sistemas pode gerar impactos econômicos significativos e comprometer a soberania digital do País. Por isso, a proteção dessas estruturas é considerada prioridade estratégica para a segurança nacional.

Por meio da atuação permanente na Amazônia Azul, a MB contribui para a vigilância e o monitoramento das rotas onde estão instalados os cabos submarinos, reforçando a presença do Estado brasileiro no mar. A integração entre vigilância naval e segurança cibernética representa um novo paradigma na defesa nacional, onde a proteção do território marítimo se conecta diretamente à integridade da comunicação digital. “O exercício em Fortaleza (CE) reafirma o compromisso da Marinha do Brasil em fortalecer suas capacidades operacionais para proteger infraestruturas essenciais, assegurando a continuidade e a segurança das comunicações vitais para o País e o mundo. A participação de múltiplas agências e empresas privadas demonstra que a proteção de infraestruturas críticas exige abordagem integrada e colaborativa”, conclui o Capitão de Fragata Ricardo, do Comando Naval de Operações Especiais.

A operação conta com a participação de diversos órgãos públicos, como o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), a Polícia Federal, a Companhia Docas do Ceará (CDC), a Polícia Civil do Estado do Ceará, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a Polícia Militar do Estado do Ceará (PM/CE), a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), a Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras), os Ministérios da Defesa e das Comunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). Também integram o exercício empresas privadas do setor de telecomunicações e tecnologia, como Telxius, Azion, Claro, Sparkle, V.Tal-Globenet, Seaborn, Angola Cables, Blue Marine, Emgepron, Backbone, BRS Robótica, Tidewise e Tecto.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários