A PPSA PODERÁ LEILOAR O GÁS ARGENTINO DE VACA MUERTA QUE CHEGA AO BRASIL POR UMA REDE DE GASODUTOS APARENTES
A PPSA está na bica de receber a autorização para também leiloar o gás importado de Vaca Muerta, no extremo sul da Argentina, diretamente para empresas que operam no mercado aberto de gás. A PPSA já foi autorizada a realizar leilões de gás para empresas de setores industriais com alto consumo de gás, como as produtoras de fertilizantes. Os preços desse gás poderiam ser até 50% mais baixos do que os preços de venda da Petrobrás. O gás natural de Vaca Muerta poderá ser incluído em leilões especiais de gás natural para indústrias, promovidos pelo governo brasileiro para reativar a demanda industrial. O objetivo é reduzir o preço final do gás estatal em mais de 50% para estimular a demanda em setores industriais específicos.
O projeto Vaca Muerta também chama a atenção pela forma de construção do gasoduto. Ele corta o deserto e as áreas do sul da Argentina de forma aparente, proporcionando mais segurança, mais rapidez na construção, sendo muito
mais barato. Esta é a mesma defesa do empresário Paulo Fernandes, Presidente da Liderroll, através de todos estes anos, desde que Magda Chambriard ainda era Diretora Geral da ANP: “Nós sempre defendemos a construção dos novos gasodutos e oleodutos de forma aparente. Não precisam ser enterrados, onde a segurança é até mais difícil de controlar. Os dutos aparentes são muito mais baratos de se construir e podem proporcionar uma segurança desenvolvida. Acredito que será uma tendência no futuro. Os argentinos estão de parabéns.”
A autorização para a PPSA realizar leilões de gás natural de curto prazo (2026-2030) e de longo prazo (a partir de 2030), permitirá a venda direta de gás natural da UE para o mercado aberto, especialmente para indústrias que utilizam grande quantidade de gás. O termo “gás da União” refere-se aos volumes de gás detidos pela PPSA, empresa que representa o Estado nos contratos de partilha de produção com a Petrobrás e outras operadoras em campos do pré-sal. Nesse sistema, as empresas petrolíferas cedem ao Estado uma parcela de sua produção excedente de petróleo e gás. Trata-se de um esquema semelhante ao implementado pela província de Neuquém nas novas concessões de hidrocarbonetos não convencionais que contemplam a possibilidade de pagamento de royalties em espécie (isto é, entrega da produção de petróleo ou gás à empresa estatal de Neuquén, GyP). O Brasil está considerando o gás de Vaca Muerta em leilões para indústrias. A novidade no Brasil é que o MME está avaliando se a PPSA pode realizar leilões não apenas com gás proveniente de contratos de partilha de produção.
Até o momento, a PPSA praticamente delegou a comercialização de seus volumes de gás à Petrobrás. A estatal petrolífera compra todo o gás da União na boca do poço, a preços próximos a US$ 2 por milhão de BTU (MMBTU), e o revende
para indústrias a preços que variam entre US$ 9 e US$ 12 por MMBTU. Os leilões seriam abertos apenas para empresas de segmentos industriais que são grandes consumidoras de gás, como a produção de fertilizantes, a indústria química e petroquímica ou siderúrgicas. A interpretação do governo é que os volumes de gás detidos pela PPSA ao abrigo de contratos de partilha de produção são insuficientes para provocar uma alteração drástica na procura de gás por parte das indústrias. Essa demanda diminuiu nos últimos anos devido à queda no fornecimento de gás da Bolívia e ao aumento das importações de GNL, que são mais caras. Em todo caso, a PPSA ainda precisa finalizar as negociações com a Petrobrás sobre o uso de sua infraestrutura de processamento e transporte de gás. O governo quer que a Petrobrás cobre uma tarifa menor pelo uso dessa infraestrutura para o gás da União. A expectativa oficial é realizar o primeiro leilão de fornecimento de curto prazo nos últimos dois meses deste ano.

publicada em 5 de outubro de 2026 às 15:00 




