A REATIVAÇÃO DA USINA DE ÁGUA PESADA DA PROVÍNCIA DE NEUQUÉN ENTRA NO PLANEJAMENTO DA ARGENTINA
A Comissão Nacional de Energia Atômica da Argentina informou que realizará trabalhos de manutenção na Usina Industrial de Água Pesada de Neuquén e preparará um processo de licitação para as obras necessárias para a retomada da produção. A Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEA) afirmou que o trabalho envolveria modernização, atualizações tecnológicas e reformas, e que sua função de manutenção foi concebida para “preservar os ativos críticos da usina e evitar o chamado ponto de não retorno, onde a degradação mecânica poderia prejudicar significativamente sua futura reativação”.
A Planta Industrial de Água Pesada (PIAP) em Neuquén, abasteceu o programa nuclear argentino desde 1993, mas foi desativada em 2017. Com capacidade para 200
toneladas por ano, era a maior instalação desse tipo no mundo e continua sendo uma das mais avançadas. A CNEA e o governo da província de Neuquén têm estudado a possibilidade de retomar a produção nos últimos anos e têm discutido o potencial de exportação. A CNEA afirmou que, desde que a usina foi desativada, “os custos de conservação e manutenção representavam um ônus significativo para o governo nacional, sem que a usina gerasse qualquer receita para a CNEA”. O processo de licitação nacional e internacional “aberto e transparente” para a reforma “permitirá avançar rumo a um modelo de negócios viável que gere receita para a Comissão e reposicione a Argentina como produtora de água pesada”.
A Candu Energy, parte da AtkinsRéalis, assinou um memorando de entendimento (MoU) com a CNEA em maio de 2025, que previa a retomada das operações da Usina Industrial de Água Pesada, “juntamente com a aquisição a longo prazo de sua produção de água pesada. O memorando também prevê o planejamento relacionado ao estabelecimento de uma ou mais instalações semelhantes de produção de água pesada no Canadá”. Para lembrar, água pesada – água contendo uma elevada concentração de moléculas com átomos de deutério (hidrogênio pesado) – é usada como moderador e refrigerante em reatores CANDU, que utilizam combustível de urânio não enriquecido. Em 2023, a CNEA afirmou que as usinas nucleares argentinas de Atucha I, Atucha II e Embalse necessitariam, em conjunto, de cerca de 485 toneladas de água pesada até o momento de sua desativação planejada, e sugeriu que o restante da produção poderia ser exportado para outros países que utilizam reatores de água pesada pressurizada, como Canadá, China, Índia, Romênia e Coreia do Sul. A substância também é utilizada em diversas aplicações científicas e técnicas, inclusive como traçador em investigações médicas e em vários tipos de espectroscopia.

publicada em 29 de janeiro de 2026 às 14:00 




