A RODOVIA RÉGIS BITTENCOURT, QUE LIGA CURITIBA A SÃO PAULO, VAI RECEBER R$ 7,2 BILHÕES EM INVESTIMENTOS
A EPR Participações, que venceu o leilão da concessão da BR-116 entre Curitiba e São Paulo, a Rodovia Régis Bittencourt, ao oferecer desconto de 22,53% sobre a tarifa básica de pedágio, está preparando uma lista de coisas a fazer. O novo contrato, com vigência até 2041, prevê aproximadamente R$ 7,2 bilhões em investimentos nos 383 quilômetros da rodovia, considerada um dos principais corredores logísticos entre as regiões Sul e Sudeste. O programa de investimentos contempla a ampliação da capacidade da rodovia, a recuperação da infraestrutura e melhorias operacionais e de segurança. Entre as intervenções anunciadas estão 69 quilômetros de duplicações, implantação de vias marginais, contornos urbanos e serviços permanentes de conservação e manutenção.
Para o transporte rodoviário de cargas, porém, o resultado da nova concessão dependerá da prioridade atribuída aos trechos mais congestionados e perigosos e do cumprimento dos cronogramas estabelecidos, a expectativa do setor é que os investimentos anunciados sejam convertidos em intervenções capazes de melhorar efetivamente a rotina das transportadoras. Segundo Luiz Gustavo Nery, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), a nova concessionária deverá concentrar esforços nos pontos que mais comprometem a operação.
“Os gargalos dessa região são conhecidos de qualquer transportadora: geometria deficiente na Serra do Cafezal, ausência de faixas adicionais em subidas longas, acostamentos precários e acessos mal projetados em travessias como Registro e Miracatu. A nova concessão precisa ir além do recapeamento e deve ampliar a capacidade viária nos trechos críticos, implantar terceiras faixas nos segmentos de serra e criar áreas de descanso adequadas aos motoristas”.
Congestionamentos, acidentes e interdições ao longo do trajeto acrescentam horas às viagens e reduzem a previsibilidade das entregas entre Paraná e São Paulo. Para as transportadoras, o tempo de espera representa maior consumo de combustível, despesas adicionais com motoristas, perda de janelas de entrega e dificuldade para cumprir compromissos em centros de distribuição, indústrias e terminais portuários. A insegurança também
impacta o custo das operações, especialmente diante das ocorrências de roubo de cargas nos trechos próximos à Região Metropolitana de São Paulo e ao Vale do Ribeira. Além da execução das obras, a entidade defende acompanhamento permanente dos investimentos e maior participação dos usuários da rodovia na fiscalização do contrato. “A experiência com concessões anteriores nos ensina que contrato assinado não garante obra entregue. O SETCEPAR defende auditorias periódicas e públicas pela ANTT e pelo TCU, com indicadores claros de avanço físico e financeiro. O setor precisa de garantias reais, não de promessas”, finaliza Nery.

publicada em 13 de agosto de 2026 às 14:00 




