ACORDO DE PAZ GERA EXPECTATIVA POSITIVA NO MERCADO, MAS RETOMADA DE EXPORTAÇÕES DE ÓLEO NO GOLFO SERÁ GRADUAL
As expectativas da semana não ficarão só em torno dos jogos da Copa do Mundo. Na próxima sexta-feira (19), os olhos do mundo estarão voltados para Genebra, na Suíça, quando deve ser assinado o tão aguardado acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, anunciado ontem de noite (14). Nesta segunda-feira (15), o mercado de óleo e gás deve sentir os efeitos do anúncio, com expectativa de volatidade nos preços do barril. Contudo, apesar da sinalização de que o confronto deve chegar ao fim, os efeitos do prologando confronto e do fechamento do Estreito de Ormuz devem ainda perdurar por algum tempo. A retomada do tráfego pela rota marítima deve garantir o retorno ao mercado global da produção de petróleo interrompida pelo conflito, que atingiu um pico de cerca de 12 milhões de barris por dia (bpd) em maio.
Em seu relatório Horizons de maio, a consultoria britânica Wood Mackenzie apresentou diferentes cenários sobre os impactos da reabertura do estreito nos mercados de energia, nos preços do petróleo e do GNL e na economia global. Com o cenário da reabertura do Estreito de Ormuz ainda em junho, a Wood Mackenzie acredita que boa parte da produção interrompida poderá ser restaurada relativamente rápido.
Dados da consultoria indicam que Arábia Saudita e Iraque já começaram a elevar preventivamente sua produção. Na maioria dos casos, o principal gargalo não estará na capacidade dos reservatórios, mas na logística necessária para retomar as exportações e realizar a partida segura dos campos.
Considerando uma retomada gradual e controlada das operações, a análise aponta que os campos afetados pelo fechamento do estreito poderiam recuperar cerca de 70% da produção anterior em três meses e aproximadamente 90% em seis meses. Entretanto, o último milhão de barris por dia deverá levar significativamente mais tempo para retornar.
A recuperação depende de uma série de variáveis relacionadas aos reservatórios. Entre elas estão a idade, maturidade e tamanho dos campos, a proporção da produção interrompida, o período em que os poços permaneceram fechados e a qualidade do processo de paralisação, que em muitos casos ocorreu sob pressão e em curto espaço de tempo.
Também são fatores relevantes as características dos reservatórios, a qualidade do petróleo, o ponto de bolha, os mecanismos de recuperação utilizados, as tecnologias empregadas e até mesmo a salinidade da água presente nos sistemas de produção.
Além dos desafios subterrâneos, existem obstáculos operacionais na superfície. Sistemas de manuseio de gás e reinjeção de água precisam ser religados simultaneamente para evitar danos aos reservatórios. Em muitos campos, a participação de água nos fluidos produzidos deverá aumentar temporariamente, tornando a retomada e a reotimização desses sistemas uma etapa crítica do processo.
Há ainda desafios relacionados à cadeia de suprimentos. A recuperação pode ser afetada pela disponibilidade de equipes especializadas, problemas mecânicos em sistemas de elevação artificial, necessidade de religamento da geração elétrica remota e questões ligadas à integridade e ao escoamento dos oleodutos. Segundo a consultoria, alguns dos poços mais antigos ou mais complexos provavelmente nunca recuperarão totalmente sua produção.
RETOMADA DAS EXPORTAÇÕES
A consultoria destaca quatro etapas fundamentais para que as exportações retornem aos níveis registrados antes da guerra.
A primeira é garantir a passagem segura das embarcações pelo Estreito de Ormuz, sem restrições em nenhuma direção. Armadores, seguradoras e operadores de navios dificilmente aceitarão menos do que isso.
A segunda etapa consiste em liberar os navios atualmente retidos no Golfo. A expectativa é que essas embarcações já estejam carregadas com petróleo ou derivados e prontas para seguir viagem. O terceiro desafio envolve a restauração da logística de carregamento de petroleiros. Navios vazios posicionados fora da região precisarão retornar para receber cargas provenientes de estoques armazenados nos terminais. Esse processo criará espaço de armazenamento para que a produção possa ser retomada.
Segundo a Wood Mackenzie, será necessário destravar todo o fluxo logístico dos petroleiros. Como muitos navios levarão semanas para completar suas viagens e retornar, outras embarcações precisarão ser reposicionadas para sustentar a recuperação dos fluxos de exportação. A quarta etapa é restabelecer toda a cadeia de valor do petróleo em cada país, incluindo poços produtores, oleodutos, refinarias, instalações petroquímicas, tanques de armazenamento e terminais de carregamento.

publicada em 15 de junho de 2026 às 5:00 





