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AGÊNCIA INTERNACIONAL DE ENERGIA PREVÊ QUE GERAÇÃO RENOVÁVEL VAI CRESCER 8% EM 2026 E SE TORNARÁ PRINCIPAL FONTE DE ELETRICIDADE NO MUNDO

Fatih Birol, diretor-geral da AIE

As fontes renováveis deverão se tornar, em 2026, a principal fonte de geração de eletricidade do mundo, ultrapassando o carvão após praticamente igualarem sua participação em 2025. A geração renovável deverá crescer mais de 8% em 2026, elevando sua participação na matriz elétrica global de 33% em 2025 para 37% até 2027. A previsão está mais recente edição do Electricity Mid-Year Update, relatório divulgado hoje (23) pela Agência Internacional de Energia (AIE), dirigida por Fatih Birol.

A energia solar fotovoltaica continuará liderando a expansão da oferta de eletricidade. Segundo a AIE, a geração solar deverá crescer fortemente nos próximos dois anos e ultrapassar a geração eólica em 2026, tornando-se a segunda maior fonte renovável de eletricidade do mundo, atrás apenas da hidreletricidade. A produção mundial de energia solar fotovoltaica deverá aumentar cerca de 600 TWh em 2026, repetindo o crescimento recorde observado em 2025. Para 2027, a expectativa é de manutenção desse ritmo de expansão.

O relatório destaca ainda que a demanda global por eletricidade deverá crescer em ritmo mais acelerado em 2026, mesmo diante das turbulências nos mercados de energia e da volatilidade dos preços. De acordo com o estudo, embora as recentes interrupções no mercado global de gás natural, provocadas pela guerra no Oriente Médio, tenham elevado os custos de geração de eletricidade em diversas regiões, o forte crescimento da demanda da indústria, dos eletrodomésticos, dos sistemas de refrigeração, dos veículos elétricos e dos data centers deverá manter o consumo mundial de energia elétrica em trajetória de expansão.

A AIE projeta que a demanda global por eletricidade crescerá 3,6% em 2026 e outros 3,8% em 2027, acima da expansão de 3% registrada em 2025. Com isso, o consumo mundial deverá alcançar 30.700 terawatts-hora (TWh) em 2027, frente aos 28.600 TWh registrados em 2025.

Segundo o relatório, as interrupções no fluxo de gás natural liquefeito (GNL) pelo Estreito de Ormuz colocaram à prova os mercados de eletricidade em todo o mundo. A situação elevou os preços do gás natural na Ásia e na Europa aos níveis mais altos desde a crise energética de 2022-2023 e levou alguns países a adotar medidas emergenciais para reduzir o consumo de energia.

Apesar disso, os sistemas elétricos conseguiram, em grande parte, absorver os impactos da crise até o momento. O aumento da oferta de GNL, especialmente proveniente da América do Norte, contribuiu para aliviar a pressão sobre o mercado. Ainda assim, a alta dos preços do gás levou diversos países da Ásia e da Europa a substituir parte da geração movida a gás natural por usinas a carvão. Ao mesmo tempo, o crescimento da geração de energia renovável contribuiu para diversificar a matriz elétrica de vários países, fortalecendo a segurança energética e reduzindo os efeitos da crise.

Entre as maiores economias do mundo, a China deverá registrar aceleração no crescimento do consumo de eletricidade, que deverá atingir 5,5% em 2026, impulsionado pela atividade industrial e pela expansão da infraestrutura de recarga de veículos elétricos. Na Índia, a demanda deverá crescer 7%, recuperando-se da desaceleração provocada pelas condições climáticas em 2025. Já entre as economias avançadas, a IEA projeta expansão próxima de 2% tanto nos Estados Unidos quanto na União Europeia.

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