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AIR LIQUIDE IMPLANTA SEU NOVO SISTEMA DE OXI-COMBUSTÃO NO BRASIL E MIRA EM NEGÓCIOS EM VÁRIOS SETORES DA INDÚSTRIA

A Air Liquide alcançou recentemente um marco importante em suas operações na América Latina. A fabricante francesa de embalagens de vidro Verallia inaugurou em Campo Bom (RS) o primeiro forno sustentável da região, que conta com o sistema de oxi-combustão HeatOx, desenvolvido pela Air Liquide. A tecnologia promete ganhos significativos em eficiência energética e sustentabilidade, com redução no consumo de combustível e nas emissões de dióxido de carbono (CO₂), além de até 90% de diminuição nas emissões de óxidos de nitrogênio (NOx). Para o Gerente Sênior de Aplicações LATAM da Air Liquide, Mario Feltrin, o projeto em Campo Bom representa um marco fundamental para a companhia no país. “Para a Air Liquide, esta é uma oportunidade de demonstrar que a descarbonização industrial não é uma meta distante, mas uma realidade atualmente em construção”, afirmou. O executivo acrescenta que o Brasil é um mercado historicamente estratégico para a empresa e que outros setores industriais também podem se beneficiar da nova tecnologia de oxi-combustão. “Mercados com vasto potencial, como o siderúrgico, metalúrgico (incluindo a produção de alumínio) e de cimento, são alvos estratégicos para esta solução”, concluiu.

Para começar, poderia apresentar de forma resumida as principais características do sistema HeatOx e como ele se diferencia dos métodos tradicionais de combustão?

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A Tecnologia HeatOx é um sistema inovador de oxi-combustão de alta eficiência. É projetado especificamente para a otimização de fornos industriais de alta temperatura, focando em segurança, eficiência operacional e descarbonização.

Diferente da combustão tradicional, o sistema HeatOx substitui o ar atmosférico por oxigênio puro. Sua arquitetura tecnológica combina sistemas de controle e queimadores especiais com trocadores de calor de altíssima performance.

O grande diferencial do sistema é o aproveitamento da energia contida nos gases quentes da chaminé, que seriam descartados. O HeatOx utiliza essa energia para pré-aquecer os reagentes antes que entrem no forno:

– Oxigênio (Comburente): Pré-aquecido a 550 °C.

– Gás Natural (Combustível): Pré-aquecido a 450 °C.

Esse pré-aquecimento otimiza drasticamente o balanço térmico e a eficiência do processo, além de reduzir as emissões atmosféricas.

Poderia explicar de forma prática como o processo de oxi-combustão contribui para ganhos de eficiência e sustentabilidade?

Verallia inaugurou forno de oxi-combustão em Campo Bom (RS)

O processo de oxi-combustão substitui o ar atmosférico (que é ~78% de nitrogênio e ~21% de oxigênio) por oxigênio puro para queimar um combustível. A remoção do nitrogênio faz total diferença, o nitrogênio não sofre nenhuma transformação dentro do forno, ele apenas entra frio, absorve uma enorme quantidade de calor (energia) e sai quente pela chaminé.

A tecnologia HeatOx da Air Liquide é um passo além da oxi-combustão padrão, é uma inovação ao processo de oxi-combustão convencional, além de reduzir drasticamente o volume dos gases de combustão eliminados na chaminé a tecnologia Heatox também recupera este calor “energia” que seria desperdiçado.

Os principais ganhos de eficiência e sustentabilidade de um sistema de Oxi Combustão que utilize a tecnologia HeatOx da Air Liquide comparado a um sistema convencional a Ar combustão, são:

– Redução de consumo de combustível (Gás Natural) de ~ 60% podendo ser até maior em alguns casos.

– Redução de Emissões de NOx (Óxidos de Nitrogênio): > 90%

– Redução na Emissão de CO2 : ~60%

– Redução do Volume de Gases de Exaustão (Fumaça): entre 70% a 80%.

– Redução de Emissões de Material Particulado (Pó): 20% a 30%.

A tecnologia HeatOx da Air Liquide garante uma redução de + 10% na redução de consumo de combustível e + 10% na redução na emissão de CO2 se comparado a sistemas tradicionais de Oxi-Combustão.

O HeatOx também promete uma redução de até 90% as emissões de NOx. Por que essa redução é importante para o setor industrial e como ela é obtida na prática?

Os óxidos de nitrogênio (NOx) são poluentes atmosféricos severos, estritamente regulados pela legislação ambiental. Eles são perigosos pois são precursores da chuva ácida, sufocam rios e lagos (causando eutrofização), além de atacarem nossos pulmões e causarem problemas respiratórios.

Para o setor industrial, reduzir a emissão de NOx é um dos maiores desafios de conformidade ambiental e responsabilidade social.

O NOx é formado, majoritariamente, quando o nitrogênio presente no ar atmosférico é exposto às altíssimas temperaturas do forno e reage com o oxigênio. No sistema HeatOx, eliminamos o “ingrediente” principal desse problema: ao usarmos 100% de oxigênio como comburente, não há nitrogênio do ar para reagir e formar o NOx resultando na queda de aproximadamente 90% nas emissões.

Reduzir o NOx é crucial para a indústria não apenas por uma questão de consciência, mas principalmente por obrigação legal, competitividade e eficiência financeira.

O novo forno da Verallia em Campo Bom marca a primeira aplicação do HeatOx na América Latina. O que representa esse marco para os planos da Air Liquide na região?

Este projeto representa um marco fundamental, com a introdução pioneira do HeatOx na América Latina.

Para a Air Liquide, esta é uma oportunidade de demonstrar que a descarbonização industrial não é uma meta distante, mas uma realidade atualmente em construção. O projeto configura-se como um exemplo robusto, evidenciando a outras empresas do setor que é plenamente possível expandir a capacidade produtiva e, simultaneamente, reduzir drasticamente a pegada de carbono.

A Air Liquide investe fortemente em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) com foco na criação de inovações suportando o crescimento sustentável da indústria global.

A Air Liquide planeja expandir o uso do HeatOx para outros segmentos industriais ou para outras plantas na região? Quais?

Desenvolvida especificamente para fornos industriais de alta temperatura, a tecnologia HeatOx possui aplicabilidade imediata na indústria de vidro, como demonstra o caso da Verallia.

Contudo, sua concepção é totalmente adaptável a outros segmentos que utilizam fornos de fusão ou reaquecimento e que exigem alta eficiência operacional e controle de emissões. Mercados com vasto potencial, como o siderúrgico, metalúrgico (incluindo a produção de alumínio) e de cimento, são alvos estratégicos para esta solução.

Quais são os planos e projeções de crescimento da Air Liquide no Brasil, especificamente?

O Brasil é um mercado historicamente estratégico para a Air Liquide, visto que estamos presentes no país desde 1945 e hoje atuamos em mais de 80% do território, com filiais existentes nas principais capitais do país.

Nossos planos de crescimento estão diretamente alinhados ao nosso plano estratégico global, chamado “Advance”.

A estratégia da Air Liquide é focada em um desempenho abrangente, combinando o crescimento financeiro com objetivos claros de desenvolvimento sustentável (ESG). A empresa visa continuar seu crescimento ao mesmo tempo em que investe nos mercados do futuro e cumpre seus compromissos de redução de emissões de CO2.

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