AMANCO WAVIN COMPLETA 20 ANOS DE OLHO EM OPORTUNIDADES EM INFRAESTRUTURA E SANEAMENTO
A Amanco Wavin, uma das marcas comerciais do grupo Orbia, está completando 20 anos de atuação no Brasil. A empresa chega a esse novo marco celebrando a importância que o país conquistou em termos de negócios. O segmento de construção e infraestrutura responde por cerca de um terço das vendas globais do grupo Orbia e tem no Brasil sua maior fonte de faturamento em todo o mundo. Por conta disso, parte relevante dos US$ 92 milhões investidos globalmente pela divisão no último ano foi direcionada ao mercado brasileiro, com foco na ampliação da capacidade produtiva e na adoção de novas tecnologias. É o que afirma o CEO da Amanco Wavin, Sergio Costa, nosso entrevistado desta quinta-feira (5). De olho especialmente no avanço do setor de infraestrutura e nos investimentos em saneamento, a empresa projeta um “crescimento cauteloso” para 2026, tendo em vista que a atual taxa de juros prejudica a evolução dos negócios. “Apesar de um cenário econômico ainda desafiador, a empresa pretende manter a liderança no mercado predial, aproveitar a expansão observada em infraestrutura e irrigação e ampliar sua atuação como provedora de serviços, integrando produtos a soluções de software e inteligência”, declarou. “Estamos com os olhos abertos para oportunidades de investimento e, à medida que elas se concretizarem, faremos os anúncios ao mercado”, concluiu Costa.
Poderia fazer um balanço geral de como têm sido os negócios no Brasil?
A Amanco Wavin faz parte de uma empresa global chamada Orbia, que possui cinco negócios. Um deles é o de construção e infraestrutura (Building and Infrastructure), que no Brasil é a Amanco Wavin. Atuamos com soluções nos segmentos predial (reformas e construção de casas e edifícios), infraestrutura (saneamento, distribuição de água e esgoto) e irrigação. Além desses três pilares, temos o segmento industrial, que vem passando por uma conversão do metal para o PVC. A marca está completando 20 anos no Brasil. É uma história de muito sucesso e crescimento. Embora não existam dados oficiais de mercado, nossas estimativas indicam que ocupamos a liderança do setor. O mercado de construção é gigantesco e vital para a economia do país, mas não dá para falar do nosso negócio sem citar a taxa de juros.
Qual o peso real da taxa de juros hoje para o setor e como a empresa se posiciona nesse cenário?
De forma simplista, a taxa de juros é um pouco “inimiga” da evolução do negócio de construção. Ela está há alguns anos em um patamar muito alto — ainda na casa dos 15%. Há expectativa de queda nas reuniões do Copom, mas não ainda para níveis que realmente impulsionem o setor. Apesar disso, a construção segue porque o Brasil é um país de muitas oportunidades. Atuamos de forma sólida, focados na nossa missão de construir ambientes saudáveis e sustentáveis, gerando impacto nas comunidades através de nossas soluções em infraestrutura e reformas.
E sobre o desempenho específico de 2025, como o senhor resumiria os resultados?
Foi um ano bastante sólido e o balanço é muito positivo, pois conquistamos exatamente o que traçamos como objetivos e desafios, mesmo sem grandes “ventos a favor” para o setor de construção. Se quebrarmos o desempenho por segmentos, vemos cenários distintos. No mercado predial, o setor de baixa renda continua sendo estratégico e de muito crescimento, enquanto a alta renda apresenta nichos de oportunidade e a média renda é a que mais sofre no contexto atual.
Já na infraestrutura, o crescimento é inegável e o Marco do Saneamento já é uma realidade; como players de mercado, vemos que os investimentos já estão acontecendo e gerando oportunidades de médio e longo prazo, independentemente de debates políticos. Por fim, a irrigação aparece como outra grande fronteira, já que menos de 10% das terras agricultáveis no Brasil são irrigadas e o agronegócio é extremamente potente, então nossas soluções focam justamente em levar a água até esses sistemas.
Quais são os planos da Amanco Wavin para os setores predial, industrial, infraestrutura e agro?
Falando da expectativa de cada segmento, o mercado predial, como mencionei, enfrenta um contexto econômico sem grandes projeções de crescimento. No geral, o mercado deve crescer apenas um dígito, acompanhando o PIB. Embora as taxas de juros joguem contra, existem movimentos para fomentar o setor, como os pacotes de investimento do governo via Caixa Econômica Federal para incentivar reformas, o que deve ajudar um pouco.
Em infraestrutura, nossas ambições são de fato mais elevadas. Temos planos que giram em torno de um crescimento de dois dígitos. Por conta disso, inclusive, já realizamos investimentos para ampliar a capacidade de algumas linhas de produção na nossa fábrica. Acompanhamos de perto os movimentos das empresas de saneamento, tanto as privatizações quanto os investimentos das empresas públicas e privadas, pois somos um player relevante nesse ecossistema.
Em irrigação, vejo um cenário de crescimento intermediário, mas com muitas oportunidades devido à potência do agronegócio e à necessidade de gestão de água. É um setor que pode sofrer oscilações, mas é pujante por natureza. O segmento industrial é estratégico, embora, em termos de representatividade no volume total do nosso negócio, ainda seja pequeno. Atuamos com parceiros específicos e soluções de nicho.
Qual é a mentalidade da Amanco Wavin para o fechamento de 2025 e a entrada em 2026?
Nossa ambição para 2026 é de crescimento, mas um crescimento com cautela. Apesar de um cenário econômico ainda desafiador, a empresa pretende manter a liderança no mercado predial, aproveitar a expansão observada em infraestrutura e irrigação e ampliar sua atuação como provedora de serviços, integrando produtos a soluções de software e inteligência.
O Marco Legal do Saneamento já caminha para o seu sexto ano. Qual é a sua leitura sobre os avanços e desafios desse setor desde o início da implementação do marco?
Eu estou na Amanco Wavin há três anos e meio. Naquela época, ouvíamos muitas dúvidas sobre se o Marco do Saneamento iria “vingar” ou não, especialmente devido às transições de governo e questões políticas. Hoje, o que vemos é que, embora o ritmo possa oscilar, é fato que os investimentos estão acontecendo. O progresso está acontecendo. O marco prevê metas ambiciosas para 2033, como mais de 90% de cobertura de tratamento de esgoto e 99% de acesso à água potável. Se chegaremos exatamente a esses índices, não me arrisco a dizer, pois não é minha área de expertise técnica, mas a tendência de evolução é clara.
Como essa movimentação do mercado de saneamento tem impactado os negócios da Amanco Wavin especificamente?
Nós sentimos esse crescimento de forma direta. Tivemos números muito bons em infraestrutura no ano passado e nossos planos para este ano projetam ainda mais crescimento. Estamos falando de contratos de médio e longo prazo, concessões e privatizações que duram 20 anos ou mais. Basta abrir o jornal para ver os investimentos anunciados e, do nosso lado, percebemos isso no volume de negócios. É um mercado competitivo, não navegamos sozinhos. Todos os players e concorrentes estão se movimentando para atender a essa demanda.
Embora o cenário de negócios seja otimista devido aos investimentos, não há o que comemorar ainda. O Brasil tem uma jornada muito longa pela frente para atingir uma situação minimamente digna para todos.
A Amanco está celebrando 20 anos no Brasil. O que esse marco representa hoje e como vocês estão posicionando a marca para o futuro?
É um marco, de fato. Embora a nossa empresa atue nesse mercado há décadas, o nascimento da marca Amanco, há 20 anos, foi o início de um projeto vitorioso focado em tecnologia, inovação e em melhorar a vida das pessoas. Para celebrar isso, decidimos resgatar um elemento icônico da nossa história: o Carlinhos Brown. Ele trabalhou conosco no início da empresa e criou aquele jingle com a assinatura musical “Amanco, Amanco”, que se tornou extremamente poderosa. Trazer o Brown de volta não é apenas uma questão técnica; ele é um artista que impacta comunidades, o que tem tudo a ver com o nosso propósito. Lançamos um jingle modernizado que mantém nossa raiz, mas aponta para o futuro como Amanco Wavin. Esse dual branding reflete nossa evolução como empresa global e é o que queremos fortalecer em todos os canais, do ponto de venda ao digital.
Para encerrarmos, embora a empresa não abra números regionais, o que o senhor pode adiantar sobre os investimentos planejados?
A Orbia possui cinco unidades de negócio, e a de construção e infraestrutura representa cerca de um terço das vendas globais do grupo. Dentro desse segmento, o Brasil representa o nosso maior faturamento no mundo. O país tem uma representatividade de dois dígitos. Isso explica por que os olhares da companhia estão tão voltados para cá; nossa relevância é altíssima devido à pujança do setor de construção brasileiro e à nossa consolidação no mercado.
Globalmente, o nosso braço de construção e infraestrutura investiu 92 milhões de dólares no último ano. Como o Brasil é o principal mercado desse segmento, uma parte muito representativa desse montante foi direcionada para cá, focando em aumento de capacidade produtiva e novas tecnologias.
Para este ano, devemos seguir o mesmo padrão de investimentos, mas não temos números oficiais para divulgar. Estamos com os olhos abertos para oportunidades de investimento, e, à medida que elas se concretizarem, faremos os anúncios ao mercado.

publicada em 5 de março de 2026 às 5:00 




