AMÉRICA DO SUL E ÁFRICA VÃO LIDERAR PERFURAÇÃO DE POÇOS EXPLORAÇÃO DE ALTO IMPACTO EM 2026
África e América do Sul devem liderar a perfuração exploratória de alto impacto em 2026, com previsão de 19 e 15 poços, respectivamente, segundo a consultoria Westwood Global Energy Group. No Brasil, os destaques ficam para os poços de Tupinambá, da BP, e Morpho, da Petrobrás. Ao todo, a empresa estima a conclusão de cerca de 65 poços de alto impacto em todo o mundo ao longo do ano, volume semelhante ao registrado em 2025. Na América do Sul, as bacias Suriname-Guiana e Santos e Campos, no Brasil, devem concentrar a maior parte das atividades.
“Na Bacia de Santos, o poço Tupinambá, da BP, é apontado como um dos principais alvos do ano, com foco em uma grande estrutura do pré-sal próxima à descoberta de Bumerangue, realizada em 2025. Já na Margem Equatorial brasileira, em águas profundas, a Petrobras mantém a perfuração do poço Morpho, na Foz do Amazonas. Mais ao sudeste, na Bacia Potiguar, a estatal pretende perfurar o poço Mãe de Ouro, dando sequência à descoberta de Anhangá, anunciada em 2024“, afirmou o gerente de pesquisa de exploração da Westwood, Jamie Collard.
No Suriname, a expectativa é de maior volume de poços exploratórios em comparação com a Guiana, onde o foco recente tem sido a avaliação e o desenvolvimento de projetos na licença Stabroek. A Petronas deve liderar as perfurações de alto impacto no Suriname, com ao menos dois poços previstos. Já a Shell concluiu recentemente o poço Araku Deep, na Planície de Demerara, sem sucesso comercial. Outros poços relevantes podem ser perfurados em águas profundas do Uruguai e na costa do Peru.
Já no continente africano, estão previstos quatro poços na Bacia de Orange, na Namíbia. A Chevron planeja perfurar o prospecto Gemsbock, marcando o primeiro poço na bacia de fronteira de Walvis desde 2018. Na Bacia de Tano-Marfim, quatro poços devem ser concluídos, sendo três operados pela Murphy Oil. O poço Civette foi finalizado sem sucesso em janeiro de 2026; Caracal está em perfuração; e Bubale deve iniciar operações ainda no primeiro trimestre.
Também são aguardados testes relevantes em bacias de fronteira, incluindo o poço Matsola, da Eni, na porção offshore da Bacia de Sirte; o Curad-1, da TPAO, na Somália; o Velox, da Shell, na Bacia de Heródoto; e o Piambo, da Azule Energy, no Mar do Namibe.
De acordo com a Westwood, embora os programas de perfuração ainda estejam sendo consolidados ao longo do primeiro trimestre, o cenário atual indica continuidade da desaceleração observada recentemente na exploração de alto impacto. Isso porque as companhias têm adotado maior disciplina na alocação de capital diante do ambiente de preços, ao mesmo tempo em que ampliam seus portfólios exploratórios para preservar oportunidades futuras.
AMÉRICA DO NORTE E ÁSIA PACÍFICO
Na América do Norte, a atividade deve permanecer moderada, com cerca de cinco poços de alto impacto previstos. O destaque é o Conifer-1, da BP, no Golfo do México, que marca o retorno da companhia ao Paleógeno em 2026. A empresa também avalia um prospecto de baixa permeabilidade próximo à descoberta de Kaskida. Shell, Chevron e TotalEnergies também devem perfurar poços relevantes na região. Não há previsão de conclusão de poços de alto impacto na vertente norte do Alasca ou no leste do Canadá.
Na Ásia-Pacífico, a estimativa é de 10 a 12 poços em 2026. Estão previstos testes em carbonatos em águas profundas na costa da Papua-Nova Guiné, em Mailu, e na Malásia, nos prospectos Jampuk e Langka. A Petronas pode iniciar o poço Akbar-1, no PSC Bobara, no leste da Indonésia, encerrando um intervalo de 12 anos sem perfuração em águas profundas na área.
A Eni segue com sua campanha na Bacia de Kutei, na Indonésia. Na Índia, a ONGC e a Oil India devem concluir campanhas exploratórias em Andaman e Kerala-Konkan no início do ano, enquanto a Vedanta (Cairn India) pode avançar com perfuração em águas profundas no bloco KG-DWHP-2017/1, na bacia Krishna-Godavari. Na Austrália, a Santos planeja retomar a exploração na Bacia de Roebuck a partir do fim de 2026, com foco nos prospectos Curie e Ara.

publicada em 23 de fevereiro de 2026 às 5:00 





