ANSN ASSINA ACORDOS COM EUA E RÚSSIA PARA AMPLIAR COOPERAÇÃO EM SEGURANÇA NUCLEAR

Ho Nieh, presidente da NRC, e Alessandro Facure, diretor-presidente da ANSN
A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) assinou, nesta semana, em Viena, dois memorandos de entendimento com autoridades reguladoras dos Estados Unidos e da Rússia, ampliando as bases de cooperação internacional em segurança nuclear e radiológica. Os acordos foram firmados durante a 70ª Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e envolvem intercâmbio de informações técnicas, desenvolvimento regulatório, capacitação profissional e experiências relacionadas à fiscalização de instalações e materiais nucleares.
Os documentos foram assinados pelo diretor-presidente da ANSN, Alessandro Facure. Pelo lado norte-americano, o acordo foi celebrado com o presidente da U.S. Nuclear Regulatory Commission (NRC), Ho Nieh. Já o memorando com a Rússia foi firmado com o presidente do Serviço Federal de Supervisão Ambiental, Industrial e Nuclear da Federação Russa (Rostechnadzor), Alexander Trembitskiy.
Ainda durante a Conferência, o diretor-presidente da ANSN também moderou o painel “General Debate on Safety Culture in Medical Applications”, promovido pelo Foro Ibero-Americano de Organismos Reguladores Radiológicos e Nucleares (FORO). Facure se reuniu ainda com Karine Herviou, diretora-geral adjunta da AIEA e chefe do Departamento de Segurança Nuclear e Proteção Física, para tratar dos avanços da ANSN em seu primeiro ano de funcionamento.
COOPERAÇÃO COM OS ESTADOS UNIDOS INCLUI NOVAS TECNOLOGIAS NUCLEARES
O memorando assinado entre a ANSN e a NRC estabelece uma base formal para a cooperação e o intercâmbio de informações técnicas não classificadas em diferentes áreas da regulação nuclear. O escopo contempla a fiscalização de instalações nucleares e materiais radioativos, segurança nuclear e física, salvaguardas, impactos ambientais e pesquisas relacionadas à segurança nuclear.

Diretor-presidente da ANSN também participou de reuniões com a AIEA durante a conferência
O acordo também prevê a troca de experiências sobre processos de licenciamento, decisões regulatórias, experiência operacional, incidentes e questões técnicas emergentes. As autoridades poderão ainda desenvolver projetos conjuntos de pesquisa, além de promover atividades de treinamento e capacitação. Informações relacionadas a tecnologias sensíveis à proliferação nuclear estão expressamente excluídas do memorando.
Durante a cerimônia, Alessandro Facure destacou a importância do entendimento com os Estados Unidos no contexto de consolidação da nova autoridade reguladora brasileira e das transformações tecnológicas em curso no setor nuclear. “Estamos muito interessados nas normas da NRC e nas melhorias que vêm sendo implementadas, especialmente diante das mudanças de paradigma associadas aos SMRs. Para nos beneficiarmos dessas tecnologias, precisamos estar preparados”, afirmou.
Facure também apontou a formação de profissionais como uma das prioridades da parceria com a NRC. Segundo o diretor-presidente, o intercâmbio poderá contribuir para o treinamento das equipes da autoridade brasileira, a capacitação de inspetores e o desenvolvimento de conhecimentos relacionados às novas tecnologias nucleares. “O treinamento da nossa equipe, a capacitação dos inspetores e a formação em novas tecnologias podem ser um importante campo de trabalho conjunto. Precisamos preparar uma nova geração de profissionais para as necessidades que estão surgindo”, disse.
MEMORANDO COM A RÚSSIA AMPLIA AGENDA REGULATÓRIA

Alexander Trembitskiy, presidente da Rostechnadzor, e Alessandro Facure, presidente da ANSN, após formalização do acordo
Na reunião bilateral com a Rostechnadzor, a ANSN firmou um segundo memorando de entendimento voltado à ampliação da cooperação na regulação da segurança nuclear e radiológica. O documento prevê intercâmbio técnico entre os órgãos reguladores, abrangendo aspectos relacionados ao desenvolvimento de normas, licenciamento e programas de inspeção.
Entre os temas contemplados estão a gestão de rejeitos radioativos e de combustível nuclear usado, o controle de materiais nucleares, a proteção física e a gestão da qualidade de equipamentos relacionados à segurança. O acordo também inclui preparação e resposta a emergências nucleares e radiológicas, além de iniciativas de capacitação.
A cooperação poderá ser realizada por meio da troca de experiências, informações e documentação técnica, bem como de visitas de especialistas, seminários, reuniões técnicas, cursos e oficinas. O memorando também abre a possibilidade de implementação de projetos conjuntos entre as instituições.
O acordo terá vigência inicial de cinco anos, com possibilidade de prorrogação. Após a assinatura, Alessandro Facure propôs que as equipes dos dois órgãos iniciem a elaboração de um plano de trabalho para definir as próximas ações destinadas à implementação do entendimento. “Nossos especialistas estão prontos para iniciar o trabalho com os seus especialistas na elaboração de um plano de trabalho para as próximas ações destinadas à implementação do memorando de entendimento”, afirmou.

publicada em 17 de setembro de 2026 às 17:00 





Esse é um acordo interessante, para não dizer bizarro. De um lado a indústria nuclear americana e o Estado veiculam processos e gestão voltados para a melhoria contínua das usinas visando a excelência. Regulam fortemente, monitoram, avaliam, desenvolvem processos que cobrem literalmente todos os aspectos das usinas, desenvolvendo homens, máquinas, gestão, resultados financeiros, atendimento ao público consumidor, sob um guarda chuvas de aguda segurança. Tudo respirando um ambiente capitalista e democrático. O resultado é que a frota americana de usinas nucleares em número superior a 90 unidades, com vida média nas proximidades de 50 anos, obtém há década os melhores… Leia mais »