APESAR DE FALHAS ESTRUTURAIS, ANSN AFIRMA QUE NÃO HÁ EVIDÊNCIAS DE RISCO À POPULAÇÃO PRÓXIMA A DEPÓSITOS DE REJEITOS NO RIO DE JANEIRO

A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) se manifestou sobre a situação de dois depósitos que armazenam rejeitos radioativos no IEN (Instituto de Engenharia Nuclear), na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. Relatórios técnicos apontam que as unidades estão sofrendo com fissuras estruturais, infiltrações recorrentes e outras inadequações construtivas. De acordo com a ANSN, apesar dos problemas, a população do entorno permanece protegida, em razão das barreiras de confinamento existentes, do controle de acesso à área e da fiscalização regulatória contínua.

Com base nas avaliações técnicas realizadas até o momento, não foram identificadas evidências de risco à população do entorno nas condições atualmente verificadas”, disse o órgão regulador. Segundo a ANSN, a situação permanece sob monitoramento regulatório contínuo, com exigência formal de implementação das medidas corretivas determinadas, sem prejuízo da adoção de providências adicionais previstas no arcabouço normativo vigente, caso necessário.

A autarquia federal detalhou que os dois depósitos estão interditados desde maio de 2019, por decisão regulatória fundamentada em não conformidades estruturais identificadas em ações de fiscalização conduzidas à época pela então Diretoria de Radioproteção e Segurança Nuclear (DRS) da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Para lembrar, naquela época, as atividades regulatórias eram exercidas pela CNEN. Com a criação da ANSN, em agosto de 2025, essas atribuições foram formalmente separadas, passando a nova Autoridade a exercer, de maneira independente, a regulação e a fiscalização do setor.

Em inspeção recente, a Autoridade constatou a progressão de manifestações patológicas já registradas anteriormente, incluindo fissuras estruturais, infiltrações recorrentes e outras inadequações construtivas. Embora não haja evidências de colapso estrutural iminente, a permanência de rejeitos em estruturas degradadas representa risco potencial, especialmente quanto à manutenção, ao longo do tempo, das condições adequadas de confinamento exigidas pelas normas aplicáveis”, detalhou a ANSN.

A autarquia declarou ainda que já foi analisada a proposta de transferência temporária dos rejeitos para instalação com condições adequadas de armazenamento, como medida preventiva, até a conclusão das intervenções estruturais necessárias nos depósitos originais. “Tal proposta não constitui autorização automática, estando sujeita a avaliação técnica rigorosa e à emissão de ato formal pela ANSN”.

O Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) apresentou, em janeiro deste ano, uma atualização do plano de ação, contemplando a movimentação e realocação temporária dos materiais. Ressalta-se que a execução dessas atividades permanece condicionada à prévia autorização da ANSN, após análise detalhada dos aspectos de segurança radiológica e operacional. A ANSN seguirá acompanhando todas as etapas do processo, incluindo a adequação do local temporário, o planejamento e execução da transferência, o monitoramento radiológico e de proteção física, a recuperação estrutural das instalações originais e a reavaliação das condições de segurança antes de qualquer eventual retomada de uso”, concluiu a ANSN.

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Drausio Lima Atalla
Drausio Lima Atalla
11 dias atrás

Gastamos milhões na preservação de equipamentos de Angra 3, que provavelmente jamais serão usados, bilhão anual com juros dos empréstimos de Angra 3 e deixamos estes depósitos de rejeito se degradarem a tal nível. . Talvez o país não reúna mesmo condições mínimas para ter uma indústria nuclear. E se trata da elite do nosso conhecimento. Que vergonha.

Drausio Lima Atalla
Drausio Lima Atalla
11 dias atrás

Angra possui depósitos de rejeito de média e baixa atividades bastante razoáveis e com espaço. Talvez possa ajudar o IEN a cuidar daquilo que lhes cabe e são incapazes. O próprio esqueleto de Angra 3 pode ser adaptado para este fim, dando enfim algum sentido à catacumba. Entretanto seria melhor derrubar tudo e voltar à condição de Green Field, ao menos serviria para demonstrar a capacidade de desmontar usinas nucleares e retornarr o sítio à condição prévia à usina.

Drausio Lima Atalla
Drausio Lima Atalla
11 dias atrás

Enquanto isso Angra 2 continua parada e Angra 1 operando com potência reduzida. Depósito de rejeito com padrão de favela, nossa grande usina Angra 2 parada muito além do razoável, Angra 1 pequena operando menor ainda, tudo devagar quase parando. Talvez seja melhor parar com tudo logo e vender coco na praia, afinal somos um país tropical.

Drausio Lima Atalla
Drausio Lima Atalla
11 dias atrás

Além disso, quando houver evidência de risco à população por rejeito radioativo mal guardado, já era. ANSN exigindo pouco, muito pouco.