ATAQUE DOS ESTADOS UNIDOS CONTRA TERRORISTAS DO ESTADO ISLÂMICO NA NIGÉRIA PODE ALIVIAR PRESSÃO CONTRA A TOTALENERGIES
Os fortes ataques com mísseis que os Estados Unidos lançaram na noite de Natal contra alvos do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), no noroeste da Nigéria, podem dar alívio também para as atividades da petroleira francesa Total Energies no país. Grupos terroristas locais além de atacar cristãos, estavam causando problemas e prejuízos para a exploração de petróleo e gás pela empresa francesa. Segundo o Pentágono, os ataques exigiram o lançamento de dez mísseis Tomahawk a partir de um navio da Marinha americana posicionado no Golfo da Guiné e atingiram “múltiplos” alvos no estado de Sokoto, próximo à fronteira com o Níger. A operação foi anunciada pelo próprio presidente Donald Trump em uma mensagem nas redes sociais, na qual enfatizou que se trata de uma ação contra extremistas que perseguem cristãos no país: “Os Estados Unidos lançaram um ataque poderoso e mortal contra a escória terrorista do ISIS no noroeste da Nigéria. Eu já havia avisado esses terroristas que, se não parassem com o massacre de cristãos, haveria consequências terríveis, e esta noite houve.”
Em seguida, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, escreveu no X: “O presidente foi claro no mês passado: o assassinato de cristãos inocentes na Nigéria (e
em outros lugares) deve acabar”. O governo nigeriano confirmou nesta sexta-feira (26) que colaborou com os militares americanos. “As Forças Armadas da Nigéria, em colaboração com os Estados Unidos da América, realizaram com sucesso operações de ataque de precisão contra elementos estrangeiros identificados, vinculados ao EI, que operam em zonas do noroeste da Nigéria“, declarou o porta-voz das Forças Armadas, tenente-general Samaila Uba. “Os ataques basearam-se em informações fidedignas e em um cuidadoso planejamento operacional, com o objetivo de debilitar a capacidade operacional dos terroristas, minimizando ao mesmo tempo os danos colaterais“, acrescentou Uba em comunicado.
Há dois anos a TotalEnergies conseguiu a extensão por mais 20 anos da licença para explorar o bloco denominado OMD130, localizado a 150 quilômetros da costa da Nigéria, onde estão dois grandes campos de petróleo e gás, Akpo e Egina, que entraram em produção em 2009 e 2018,
respectivamente. Em 2022, a produção totalizou 282 mil barris de óleo equivalente por dia. Cerca de 30% foi gás enviado para a planta de GNL da Nigéria, contribuindo para a segurança energética da Europa. O start-up da produção de Akpo West, um projeto de ciclo curto, está previsto para o final de 2023. Além disso, OML130contém a descoberta do Campo de Preowei, a ser desenvolvida em parceria com o FPSO Egina. Mas a empresa estava enfrentando uma série de problemas no país, com ataques de grupos terroristas às suas instalações.
A TotalEnergies enfrenta também outros problemas na Nigéria, com destaque para questões ambientais, conflitos com comunidades locais, insegurança operacional e disputas legais/regulatórias. Estes desafios têm levado a empresa a buscar a venda dos seus ativos em terra (onshore). Os principais problemas incluem:
- Impacto Ambiental e Poluição: A empresa, assim como outras petrolíferas na Nigéria, é alvo de queixas sobre danos ambientais significativos no Delta do
Níger, incluindo derrames de óleo e a poluição de fontes de água potável e terras agrícolas. Comunidades relatam que a contaminação afeta a agricultura e a pesca, essenciais para a sua subsistência. A queima de gás também é uma preocupação, com impactos negativos na saúde dos residentes. - Conflitos com as Comunidades: Houve protestos e exigências por parte de comunidades locais, como as de Egi-Obagi e Ogbogu, para que a TotalEnergies fosse expulsa das suas áreas devido a décadas de alegada negligência corporativa e falta de responsabilidade. As disputas também envolvem a gestão do Fundo Fiduciário de Desenvolvimento das Comunidades Anfitriãs (Host Communities Development Trust Fund), um mecanismo exigido por lei para o desenvolvimento local.
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Insegurança e Sabotagem: As operações, especialmente em terra, são prejudicadas por problemas de segurança, como roubo de petróleo, vandalismo de oleodutos e sabotagem. Tais incidentes resultam em derrames de óleo e interrupções na produção, levando a custos de reparação elevados e um ambiente de investimento instável.
- Problemas Legais e Regulatórios: A TotalEnergies já foi alvo de processos judiciais e disputas contratuais. Recentemente, a empresa foi ordenada por um tribunal a pagar 285,2 milhões de dólares à NNPC (Nigerian National Petroleum Company Limited) por alegado excesso de petróleo partilhado. Além disso, uma tentativa de vender a sua participação de 10% numa joint venture (SPDC) ruiu porque as partes não cumpriram as obrigações financeiras e regulatórias exigidas pela comissão reguladora.
- Pressão para a Descarbonização: Globalmente, a TotalEnergies enfrenta crescente pressão de grupos ambientalistas e investidores para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e alinhar as suas operações com as metas climáticas.

publicada em 26 de dezembro de 2025 às 16:00 





