AUTORIDADE NACIONAL DE SEGURANÇA NUCLEAR ESPERA TER AVANÇOS EM TEMAS CRUCIAIS NO ANO DE 2026 PARA O CRESCIMENTO DO SETOR
Apesar dos inúmeros desafios e dilemas vividos em 2025, o setor nuclear brasileiro teve uma grande conquista neste ano: o nascimento da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). O órgão foi criado para assumir as funções da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) no monitoramento, regulação e fiscalização da segurança nuclear e a proteção radiológica no país. Em entrevista para a nossa série especial Perspectivas 2026, o diretor-presidente da autarquia, Alessandro Facure, contou quais foram os primeiros passos dados ao longo de 2025, incluindo composição de equipes, definição de cargos e criação das primeiras bases administrativas. Olhando para o futuro, o Facure declarou que 2026 deve ser um período onde a ANSN deve fazer avanços em temas cruciais para o setor nuclear, tais como licenciamento, fiscalização, novas tecnologias e preparação para emergências. “Se atuarmos com firmeza, planejamento e serenidade, 2026 pode ser o ano em que a ANSN deixa o estágio embrionário e passa a se apresentar como autoridade nuclear estável, confiável e tecnicamente respeitada”, afirmou.
Como foi o ano de 2025 para a ANSN e seu setor?
Como sabemos, a Autoridade foi instalada somente no final de agosto de 2025, o que fez desse período inicial um ciclo de estruturação institucional. Iniciamos o processo de separação da CNEN, tema sensível e que exige tratamento cuidadoso para garantir continuidade das atividades regulatórias. Ao longo desses meses, avançamos no estabelecimento do órgão com foco na composição de equipes, definição de cargos, realocação de servidores, identificação do patrimônio necessário e criação das primeiras bases administrativas para que a ANSN exista de forma plena, com pessoas, funções e estrutura material mínimas para operar.
Implantamos rotinas internas e reuniões periódicas de alinhamento estratégico, iniciando a construção da cultura institucional e de governança. Em paralelo, conduzimos agenda externa ativa com visitas a outras agências reguladoras, Ibama e órgãos correlatos, buscando cooperação, troca de experiências e referência de boas práticas. Nosso objetivo tem sido inserir a ANSN no ecossistema regulatório nacional e sinalizar desde cedo um posicionamento responsável, transparente e técnico.
Se fosse consultado, que sugestões daria para melhorar o ambiente geral em seu setor?
Para aprimorar o ambiente e fortalecer nossa atuação, considero essenciais alguns eixos: consolidar a transparência e comunicação com sociedade e operadores; avançar nem processos e sistemas de gestão; investir em capacitação contínua das equipes; ampliar integração, reduzindo barreiras internas; e dar previsibilidade regulatória, com normas claras e estáveis. Também é estratégico consolidar nossa infraestrutura física e orçamentária, garantindo patrimônio, quadro técnico adequado e condições de trabalho dignas para o exercício regulatório.
Por último, quais são as perspectivas da ANSN para 2026?
Quanto a 2026, o panorama é de consolidação e entrega. Com a base lançada em 2025, o próximo ano deverá marcar avanços em licenciamento, fiscalização, desenvolvimento normativo e cooperação nacional e internacional, inclusive frente ao tema dos SMRs, novas tecnologias e preparação para emergências. Se atuarmos com firmeza, planejamento e serenidade, 2026 pode ser o ano em que a ANSN deixa o estágio embrionário e passa a se apresentar como autoridade nuclear estável, confiável e tecnicamente respeitada.

publicada em 12 de dezembro de 2025 às 5:00 





