CAI O MOVIMENTO DE NAVIOS EM ORMUZ. TRUMP DESISTE DE ACORDO COM O IRÃ, QUE AMEAÇA ESTADOS UNIDOS COM ATAQUES
O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz caiu abaixo da média dos últimos 10 dias. Apenas cinco navios mercantes transitaram pelo Estreito de Ormuz ontem (27), número inferior aos 17 do dia anterior e abaixo da média de 15 dos últimos 10 dias, segundo dados preliminares de navegação divulgados hoje (28). Entre os cinco navios, estavam dois petroleiros de médio porte e um navio-tanque de gás de grande porte, segundo dados iniciais do rastreador de navios Kpler. Os números podem mudar, pois alguns navios normalmente desligam os transponders durante a viagem. Em uma postagem em sua rede social Truth Social, o presidente dos EUA, Donald Trump
disse que “O Irã é uma nação falida! Eu não quero me encontrar, eles querem. Na verdade, eles estão implorando para fechar um acordo.” Fontes familiarizadas com o assunto disseram que Trump quer abandonas os termos do memorando de entendimento de junho, complicando os esforços diplomáticos para reabrir o Estreito de Ormuz. Ele não está mais interessado no memorando de entendimento, que tem sido fortemente criticado por ser um acordo muito leniente com o Irã. O presidente dos EUA disse aos mediadores e parceiros regionais que o país não tem mais interesse em retornar aos termos do Memorando de Entendimento delineado em junho. O preço do barril do Brent está operando está manhã (28) com pequena queda no mercado futuro, com cotações em torno de US$ 85,45.
Para lembrar, após o Irã começar a atacar navios no estreito numa tentativa de retomar o controle, Trump iniciou sua campanha “Dia D Econômico” contra o Irã, que a Casa Branca está chamando de Operação Exilado Econômico. Em seu anúncio, a campanha previu que traria uma “guerra econômica e isolamento em uma escala sem precedentes”, embora tenha fornecido poucos outros detalhes. “Como disse o presidente, não há negociações ou conversas em andamento, nem agendadas, com a República Islâmica do Irã”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly. “O bloqueio naval permanece em pleno vigor e efeito, e a Operação Economic Outcast está em andamento para cortar todos os últimos recursos econômicos que sustentam o regime.” Um relatório indica que as posições dos linha-dura iranianos
dificultarão a obtenção de uma vitória na política externa por Trump, algo que ele tem buscado repetidamente.
Os linha-dura do regime têm repetidamente sabotado as negociações, insistindo que os EUA reconheçam a autoridade iraniana sobre o estreito e retirem seus navios de guerra da área. Autoridades iranianas alertaram o governo dos EUA contra qualquer afastamento do memorando de entendimento de junho. O governo “deveria saber que nenhuma proposta fora do âmbito do entendimento será aceita”, disse o deputado sênior Mohammad Rashidi à agência de notícias estatal iraniana. Diversos mediadores regionais tentaram influenciar as exigências do Irã, mas obtiveram poucos avanços. Fontes disseram que o endurecimento das exigências deixa os mediadores sem uma maneira clara de retomar as negociações.
A REUNIÃO DE OMÃ E O CATAR
Representantes do Paquistão e de Omã viajaram ao Irã no início desta semana para reuniões que tiveram resultados variados. Fontes disseram que o chefe do exército paquistanês, Asim Munir, saiu de Teerã com poucos resultados concretos. O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad Al Busaidi, também viajou a Teerã na semana passada, e os dois lados teriam chegado a um acordo que levaria a negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz. O governo paquistanês estaria insatisfeito com Omã, acreditando que Mascate cedeu demais a Teerã.
Embora o Irã tenha afirmado que a reunião resultou em um acordo, Omã ainda não se pronunciou sobre o assunto. O
primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, também viajou recentemente ao Irã para se encontrar com o ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi. Uma declaração conjunta divulgada após as conversas afirmou que os dois discutiram como evitar uma escalada regional e iniciar o trabalho preparatório para as negociações. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o Estreito de Ormuz não será reaberto até que os EUA retornem aos termos do memorando de entendimento de junho, que incluía o fim
do bloqueio americano. “Se os Estados Unidos pararem de obstruir e retornarem ao memorando de entendimento, poderemos abrir o Estreito de Ormuz dentro da estrutura do acordo alcançado”, disse o porta-voz da Guarda Revolucionária, Brigadeiro-General Hossein Mohebbi, à mídia estatal. “Nossas condições devem ser aceitas pelos Estados Unidos.” Mohebbi também prometeu duros golpes contra os interesses vitais dos EUA e os pontos de estrangulamento energético caso a infraestrutura do Irã seja ameaçada.

publicada em 28 de agosto de 2026 às 11:00 




