CANADÁ REVELA NOVA ESTRATÉGIA PARA ENERGIA NUCLEAR E INVESTIMENTO EM MICRORREATORES
O ministro de Energia e Recursos Naturais do Canadá, Tim Hodgson, anunciou a intenção do governo de lançar uma estratégia “transformadora” de energia nuclear até o fim do ano. A iniciativa será acompanhada de investimentos de milhões de dólares para avaliar o potencial de um microrreator controlado pelo país, capaz de fornecer calor e eletricidade para instalações remotas e do norte, incluindo operações ligadas à defesa. O anúncio foi feito durante a conferência da Associação Nuclear Canadense, realizada em Ottawa na última semana.
Ao citar o compromisso de 38 países com a meta de ao menos triplicar a capacidade nuclear global até 2050, Hodgson afirmou que o momento representa uma oportunidade para o Canadá expandir sua indústria nuclear, garantindo energia acessível e segura internamente, além de aproveitar um mercado global que pode movimentar até CAD 200 bilhões (US$ 146 bilhões) por ano até 2030.
A estratégia, em desenvolvimento pelo Natural Resources Canada (NRCan), será baseada em quatro pilares: viabilizar novos projetos no país; posicionar o Canadá como fornecedor e exportador global; ampliar a produção de urânio e oportunidades no ciclo do combustível; e desenvolver novas inovações nucleares, incluindo fissão e fusão.
O primeiro pilar — voltado à construção de novas usinas — busca expandir projetos tanto de pequeno quanto de grande porte. “Para isso, precisamos reduzir riscos de investimento, facilitar o financiamento público e privado, avançar parcerias com comunidades indígenas e priorizar projetos com viabilidade econômica e estratégica”, afirmou o ministro.
No segundo pilar, o foco é fortalecer o país como fornecedor global. Segundo Hodgson, o governo está avançando em uma estratégia comercial para energia nuclear, direcionada a mercados prioritários e com apoio a empresas canadenses ao longo da cadeia de suprimentos, com uso de instrumentos como o Trade Commissioner Service e o Export Development Canada.
O terceiro pilar prevê ampliar o aproveitamento das reservas domésticas de urânio, com o objetivo de atender de forma confiável à expansão de frotas nucleares de países aliados. Já o quarto pilar será voltado à inovação de próxima geração, incluindo pequenos reatores modulares (SMRs), microrreatores e tecnologias de fusão.
“Nossa prioridade é a segurança energética e a inovação nuclear de costa a costa. Mas talvez não haja região onde isso seja mais necessário do que no Norte, onde os custos são mais elevados, a segurança energética é mais frágil e a soberania ganha importância crescente”, disse Hodgson.
Nesse contexto, o ministro anunciou um novo programa conjunto de viabilidade com o Departamento de Defesa Nacional e a Atomic Energy of Canada Limited para avaliar o uso de microrreatores no Norte do país.
O Departamento de Defesa Nacional investirá mais de 40 milhões de dólares canadenses neste ano fiscal para analisar se microrreatores de próxima geração podem fornecer calor e eletricidade de forma segura e confiável para instalações remotas das Forças Armadas canadenses. Segundo o governo, a iniciativa também pode ter aplicações civis, beneficiando comunidades isoladas e projetos industriais que demandam energia limpa e estável.
O ministro também destacou o papel da ciência e da inovação, citando o compromisso do governo federal de investir 2,2 bilhões de dólares canadenses ao longo de dez anos nos Laboratórios de Chalk River, incluindo a criação de um centro avançado de pesquisa em materiais e outras infraestruturas.
“A energia nuclear é central para o nosso futuro, seja na economia, na segurança, no clima ou no papel do país no mundo. A dimensão da oportunidade global é enorme, mas não deve ser motivo de hesitação”, afirmou.

publicada em 3 de maio de 2026 às 13:00 




