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CENTRO TECNOLÓGICO DA UNIFEI SE PREPARA PARA TESTES DE TECNOLOGIAS INOVADORAS PARA O PRÉ-SAL E PLANEJA EXPANSÃO

Perto de completar seu primeiro ano de atividades, o Centro Tecnológico para o Pré-Sal Brasileiro (CTPB) vive um período de intensa movimentação. Localizado na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), em Minas Gerais, o complexo desenvolve e testa equipamentos voltados à produção de petróleo em condições extremas típicas do pré-sal. O coordenador do CTPB, Marco Aurélio de Souza, adianta que o próximo grande projeto a ser executado na unidade está relacionado ao HISEP — tecnologia que permite a separação de óleo e gás no fundo do oceano e a reinjeção do gás rico em CO₂ no reservatório. O CTPB realizará um Teste de Aceitação de Fábrica da bomba em escala real que será utilizada no HISEP. “A previsão é que o teste comece entre maio e junho de 2026 e dure cerca de um ano. Estamos preparando o laboratório com as adaptações necessárias para receber esses equipamentos”, afirmou. Além desse projeto, o CTPB mantém uma série de outras iniciativas em andamento e uma agenda de testes já contratada até pelo menos 2028. Para os próximos anos, o centro também planeja ampliar seu escopo de atuação — além dos testes de separação gás-líquido, pretende desenvolver estudos de separação líquido-líquido e processos voltados à captura e armazenagem de CO₂.

Para contextualizar nosso leitor, poderia relembrar um pouco sobre como foi a criação do CTPB?

Visão geral do Centro Tecnológico para o Pré-Sal Brasileiro

Visão geral do Centro Tecnológico para o Pré-Sal Brasileiro

A nossa relação com a Petrobras é antiga, trabalhamos para eles na área de processamento primário há 29 anos. Em 2018, devido a essa tradição de trabalho e à forma como o nosso grupo atua, fomos consultados sobre a possibilidade de abrigar este novo laboratório. O centro teria a finalidade de criar condições para o teste de equipamentos que operam em condições similares às do pré-sal brasileiro. Na época, não existia no mundo uma instalação com essa capacidade de simular as condições do pré-sal. Nós aceitamos o desafio.

Em 2019, elaboramos o projeto e a precificação. Em 2020, negociamos os contratos, os convênios e obtivemos as aprovações necessárias de todos os envolvidos. No final de 2020, foram assinados dois termos de cooperação: um para financiar a estrutura civil do laboratório; e outro para financiar todos os equipamentos que seriam instalados.

Em 2021, iniciamos o processo de contratação das empresas para a construção e, em março de 2021, as obras começaram. Enfrentamos o desafio da pandemia de Covid-19, com lockdown na cidade, mas, com a colaboração da prefeitura, conseguimos instalar as equipes. A construção do Centro Tecnológico para o Pré-Sal Brasileiro foi concluída em março de 2024 e a inauguração ocorreu em dezembro daquele ano. 

Quais são as atividades e que tipo de teste em equipamentos o CTPB pode realizar?

O CPTB pode atuar como um se fosse “um reservatório de petróleo acima do solo”. Ele é capaz de manusear os fluidos que tipicamente estão no reservatório – água, óleo e gás – e de controlar e escoar esses fluidos na direção do nosso pátio de teste. Com isso, conseguimos criar as condições as quais os equipamentos serão submetidos ao longo de toda a vida do reservatório.

Um reservatório começa produzindo muito óleo e gás, e quase nada de água. Depois, essa proporção muda. O CPTB, ao movimentar cada um desses fluidos de modo independente, é capaz de emular todo o ciclo de vida do reservatório, desde o instante em que a produção começa até o momento em que ele é considerado o fim de seu ciclo.

Essa capacidade nos permite testar todos os equipamentos envolvidos na produção de petróleo: bombas, medidores, separadores, válvulas e todos os demais equipamentos utilizados para o controle de vazão e fluxo podem ser testados aqui. Eles precisam ser testados porque, via de regra, quando esses equipamentos são produzidos, são testados apenas com água.

Para o pré-sal, em particular, temos um fluido um pouco diferente. Temos uma quantidade elevada de CO2 em alta pressão, o que faz com que esse fluido tenha um comportamento chamado fluido supercrítico. Há pouco conhecimento no mundo sobre o comportamento desse tipo de fluido em escoamento, principalmente em vazões elevadas.

O CTPB, em um primeiro momento, possibilita o teste de equipamentos. Se o equipamento não atinge a performance ou o rendimento esperados, entramos no nosso segundo modo de operação, que é auxiliar no seu desenvolvimento. É possível identificar as falhas, usar a engenharia para adaptar e melhorar o equipamento, implementar a melhoria e retornar ao teste, até que ele se torne adequado para a produção de petróleo.

O senhor poderia mencionar alguns projetos ou testes em andamento que mereçam ser destacados?

Ilustração do sistema HISEP

Estamos fortemente envolvidos com o teste do piloto do HISEP. A fase de verificação dos riscos da tecnologia já foi realizada aqui no CTPB, em escala menor. Para se ter uma ideia, uma bomba do HISEP tem 5,5 MW de potência. Nós testamos uma bomba de 2 MW.

No entanto, a bomba em escala real do HISEP virá para o CTPB para que seja feito o FAT (Teste de Aceitação de Fábrica) e para que seja realizada uma simulação do funcionamento das bombas em série. A previsão é que o teste comece entre maio e junho de 2026 e dure cerca de um ano. Estamos preparando o laboratório com as adaptações necessárias para receber esses equipamentos. 

Além disso, como somos capazes de testar separadores e medidores, temos contratos para: testar Separadores Gás-Líquido de fabricantes internacionais, interessados em submeter seus equipamentos às condições do pré-sal brasileiro.  Temos dois equipamentos desse tipo na fila para teste.

Também podemos testar Medidores Multifásicos, que são medidores de vazão feitos para escoamentos com mais de uma fase (água, óleo e gás). O objetivo é que esses medidores sejam capazes de quantificar a vazão total e fazer a medição de quanto é água, óleo ou gás. Temos medidores de quatro fornecedores tradicionais da indústria do petróleo que serão testados aqui.

Existe ainda um teste agendado sobre a possibilidade de gerar energia no fundo do mar, usando a energia do próprio fluido do reservatório. Essa agenda de testes já contratada vai até 2028.

Para concluir, existe alguma novidade, plano ou destaque que o senhor queira mencionar em relação aos próximos anos do CTPB?

Sim. O CTPB hoje é adequado para testes de separação gás-líquido, mas existe a necessidade de um centro para separação líquido-líquido (água e óleo) em alta pressão. O próximo passo que estamos estudando e analisando é a ampliação da nossa estrutura para que ela consiga também realizar a separação líquido-líquido. Isso envolve o uso de outras tecnologias, pois a separação entre dois líquidos é mais complexa do que a separação gás-líquido.

Além disso, devido à crescente busca por captura e armazenamento de carbono para a descarbonização, o CPTB tem todas as condições para começar a desenvolver processos para captura e armazenagem de CO2. Estes são projetos que estão além de 2029, que ainda estamos prospectando, mas que são áreas potenciais para o uso do CPTB.

O CPTB realiza testes somente para a Petrobrás ou o relacionamento é aberto a outras empresas?

O centro é da UNIFEI e está aberto e livre para qualquer usuário que queira utilizá-lo, mediante o pagamento dos custos. Embora a Petrobras seja quem está mais próxima de nós, mas qualquer empresa – não apenas do setor de óleo e gás, mas também de equipamentos (bombas, válvulas, medidores) – tem condição de acessar o CTPB.

A empresa pode nos procurar para testar um equipamento submetido às condições típicas do pré-sal ou desenvolver uma ideia ou aplicação típica do pré-sal, já monitorando o escoamento desses fluidos. Felizmente, estamos com uma agenda bem cheia, atendemos a todos e tentamos fazer a melhor configuração possível.

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Mikawill
Mikawill
5 meses atrás

Bom Dia! Nem Li a matéria toda! É impressionante. Essa Petrobras e essa Presidente da Petrobras se merecem mesmo. PQP! Inadmissível uma porra dessas! Tá bom, parece uma coisa linda o feito dessa universidade. Na verdade até é, mas tem alguma coisa de muito errado nessa historia. Então nos digam o que justifica aqueles bilhões gastos na construção do CENPES II e o custo de operação do CENPES I e o custo do CENPES II? Pra que esse investimento e custo operacional destes Elefantes se uma universidade é quem está fazendo esse serviço ⁉️ E ainda vai expandir. Só pode… Leia mais »

Mikawill Precisa Ler Mais
Mikawill Precisa Ler Mais
4 meses atrás
Responder para  Mikawill

Pra que construir um hospital se já tinha um hospital né?
Vc é tonto?

Maria do Carmo
Maria do Carmo
4 meses atrás
Responder para  Mikawill

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