CEO DA STELLA TECNOLOGIA DIZ NO SENADO QUE É IMPERIOSO A AMPLIAÇÃO DE INVESTIMENTOS NA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE DEFESA
O empresário brasileiro, Gilberto Buffara Júnior, CEO da Stella Tecnologia, teve uma participação especialmente importante na Comissão de Defesa do Senado no debate sobre a questão de mais investimentos em defesa. A Stella Tecnologia é a empresa brasileira mais avançada no desenvolvimento de Veículos Aéreos Não Tripulados ( VANT) para observação de grandes áreas das nossas fronteiras, terrestre e marítima, além da própria Amazônia. A empresa desenvolveu o Atobá, o maior VANT brasileiro, além de drones para uso militar. A comissão do senado está discutindo a PEC 55/2016, que tem por objetivo definir um limite que impeça o
crescimento real do gasto para reduzir a despesa pública em proporção do PIB de forma gradativa, com o objetivo de consolidar uma posição fiscal mais sustentável a partir da produção de resultados primários positivos.
– Como o senhor enxerga essa discussão?
-O que está em jogo na PEC 55 vai muito além de números em planilhas. Trata-se de defesa e soberania nacional. O mundo corre em ritmo acelerado. A Turquia, que até 15 anos atrás sequer tinha tradição em drones, hoje exporta para mais de 30 países. Israel é referência. A China avança em hipersônicos.
– E qual a situação brasileira diante disso?
-Enquanto outros aceleram, o Brasil assiste. Essa passividade abre um buraco tecnológico que, na hora de reagir, pode nos deixar paralisados. Basta olhar o exemplo espacial: o programa CBERS, em parceria com a China, foi pioneiro, mas hoje quem lidera nesse setor é a China, enquanto o Brasil virou mero comprador de tecnologia.
– Qual é o papel da sua empresa nesse cenário?
-A Stella Tecnologia mostra que é possível fazer diferente. Criamos o maior drone do hemisfério sul, o Atobá: 700 quilos de peso máximo de decolagem, 11 metros de envergadura, mais de 24 horas de voo. Uma plataforma 100% nacional, desenvolvida com recursos incomparavelmente menores do que os de projetos semelhantes no exterior.
– A Stella está isolada nesse esforço?
–Atobá pode voar por mais de 24 horas sem reabastecimento. Ideal para controle de fronteirasDe forma alguma. Trabalhamos em conjunto com
empresas como a Aeroconcepts, que produz turbinas no Brasil. Essa parceria prova que já existe base industrial no país para integrar sistemas estratégicos, consolidando um ecossistema de defesa próprio.
– O senhor mencionou a Embraer no discurso. Qual a relação?
-Cada real destinado à tecnologia estrangeira é um real que deixa de fortalecer a indústria nacional. Foi assim que a Embraer colocou o Brasil no mapa da aviação. Agora, os drones podem ser a próxima vitrine de inovação e poder. O cenário mundial é instável: guerras explodem em semanas, cadeias logísticas quebram em dias, tecnologias disruptivas aparecem a cada hora. Só há um caminho: estar preparado.
-– A movimentação dos navios de guerra americanos em torno da Venezuela se encaixa no que foi dito na comissão?
Exatamente. Preparar-se significa investir agora e manter o fluxo de recursos no tempo. Amanhã já será tarde demais. Apostar em drones e na
indústria nacional é blindar a autonomia do país e garantir soberania diante de turbulências externas.
– E quais ganhos práticos o Brasil teria?
– São claros: centenas de empregos de alta qualificação, milhares de postos indiretos em toda a cadeia de eletrônica, compósitos e softwares de inteligência artificial; parcerias com universidades; retenção de talentos que hoje fogem para o exterior; menos evasão de divisas. E há um simbolismo nisso: quando negligenciamos nossa própria capacidade e compramos fora o que poderíamos fazer aqui, repetimos a cena dos indígenas trocando pepitas de ouro por miçangas. Hoje, nossas pepitas são os jovens e a soberania; as
miçangas são as tecnologias importadas.
– O Brasil consegue oferecer algum diferencial em relação ao estrangeiro?
-Sim, nossa vantagem é a adequação. Enquanto produtos importados seguem padrões rígidos, nossas plataformas nascem para responder a demandas específicas do país: vigiar a Amazônia, monitorar a costa, patrulhar fronteiras, combater a pesca ilegal, fiscalizar vazamentos de petróleo e apoiar o agronegócio, que sustenta quase 27% do PIB. O Brasil já tem tradição aeronáutica. Mas tradição não pode ser vitrine de museu; tem que ser projetada para o futuro.
– O que a comissão de defesa do Senado pode fazer para isso virar realidade?
-Ajustar a PEC 55. Só assim o Ministério da Defesa terá orçamento previsível para transformar capacidade em poder concreto. Sem isso, continuaremos comprando em vez de produzir, dependendo em vez de liderar. O Brasil precisa sair da plateia e ocupar o palco. E a hora é agora.

publicada em 11 de setembro de 2025 às 12:00 






