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COM A INTERRUPÇÃO DOS ATAQUES AMERICANOS, OS ENGENHEIROS DA ROSATOM COMEÇAM A VOLTAR À USINA NUCLEAR DO IRÃ

Sem escalada militar na guerra contra o Irã, os primeiros cinco engenheiros russos retornaram à usina nuclear de Bushehr, no Irã, afirmou o diretor-geral da Rosatom, Alexei Likhachev(direita). Ele afirmou que isso eleva o total de especialistas russos no local para 25, com mais previstos para retornar nas próximas duas semanas, caso não haja uma escalada da ação militar. Em declarações divulgadas pela publicação interna da Rosatom, Strana, Likhachev afirmou que “Se tudo correr bem, aumentaremos nossa equipe de projeto para 100 pessoas até o outono. É claro que planejamos repatriar todos os especialistas previamente evacuados da República Islâmica o mais breve possível. No entanto, o retorno às condições pré-guerra só será possível após a assinatura de um acordo final entre os EUA e o Irã sobre a cessação das hostilidades.”

A publicação informa que as atividades de construção dos edifícios principais e auxiliares de Bushehr 2 e 3 continuam, assim como os trabalhos preparatórios nas estruturas hidráulicas. Os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, alegando que visavam a liderança iraniana e sua infraestrutura militar. Atualmente, há um cessar-fogo e negociações em curso com o objetivo de pôr fim ao conflito. O Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, afirmou que a diplomacia e as negociações são o caminho “para alcançar a garantia de longo prazo de que o Irã não adquirirá armas nucleares e para manter a eficácia contínua do regime global de não proliferação”.

A primeira unidade da usina de Bushehr foi conectada à rede em 2011. Trata-se de uma unidade VVER de projeto russo com capacidade de 915 MWe. Outras duas unidades, equipadas com reatores VVER-1000, estão em construção: a unidade 2 teve a primeira concretagem realizada em 2019 e o coletor de núcleo instalado em 2024. Em janeiro, o terceiro nível do edifício de contenção interna da unidade 2 foi instalado. Em maio, Likhachev afirmou que o reator da usina Bushehr 2 estava mais de 60% concluído e os geradores de vapor, 50%, e que “planejamos começar a enviar os equipamentos principais no próximo ano”. Ele disse, na ocasião, que cerca de 2.200 funcionários de empreiteiras iranianas já haviam retornado ao canteiro de obras.

Em um evento na Conferência Geral da AIEA em setembro de 2024, o Irã sugeriu que a data-alvo para o início das operações da unidade 2 era 2029. Em setembro de 2025, a Rosatom e a Organização de Energia Atômica do Irã assinaram um memorando de entendimento para cooperação na construção de pequenos reatores modulares no Irã. O país afirma ter a ambição de atingir 20 GW de capacidade de energia nuclear até 2041

GUERRA DA UCRANIA 

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciou que foi tomada a decisão de aumentar os níveis de água nas piscinas de combustível usado da usina nuclear de Zaporizhzhia, em meio a preocupações contínuas sobre possíveis perdas de energia fora do local. A agência afirmou que seus especialistas no local foram informados pelos operadores da usina – que está sob controle militar russo desde março de 2022 – que “a medida visa aumentar o tempo disponível antes que a água comece a evaporar em caso de uma perda prolongada de energia externa, durante a qual a usina esgotaria seus suprimentos de diesel e não poderia mais continuar resfriando as piscinas”. A AIEA acrescentou: “A decisão foi tomada em vista da prolongada indisponibilidade da linha de 750 kV de Dniprovska e dos atuais desafios no reabastecimento dos estoques de combustível diesel da usina devido à atividade militar na área. Os trabalhos começaram esta semana, com a presença da equipe da AIEA para acompanhar o processo.” As Piscinas de resfriamento são usadas para armazenar combustível nuclear usado debaixo d’água. Normalmente, esse período é de pelo menos cinco anos para permitir o decaimento da radioatividade e do calor. As seis unidades da Central Nuclear  de Zaporizhzhia estão todas desativadas desde o início da guerra em 2022, e a última unidade passará a operar em regime de desligamento a frio em abril de 2024.

A usina fica próxima à linha de frente das forças russas e ucranianas e já sofreu diversos incidentes em que perdeu toda a energia externa, tendo que recorrer à sua frota de geradores a diesel de emergência para suprir as funções essenciais de segurança. As usinas nucleares geralmente possuem diesel suficiente armazenado no local para operar os geradores de emergência por pelo menos sete dias, se necessário. Isso garante tempo para solucionar problemas de energia externa ou para o reabastecimento de diesel, caso os geradores precisem ser utilizados por um período mais longo. Segundo a AIEA, a central já ficou sem energia externa 24 vezes, metade das quais ocorreram nos últimos quatro meses, incluindo duas vezes na última semana.

O Diretor-Geral Rafael Mariano Grossi afirmou: “Essa tendência, com o crescente número de cortes de energia fora das instalações da Usina Nuclear de Zaporizhzhia, é profundamente preocupante e claramente insustentável. A agência continuará seu trabalho para ajudar a melhorar a situação e apoiar a segurança nuclear no local.” No momento, a usina depende de uma única linha de energia de reserva de 330 kV, visto que sua linha principal de 750 kV está indisponível desde março. Os reparos foram realizados sob um cessar-fogo localizado negociado pela AIEA, mas a linha permanece indisponível devido a danos em uma subestação que a alimenta.

Grossi também  afirmou que : “Essas missões de subestações têm um claro propósito de segurança nuclear. Conforme estabelecido nos sete pilares indispensáveis, as usinas nucleares requerem energia externa confiável, e as subestações são uma parte crucial desse processo.” A AIEA afirmou que suas equipes em Zaporizhzhia, na Usina Nuclear do Sul da Ucrânia e no complexo de Chernobyl continuam relatando ter ouvido atividades militares e/ou alarmes de ataque aéreo. “A cada novo dia de conflito, os riscos à segurança nuclear não diminuem, pelo contrário. Reitero meu apelo por máxima contenção militar em torno de todas as usinas nucleares da Ucrânia e da infraestrutura elétrica associada, “ concluiu Grossi.

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